29
de julho de
2005
O nepotismo
chega a um limite nunca dantes visto, neste filme de férias
feito pelo mexicano-americano Robert Rodriguez. Vejam só,
nesta fita modesta (custou apenas 6 milhões de dólares,
mas aparenta o triplo) feita em casa (por que ele assina tudo,
roteiro, direção, trilha musical, supervisão
de efeitos especiais, até porque eles todos são
feitos em sua garagem!), o argumento é creditado ao filho
do diretor, um certo Racer Rodriguez que teria sete anos quando
concebeu a história (ele também assina como co-roteirista).
Por mais genial que seja o garoto, certamente não é um
Mozart, o pai que é coruja e perdeu a noção
do ridículo.
E parece
que ele viu antes História sem Fim!
Enfim, Rodriguez famoso por suas parcerias com o amigo Tarantino,
resolveu fazer uma espécie de novo capítulo de
Spy Kids, usando novamente a Terceira Dimensão
(você recebe
na entrada um óculos daqueles precários, um lado
azul, outro vermelho, que vai usar por longos períodos
(acho que tem dois breaks apenas para descansar um pouco) e com
resultado nunca antes tão banal. Atiram coisas na tela
mas nada que impressione muito alguém com mais de 8 anos
de idade. Mas é levar realmente ao ponto máximo
essa idéia de que crianças curtem apenas o que
elas bolam, nesta história feita por um elenco muito fraco
e desconhecido (com a exceção da aparição
de David Arquette de Pânico e Kristin
Davis de Sex and the City, como os pais do menino
herói).
É bom
explicar a história: Um garoto com muita
imaginação (e por causa disso, é perseguido
pelo professor e pelos coleguinhas violentos), Max, garante que
existem dois super heróis mirins, que foram criados por
ele mesmo em seus sonhos (a mensagem da fita é que todos
tem o direito e mesmo a obrigação de sonhar!) .
Eles são o Garoto Tubarão e Menina Lava (de vulcão),
embora as qualidades do Garoto não sejam especialmente
utilizadas nesta aventura. Até o dia em que aparecem na
sala de aula, nas asas de um Twister, para levar o garoto numa
missão e salvar o planeta deles o Drool ameaçados
por um vilão chamado Sr. Elétrico (feito pelo mesmo
ator que interpreta o professor). Quando eles estão em
ação, passando por sucessivos e repetitivos perigos,
todos os efeitos são Digitais, ou seja, CGI. O que torna
o filme absolutamente medíocre, até tolinho, em
particular para adultos.
Na
verdade, o interesse do filme limita-se ao amor paternal da família
Rodriguez e as crianças que durante
as férias estejam precisando de uma diversão leve
e inócua. Não é ruim a mensagem dos sonhos,
nem a realização do filme.
Mas
acho que depois deste e mesmo Sin City (onde
ele demonstra que quadrinhos e cinema são duas linguagens
completamente diferentes), Rodriguez estava na hora de realizar
algo com mais substancia e importância
Por Rubens Ewald Filho
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