UMA VIDA ILUMINADA (Everything is Illuminated)
 


21 de novembro de 2005

Atenção para este que é um dos filmes revelação deste ano em Veneza (ganhou um tal de Prêmio Lanterna Mágica) e da Mostra Internacional (onde ganhou o prêmio de roteiro). É muito sensível, original, com aparência de filme europeu (melhor dizendo ainda, russo), com uma narrativa americana que o torna acessível. Foi realizado por um ator muito ambicioso e competente chamado Liev Schreiber que faz muita Broadway, foi o vilão de Sob O Domínio do Mal e que nessa sua estréia na direção, revela notável talento numa adaptação de livro autobiográfico de Jonathan Safran Foer.

Elijah Wood (o Frodo de O Senhor dos Anéis) é um ator problemático porque tem um tipo limitado, é pequeno, afeminado, com imensos olhos claros. Mas cabe perfeitamente aqui no personagem central, o jovem judeu Jonathan que recebe a missão familiar de ir até a Ucrânia atual procurar uma determinada mulher que vive num lugar e região distantes. Ele faz pouco, apenas reage, quase não tem diálogos. Mas é o contraponto ideal para a exuberância do elenco ucraniano. Acontece que logo ao chegar ele tenta se movimentar com a ajuda de um tradutor atrapalhado e incompetente e um motorista mal humorado.

Ou seja, novamente é a formula do “peixe fora d´água”, um estrangeiro se dando mal em terra alheia, esbarrando em novos costumes, barreiras de linguagem e segredos que ninguém quer revelar. Acontece que na região existia um escondido preconceito contra os judeus que explodiu de vez durante a Segunda Guerra Mundial, num grande massacre que todos preferem esquecer (a não ser justamente a mulher que o rapaz procura, cuja identidade e coragem aos poucos vai se revelando).

A história até que poderia ser banal não fosse a qualidade da direção e realização, que sempre faz um apontamento curioso, um alivio cômico na hora séria, conta a situação sempre com perspicácia e interesse.

Sem esquecer que ver a Ucrânia atual também é um bônus curioso e divertido. Ou seja, tem um lado turístico, outro poético, outro de denúncia de variante dos absurdos do holocausto, sempre humano, sempre divertido. Experimente.

Por Rubens Ewald Filho

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