JOGOS MORTAIS II (Saw II)
 


06 de dezembro de 2005

Filmes de terror provocam reações extremadas: tem os que detestam e nunca querem assisti-los. Outros que são apaixonados e querem ver todos, e gostam de tudo, sempre. Ambos estão errados. Assim como é, preciso ver com distanciamento os filmes, ainda mais quando são continuações. Algumas pessoas receberam este com entusiasmo, mas tenho muitas restrições.

Vamos ver: o filme não é propriamente uma continuação, foi feito pelo mesmo produtor, igualmente com um orçamento baixo, com um elenco ainda pior, e aproveitando uma história que já existia e que foi adaptada para se ajustar à franquia. Ou seja, nem é propriamente uma continuação, mas uma imitação. Se o elenco do primeiro era ruim, este aqui supera tudo, chegando às raias do péssimo, até mesmo o ator central que faz o policial, o tal Donnie Wahlberg, irmão de Mark e ex-cantor pop. Ele até se dava bem como coadjuvante, mas não segura um papel central.

O único menos ruim é o veterano coadjuvante Tobin Bell, que faz o serial killer Jigsaw (quebra-cabeça) perto da caricatura, mas ao menos com certa dignidade. O resto está abaixo da crítica. Como vi o filme fora (em Boston, e duas vezes, por razões pessoais) foi que percebi mais claramente como sua história é furada. Basicamente é sobre um serial killer que aprisionou um grupo de pessoas num lugar (novamente). Mas desta vez a história é contada já revelando tudo, tanto o criminoso quanto a vítima, que seria um policial corrupto e antipático (Wahlberg), que obviamente tem alguma coisa a ver com a situação (entre os prisioneiros está o filho pré-adolescente e rebelde dele). Enquanto à moda de Silêncio dos Inocentes, o assassino fica falando baboseiras e teorizando, e a polícia age com incompetência (eles assistem tudo pela televisão direta, mas sem som). Mas nunca tão evidente quanto as vítimas, que são todas burras e histéricas, fazendo tudo errado e por isso mesmo morrendo rapidamente, uma após a outra (na sala onde estão, melhor dizendo em toda a casa, o que já parece exagero, estão lançando um gás mortal e elas precisam fazer certas tarefas para conseguirem o antídoto).

Como o criminoso já se apresenta morrendo de câncer e numa cadeira de rodas inválido, e como ele teve que seqüestrar toda aquela gente para colocá-los prisioneiros, está mais do que evidente que ele não agiu sozinho e, portanto, há um cúmplice e provavelmente alguém que está dentro do grupo (é ainda mais fácil descobrir quem é, porque logicamente é a única pessoa que age com certa destreza e bom senso). Pergunto então: se tudo é obvio, que prazer sádico é esse em ficar contemplando um filme feio (tudo é esverdeado), que se esmera no sadismo (por exemplo, ficar vendo uma pessoa ser cozida pelas chamas de um forno gigante!).

Será que é a isso que chamamos de diversão inteligente (sem esquecer o humor que faz falta ao filme)?

O sucesso que fez aqui e fora só serve para me deixar preocupado com o estado geral do mundo.

Por Rubens Ewald Filho

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