RESENHA CRÍTICA: Alita, Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)

É um blockbuster que merece seu adjetivo mesmo que sem chegar a ser um mega espetáculo. Ou seja, mais por conta de Rodriguez do que Cameron

17/02/2019 22:35 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Alita, Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)

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Alita, Anjo de Combate (Alita: Battle Angel)

EUA, 2019. 2h2min. Direção de Robert Rodriguez. Roteiro de James Cameron, Laeta Kalogridis, Robert Rodriguez e Yukito Rodriguez. Com Rosa Salazar, Christophe Waltz, Jennifer Connelly, Mahershala Ali, Jackie Earle Haley, Ed Skrein, Keean Johnson, Jeff Fahey, Casper Van Dien, Edward Norton (não creditado).

Talvez eu tenha sido inspirado pelo fato de que este filme em 3D/Imax é a primeira produção do célebre e famoso diretor de blockbusters James Cameron que aparentemente sumiu desde Avatar (09) apenas aproveitando para ações menores (um telefilme chamado Toruk, the First Flight, 16), um atrasado The Last Train from Hiroshima, The Survivors Look Back, os Avatares previstos de 2020 a 25), um outro chamado The Informationist. Mas embora tenha assinado este filme como e planeja a série de TV True Lies, ele gentilmente passou o projeto para outro diretor que andava afastado, o latino mexicano Robert Rodriguez que nos últimos anos limitou-se a fazer um curta chamado The Limit, 18 e a série de TV Drink no Inferno (ou seja, 7 episódios, 14-16). E só agora anuncia um novo Machete, Deus nos Livre. Cameron assina então este blockbuster de cerca de 200 milhões de dólares que tem um elenco curioso (a sempre admirável Jennifer Connelly, o premiado duas vezes como Oscar, Christophe Waltz, desta vez muito discreto!), o hoje já oscarizado Mahershala Ali. Mais alguns veteranos e um pontinha rapada no final do sumido Edward Norton!

Na verdade, a figura mais interessante e estrelar é uma atriz latina/americana chamada Rosa Salazar (o nome já diz muito), que esteve em Maze Runner, Divergete, Prova de Fogo, um tal de Loucuras no México, Submerged, Chips o Filme, A Professora do Jardim da Infância, Caixa de Pássaros. Ou seja, não apenas nada de importante, mas ela se sobressai no filme porque lhe fizeram um trabalho notável de efeito especial ampliando seus olhos que ficaram enormes além de um corpo esquisito (na verdade, os dois efeitos são a razão de ser do filme e da moça, quando você ver ela banalizada vai ficar bem chocado!). O resumo do IMDB dá início meio exagerado dizendo o seguinte: Alita é criação de uma idade de Desespero. Ela é encontrada pelo misterioso Dr. Ido que estava procurando pedaços de Cyborgs. Ele faz uma operação elaborada, mas rápida que a torna uma figura letal e perigosa embora tivesse antes boas intenções. Não consegue se lembrar de quem é ou de onde veio. Mas parece que ela seria a única figura que seria capaz de quebrar o ciclo de morte e destruição deixada atrás por Tiphares. Terá que lutar e matar, quase como um anjo do céu e da more (atenção, esta literatice no IMDB não faz jus ao filme que é mais literal). Alita vai se envolvendo com um jovem de rua que vira um namorado (feito pelo jovem Keean Johnson, cuja carreira veio da TV), também a mãe dela misteriosa reaparece (Jennifer) que está envolvida com o bandidão (que é o Mahersala, menos marcante que em outros papeis). Basicamente ela vai descobrindo que tem enorme talento para lutas e perseguição em Iron City, cheia de robôs complicados e sofisticados. Principalmente em lutas fatais que na verdade são inspiradas num famoso Manga de Yukito Kishiro pelo qual Cameron se interessou já há mais de 15 anos atrás. Obviamente os efeitos de corridas e explosões e mortes vão se tornando se não originais e raras, muito bem conduzidas, com efeitos espetaculares (já que o filme teve um orçamento 200 milhões de dólares). Sem esquecer também lutas frequentes (o bandido Zapan vivido pelo aterrorizante Ed Skrein). Nem é preciso dizer que tem muita ação, direção de arte elaborada e armas de fogo hiper calibradas. Ou seja, é um blockbuster que merece seu adjetivo mesmo que sem chegar a ser um mega espetáculo. Ou seja, mais por conta de Rodriguez do que Cameron. Na verdade, assisti ao filme num Imax quase vazio e passivo. Isso sim assusta...

 

 

Alita - Anjo de Combate

Por Adilson de Carvalho Santos

A nova heroína de Hollywood não é da DC nem da Marvel e já chega causando sensação seja pela impressionante técnica empregada por seus realizadores ou pela mistura de inocência e bravura de sua protagonista, uma cyborg desmemoriada que pode guardar a chave para nos salvar de um futuro distópico. A união dos talentos de James Cameron (Titanic, Avatar) e Robert Rodriguez (Sin City, Pequenos Espiões) nos traz “Alita – Anjo de Combate” (Alita: Battle Angel) baseado no mangá “Gunnm” de Yukito Kishiro. Foi Guilhermo del Toro quem recomendou a obra para Cameron, que estava ocupado com o projeto que se tornaria “ Avatar”. A princípio o próprio Cameron dirigiria o filme, mas estando ocupado com as sequências do mundo de Pandora não havia espaço livre em sua agenda. Rodriguez enxugou o roteiro, co-escrito pelo próprio Mr. Avatar, ficando com cerca de 125 páginas, assumindo a cadeira de diretor, auxiliado é claro pela supervisão de Cameron que deixou várias anotações.

