RESENHA CRÍTICA: Detroit em Rebelião (Detroit)

O filme não tem o impacto e o choque que o assunto merecia

10/10/2017 13:51 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Detroit em Rebelião (Detroit)

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Detroit em Rebelião (Detroit)

EUA, 2017. 2h23 min. Direção de Kathryn Bigelow. Roteiro de Mark Boal (que fez também Guerra ao Terror, A Hora Mais Escura, No Vale das Sombras). Elenco: John Boyega, Anthony Mackie, Algee Smith, Will Poulter, Algee Smith, Jacob Latimore, Jack Reynor, John Krasinksi.

Os mais ingênuos como nós que ainda acreditamos em prêmios Oscar como justiça absoluta esperavam melhor resultado deste novo trabalho da diretora Kathryn Bigelow, que é a única mulher a ganhar o prêmio (ninguém esqueça que ela foi influenciada muito pelo ex marido James Cameron!). O Oscar foi por Guerra ao Terror (The Hurter Locker, 08) um superestimado e confuso drama de guerra no Iraque, que foi seguido por outro ainda menos eficiente, outro drama do mesmo tema, A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 12), mas que mesmo assim teve quatro indicações ao Oscar inclusive melhor filme e só levou edição de som. Mas era um equívoco. Que ela repete novamente neste filme que foi tremendo fracasso de bilheteria nos EUA. Seus melhores trabalhos são anteriores, como o filme de vampiro Quando Chega a Escuridão (87), o policial Jogo Perverso (89) com Jamie Lee Curtis, a aventura cult e clássica chamado Caçadores de Emoções (Point Break, 91 com Keanu Reeves) e ainda o curioso Estranhos Prazeres (Strange Days, 95) com Ralph Fiennes. Ou seja, tem talento e o aproveita enquanto o marido ajudava, mas se perdeu quando caiu na cilada do sucesso.

Este filme baseado em fatos reais nunca chega a envolver ou emocionar, apesar de ser uma história grave e importante. Em 1967, nas ruas de Detroit, estouram ataques da polícia que invadiram boates e night clubs sem explicação ou justificativa porque um grupo deles resolveram atacar porque ouviram boatos de violência, de que ouviram falar. E não queriam justiça, mas atirar e matar como sempre saindo ilesos e inocentados. Esse ataque resultou num dos maiores conflitos por raça na história do EUA. Tudo é centrado em volta de um motel chamado Algiers, em 25 de julho de 67 na rua 12th. Envolveu a morte de três negros, o espancamento de nove outros e duas mulheres. No entanto o filme não tem o impacto e o choque que o assunto merecia.

Acho que a culpa é mesmo da diretora que tem a uma técnica que acha fundamental e no fundo é um erro. Ela utiliza, desde Guerra ao Terror, rodando com três ou quatro câmeras ao mesmo tempo, fazendo com que elas mantenham os atores em constante movimento. Também prefere iluminar todo o set de filmagem para deixar os atores a vontade. Ela não faz marcação de planos ou tomadas, planejando closes ou planos abertos, ela filma tudo o que acontece duas a três vezes. E pronto, entenda quem quiser, emocione-se quem for capaz.

O filme foi rodado em Hamtranck, Michigan, perto de Detroit, mas a base foi em Brockton, Massacchusetts e Dorchester. O fato, porém, é que não faz diferença dada a dificuldade de diferenciar os atores, os conflitos. Enfim é muito simples, um tema importante mal narrado e muito mal divulgado (custou 34 milhões de dólares e não passou de 16 milhões de bilheteria). No Brasil, estava programado para 7 de setembro, mas foi adiado (até por causa do preconceito contra o filme sobre negros que ainda impera no Brasil). 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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