04 de abril de 2006
No Brasil, disseram que era melhor que o original. Nos EUA, a recepção da crítica foi gélida e quase toda negativa. Eu fico num meio termo. Não tem a originalidade do primeiro filme, obviamente padece dos problemas de qualquer continuação (como ter que dar continuidade a situações que já foram exploradas, como as aventuras do esquilo pré-histórico, Scrat - no original, com a voz do criador, Chris Wedge, melhor dizendo, os resmungos já que ele não fala!). Aliás, um personagem que o brasileiro parece adorar.
Foi bom assistir novamente a um filme com sala lotada (fazia tempo que ia e não sucedia, embora tivesse o dissabor de ter ao lado, uma criança pequena japonesa, e que falou o filme todo... Em seu idioma natal! Argh! Que faltam fazem os lanterninhas!). E não há a menor dúvida que o brasileiro fica orgulhoso, e com razão, de ter um conterrâneo assinando a direção, no caso, Carlos Saldanha.
Talvez as piores coisas sejam o excesso de comerciais que precedem o filme (com os personagens), e os trailers que anunciam outras fitas de animação, todas muito parecidas. Umas copiando as outras. Mas aqui a história continua: agora a Era do Gelo está acabando e começa o descongelamento (faz parte do título original, mas aqui simplificaram).
Assim, os heróis são obrigados a fugir novamente, procurando refúgio, no que acaba sendo uma espécie de “Arca de Noé” improvisada - o que pode até enfurecer os fanáticos religiosos, que não são poucos. Enfim, Scrat continua sua luta insana para conseguir comida (e suas ações são paralelas à trama central e só se cruzam no final). O mamute Manny acha que é o último de sua raça em extinção, até encontrar Ellie, que é mamute mas foi criada como gambá e pensa que é um bicho igual aos gambás que a adotaram (é a piada mais elaborada do filme). Ou seja, não se aceita (olha a moral da história). Enquanto isso, a preguiça Sid se envolve em confusões (chega a ser aclamada rei de sua espécie, o que traz boas gags visuais), e o tigre Diego tenta manter a calma e o sangue frio até mesmo quando tem que nadar.
Novamente é um filme de estrada, bastante curto, movimentado, com um divertido número musical (quando os abutres cantam a famosa canção “Food, Glorious Food” (Comida, Gloriosa Comida) - do musical “Oliver”, que os tradutores idiotamente traduzem como “Rango”!
Aliás, as legendas são repletas de gírias idiotas e erradas; estão se esquecendo que adultos já estão assistindo fitas de animação).
Aliás, deixe-me reclamar dessa mania de não apresentar versões com legenda, o que tem me feito deixar de assistir a uma série de filmes que poderiam ser interessantes, como Os Seus, os Meus e os Nossos (Nanny McPhee), que saíram basicamente dublados e, francamente, ninguém merece esse castigo. Ou seja, estão perdendo uma faixa do público.
Quanto a Era do Gelo 2, o resultado é bastante divertido e engraçado, nada de excepcional mas não chega a decepcionar.
Por
Rubens Ewald Filho