 O resultado é uma mistura de ficção científica e ação, seguindo a estética cyberpunk com humor e até romance. O mangá de Kishiro foi originalmente lançado entre 1990 e 1995, e só chegou ao Brasil em 2002 rebatizado “Alita Battle Angel Gunnm”, mas problemas com o licenciamento interromperam sua continuação pela editora Opera Graphica. No ano seguinte a JBC republicou na íntegra o material, dividido em 9 volumes, rebatizando de “Gunnm – Hyper Future Vision”. Uma vez que os mangás se tornaram parte da cultura pop mundial, era questão de tempo para que Alita, ou Gunnm , tivesse uma adaptação para o cinema tal qual obras como “Ghost in The Shell”, “Akira” e “Fullmetal Alchemist”, que foram vertidos em animes ou versões live-action, com resultados variados. Não somente na narrativa como também no visual, os mangás carregam uma aura facilmente identificada com a linguagem cinematográfica. Conforme o próprio autor de livros e hqs Scott McCloud observou “os mangás são mestres em combinar os personagens com os ambientes produzindo um efeito bastante realista, destacando a expressividade dos rostos.” Por isso, os personagens sempre são desenhados com olhos grandes, o que Cameron pediu que fosse feito com o rosto da atriz Rosa Salazar, depois que seus traços fossem capturados digitalmente. A Alita do filme é propositalmente um personagem de mangá em 3D, contracenando com os demais personagens em live action, o que inclui atores conhecidos como Jennifer Connelly (Uma Mente Brilhante), Michelle Rodriguez (Velozes & Furiosos) e Christophe Waltz (Django Livre, Bastardos Inglorios). O personagem de Waltz é o Dr. Dyson Ido, que no mangá original se chama Daisuki Ido. Ele é o cientista especializado em órgãos artificiais e robótica que encontra o corpo de Alita destruído e o recompõe, adotando-a como sua filha adotiva.

 A personagem Alita é descrita como um robô com cérebro humano, máquina com consciência e valores morais. Em sua jornada ela mantem a inocência em seu coração, mas a bravura para usar sua força e habilidades com violência se necessário na sua luta por justiça. Tais sentimentos contrastam com a frieza do vilão Vector (personagem do ator oscarizado Mahershala Ali) ardiloso na disputa de Motorball, um esporte futurista brutal e desprovido de piedade. No mangá a passagem pelo Motorball, extraída dos livros 3 e 4, é essencial para o desenvolvimento de Alita em sua luta. A história ainda abre espaço para um retrato dicotômico da sociedade: Zalem é a cidade suspensa nas nuvens, que possui toda a tecnologia e recursos financeiros, enquanto a Cidade da Sucata (Iron City) na superfície é um imenso ferro velho, desolado e entregue aos desafortunados. O paralelo com a realidade foi propositalmente pensado e, o próprio James Cameron disse em recente entrevista que se inspirou em favelas brasileiras para o visual da Cidade da Sucata.

 Tanto James Cameron quanto Robert Rodriguez se esforçaram para conceber o filme como um produto híbrido, parte live-action, parte animação digital, fazendo uso convincente da tecnologia de captura de movimento que transforma Rosa Salazar em uma personagem empoderada, bem ao gosto das plateias, traçando a clássica jornada do herói, mas sem grandes surpresas, mas deixando claras pistas de possíveis sequências, até porque o filme só explora a os 4 primeiros livros da obra de Kishiro. Em 2001, o autor decidiu continuar a história e lançou “Gunnm: Last Order” em 19 volumes ignorando alguns dos principais eventos do encerramento da série original. A sequência está nos planos de publicação para esse ano, anunciada em versão reduzida de 12 volumes, tal qual sua reedição posterior. A criação de Kishiro ainda gerou uma animação lançada diretamente em vídeo em junho de 1993 com dois episódios.

 Embora seja possível encontrar referências a filmes como “Mad Max” e “Blade Runner”, a virtude do mangá de Kishiro é ainda mais complexa que a do filme pois faz de sua protagonista um modelo de humanidade que não aceita se extinguir à sombra da máquina. Talvez por isso tenha se projetado com tanto sucesso na Europa e na América, como um lembrete de que a tecnologia deve servir ao homem e não ser servida por ele. A discussão não é nova e nos acompanha a medida que evoluímos, mesmo que muitos nem se lembrem do romance “Cyborg” de Martin Caidin, de 1972, ou de sua adaptação para Tv “O Homem de Seis Milhões de Dólares”. Tanto Caidin quanto Kishiro são defensores de que são os sentimentos que nos diferem da máquina e esse combate travamos o tempo todo.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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