O DVD de "Os Outros" Nacional: Melhor ou Pior?

Muito bem, comecemos pela pergunta do título desta matéria: "Os Outros" nacional: melhor ou pior? A resposta é: depende do ponto de vista. Na minha opinião a versão nacional é no mínimo igual à americana. Falo da versão para sell-thru (venda direta) e não da versão para locação (esta sim ridícula, veja na nossa resenha do filme).

Em primeiro lugar, vamos ao ponto mais discutido: o formato de tela. Na verdade, por erro da distribuidora Imagem Filmes, foi impresso na capa que o filme estaria em widescreen (versão do cinema), quando na verdade estaria em fullscreen (formato igual ao da TV, sem as faixas pretas). Erro ou não de capa, não importa. Na verdade, na edição nacional há, na prática, os dois formatos. Isto porque um filme pode ser feito diretamente no formato wide (com a proporção que deixa, nas TVs comuns, uma faixa preta em cima e embaixo, enquanto que fica em tela cheia nas TVs chamadas de "Wide", que já usam esta proporção) ou, como neste caso, filmado em um formato hora chamado de "open mate" ou hora de "super 35".

Isto significa que o filme é feito na proporção de TV normal, com cenas adicionais acima e abaixo, que são retiradas quando passado o filme no cinema. E estas cenas normalmente não tem nenhuma grande significância. Este é o caso. Veja abaixo as diferenças entre as versões em wide (versão americana) e em "full" (versão brasileira):

Reparem claramente que na versão brasileira, chamada de full, o que há é um acréscimo sem importância acima e/ou abaixo da cena. Isto na verdade já é um recurso muito utilizado na hora da filmagem, pois há sempre esta controvérsia sobre qual é o melhor formato (em pesquisas americanas, as opiniões estão divididas em exatos 50% para cada lado).

Na verdade, só "perde" quem já possui as novas TVs Wide, mas que dependendo do modelo podem utilizar uma espécie de "zoom" que resolve em parte este problema.

Vamos ao segundo ponto: os extras. Aqui sim temos algumas diferenças, mas dependerá do gosto de cada um analisar qual versão é a melhor (ou "mais completa"). Vejamos o que há em ambas as versões:

- Documentário "Por dentro de "Os Outros", com aproximadamente 22 minutos. Vale ressaltar que em TODOS os extras da versão brasileira há legendas em português.

- "Curiosidade", na verdade chamado na versão americana de "Xenoderma Pigmentosum: What Is It?, bem interessante para mostrar esta doença em que pessoas não podem se expor aos raios solares (não sou exatamente um médico, mas é mais ou menos isso...), com 4m27s.

- Trailer de cinema (2m32s)

Agora o que há em ambas as versões, mas com algumas diferenças:

- "Making of", chamado na versão americana de "Intimate Look at Director", que tem, na versão americana, 8m13s e na versão brasileira, pasmem, quase 15 minutos, portanto praticamente o dobro. É um clip mostrando como o diretor Alejandro Amenábar dirigiu várias das cenas.

- "Galeria de Fotos", com 10 fotos em 5 páginas na brasileira e 90 na americana. Tudo bem, tem mais lá, mas alguém vê estas fotos?

- "Novidades", ou trailers de outros filmes, que são diferentes devido aos direitos autorais de cada distribuidora.

Na versão americana, há apenas este extra a mais:

- "Visual Effects Piece", um clipe com 4m27s mostrando os efeitos especiais feitos por computador em 7 cenas.

Na versão brasileira, existem os seguintes extras a mais:

- "Entrevistas", com o elenco e produção: Nicole Kidman (2m47s), Alejandro Amenábar (Diretor, 6m23s), Alakina Mann (2m5s), James Bentley (28s), Fionnula Flanagan (2m20), Elaine Cassidy (2m24s), Eric Sykes (1m51s), Paula Wagner (Produtora Executiva, 1m37s), Fernando Bovaria (Produtor do filme, 1m10s) e Park Sunmin (Produtora do filme, 1m43s), Cada um falando sobre os mais diversos assuntos.

- "Sinopse", 3 telas falando sobre o enredo do filme

- "Elenco", com uma breve biografia de Nicole Kidman (4 telas), Eric Sykes (3), Christopher Eccleston (3) e Fionnula Flannagan (3).

- "Notas da Produção", um texto explicativo dividido em 6 telas

- "Escritor/Diretor", biografia em 4 telas do diretor e roteirista Alejandro Amenábar.

- "Apoio", comerciais de prováveis 3 empresas que patrocinaram o lançamento do DVD no Brasil

Portanto, cabe a cada um decidir que versão é mais atraente. Na minha opinião, a brasileira é melhor, pois agrada a "Gregos e Troianos" com o formato de tela (não aparece as faixas pretas, que para alguns mais desinformados significa um defeito e possui para os mais puristas (como eu) a imagem que o diretor quis mostrar no cinema, basta apenas não ligar para as "imagens extras" abaixo e acima), os minutos a mais do "making of", finalmente as legendas em todos os extras e as entrevistas, que embora feitas quase sempre para dizer "eu adorei trabalhar com a Nicole...", mas tem o seu interesse. Comprar a versão americana, que só tem apenas mais um pequeno clip sobre efeitos visuais e mais fotos, não sei se valeria a pena.

No geral, ambas as versões possuem menus interessantes, áudio com som Dolby Digital 5.1 em inglês (muito bem dividido, por sinal) e uma excelente imagem. O filme, por ser muito escuro, tem que ter uma "taxa de compressão" menor, ou seja, por isso o filme ocupa mais espaço pois ele tem uma qualidade melhor (quanto menor a compressão, teoricamente melhor a qualidade da imagem).

Na versão brasileira, temos que ressaltar que há a opção da dublagem em Português (pena que em Dolby Digital 2.0 e não 5.1) e lamentar que não há o encarte com a divisão de capítulos. Agora, que cada um tire a sua própria conclusão.