Tom Cruise vive em “O Último Samurai” um
personagem fictício, um oficial americano, Nathan Algren,
veterano da guerra civil que em 1876 vai ao Japão contratado
para dizimar os samurais e acaba ficando a favor deles. John
Wayne interpretou em “O Bárbaro e a Gueixa”,um
personagem real, Townsend Harris, o primeiro embaixador dos
EUA no país, em 1856. O filme, dirigido por John Huston,
a pesar da beleza plástica, foi fracasso de público
e crítica. Os samurais não foram apenas os 7
de Kurosawa, ícones da milenar cultura japonesa, esses
guerreiros que serviam seus senhores, com coragem e se sacrificavam
se preciso fosse, foram heróis no cinema desde o período
silencioso. Em 1925 o ator Tamisaburo Bando, fundou a primeira
produtora independente, Bantsuma, dirigida por um astro. O
segundo filme da empresa foi Orochi (“O Samurai Serpente”).
Na época todos os filmes de samurai seguiam a mesma
fórmula: o protagonista era um nobre samurai da classe
alta que dominava os adversários defendendo a justiça.
No filme ele é um samurai errante, que a despeito de
seus nobre ideais era desprezado pela sociedade dominante.
Uma crítica ao contexto histórico do Japão
da época, o filme foi rejeitado pela censura e o titulo
original, Buraikan (“O Fora-da-lei”), teve de ser
substituído por Oochi, que sugere uma grande cobra.
Várias cenas foram cortadas e outras refilmadas, mas
ao ser lançado comercialmente acabou sendo grande sucesso
de público O filme foi exibido há alguns anos,
em mostra realizada pela Fundação Japão
em São Paulo. Durante o período silencioso os
filmes do gênero eram filmagem de roteiros originais
e posteriormente quase sempre derivados de obras literárias.
Atualmente o Japão vem revivendo
num novo filme um dos mais famosos de seus personagens (a dúvida:
realmente existiu?) heróicos, Miyamoto Musashi, citado
como o criador de um estilo de luta com duas espadas (mostrado
no
filme de Cruise). Depois da 2ª Guerra Mundial, o diretor
Hiroshi Inagaki (1905-80) dirigiu trilogia (várias partes
ou épocas sempre foram comuns no cinema de lá)
sobre Musashi. A segunda fita da série, “O Guerreiro
Dominante”, recebeu o Oscar® de filme em língua
não inglesa em 1954. Nos anos 60 o grande diretor Tomu
Uchida (1898-1970) dirigiu 5 (cinco) fitas sobre Musashi, entre
1961 e 65: “Miyamoto Musashi”, “Duelo de
Hannyasaka”, “Miyamoto Musashi, O Estilo 2 Espadas”, “Miyamoto
Musashi, Duelo de Ichijoji” Faleceu durante as filmagens
do quinto filme, “Shingen Shobu”,que apesar disso
chegou a ser lançado, em 1971. A revista Superinteressante,
edição de fevereiro, publica matéria sobre
Musashi.
Outro personagem popular é Zatoichi, objeto de extensa série, incluindo
seriado de TV e que inspirou “Fúria Cega”, de 89,com Rutger
Hauer. Um cego errante, massagista, jogador e espadachim. Ele reaparecerá no
mais recente filme, ”Zatoichi”, de Takeshi Kitano, exibido no Festival
de Veneza, com o diretor no papel título. Os samurais viviam pelas leis
de um código, o Bushido, em “Juramento de Obediência”,
de Tadashi Imai, de 63, contém sete histórias de obrigatória
fidelidade a esse código. O filme obteve o Urso de Ouro em Berlim. Para
quem se interessar pelo tema, tem um livro, “Código do Samurai”,
de Yusan Daidoji , traduzido recentemente para o português.
Por Carlos M. Motta