RESENHA CRÍTICA: O Primeiro Homem (First Man)

Será que simplesmente a juventude hoje misturada com os veteranos de antigamente já não se cansaram de fatos tão apresentados antes?

24/10/2018 16:41 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Primeiro Homem (First Man)

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O Primeiro Homem (First Man)

EUA, 2018. 2h21. Direção de Damien Chazelle. Roteiro de Josh Singer baseado em livro de James R. Hansen. Com Ryan Gosling, Claire Foy, Jason Clarke, Pablo Schreider, Ethan Embry, Ciaran Hinds, Christopher Abbott, Corey Stoll, Kyle Chandler, Lukas Haas, Patrick Fugit.

Rodado em Atlanta, Georgia, tendo Steven Spielberg como um dos co-produtores este foi um dos filmes mais promovidos pelos críticos e imprensa como um dos indicados certos ao próximo Oscar, em parte por ser uma história de propaganda dos próprios americanos e principalmente por ser o novo trabalho do diretor da moda, o mesmo de La La Land, Damien Chazelle, que resolveu fazer uma adaptação de um fato histórico real: que eles mesmos se encarregaram de chamar de “lenda viva” que seria “uma biopic” (filme biografia) de um lendário astronauta norte-americano Neil Armstrong, e seu trabalho entre 1961-69, na sua luta para se tornar o primeiro humano a andar na lua. E usando texto do próprio produto, “explorando os sacrifícios e custos para a Nação e o próprio Neil, numa das mais perigosas missões na história das viagens espaciais”. Curiosamente era Clint Eastwood quem iria dirigir o projeto que é o primeiro feito em Imax pela Universal.

Discutível também a escolha da dupla central, que são Ryan Gosling (de La La Land) e como sua esposa, a atriz britânica da moda que é Claire Foy (a intérprete da Rainha Elizabeth, em dois capítulos da Netflix). Cercados por uma lista enorme de coadjuvantes famosos. O curioso porém foi o fato de que este filme se tornou logo na estreia uma grande decepção de bilheteria para decepção da imprensa norte-americana que estava criando uma grande promoção do filme. No último sábado houve uma sessão fechada da Academia onde houve um esforço para lotar o salão e garantir os aplausos (mas nada de gente aplaudindo de pé!). Isso continua assustando os produtores que esperavam mais. Causou também polêmica o fato de que o diretor cortou a imagem mais famosa do filme, e de fato histórica, que seria Neil implantando a bandeira americana na Lua! (fala-se que seria para calar os boatos antigos de que os norte-americanos tivessem fabricado essa viagem em terra e inventando uma lenda!). Esta cena já havia sido cortada quando houve a premiére do filme abrindo o Festival de Veneza (que este ano arrasou com Cannes, com uma seleção mais esperta). Gosling tentou defender a ideia, mas não convenceu afirmando que “Neil era muito humilde e preferiu tira o foco dele e ampliar para todos as 400 mil pessoas que tornaram a missão possível! Ele não se achava um herói Americano. Mas o oposto. E nós queríamos que o filme refletisse Neil”, concluiu. Mas no filme ficou também sua frase mais celebre: “Este é um pequeno passo para o homem, um pulo gigante para a humanidade!"

 Sem dúvida, porém, é um filme bem cuidado. A maior parte das vozes que se ouve no filme são gravações autênticas e Neil diz frases clássicas como “Houston, base da tranquilidade, a águia aterrisou!”. Damien confirma que tinha escolhido Gosling mesmo antes de La La Land embora pessoalmente acho que ele tem um tipo gaiato e satírico bem longe de heróico. Embora o filme releve algumas falhas e erros de Armstrong, como uma queda no deserto com Armstrong e Yeager. E outras falhas reais, coma Terra e a Lua estão sempre no mesmo ângulo do sol, não há nuvens nas altas altitudes, a natureza de acelerar e brecar em órbita, o oxigênio causa implosão e não explosão, não há som no ambiente no vácuo do espaço, não há luz que incomoda escondida nos capacetes dos astronautas.

Será que simplesmente a juventude hoje misturada com os veteranos de antigamente já não se cansaram de fatos tão apresentados antes? O fato é que no primeiro fim de semana não rendeu mais do que 16 milhões e quinhentos mil, para o espanto geral. Será que na nossa terra em época de Votação e Eleição irá se dar melhor?

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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