RESENHA CRÍTICA: Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp)

Evidente que não é para levar a sério. É aventura, comédia, diversão. E pronto!

04/07/2018 23:47 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp)

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Homem-Formiga e a Vespa (Ant-Man and the Wasp)

EUA, 18. 1h58 min. Roteiro de Chris McKenna, Eric Sommers e mais Paul Rudd, Andrew Barrer,Gabriel Ferrari. Direção de Peyton Reed. Com Paul Rudd, Evangine Lilly, Michael Peña, Michael Douglas, Michelle Pfeiffer, Walton Goggins, Judy Greer, Bobby Cannavale, T.I (ou Tip Harris), Hannah John Kanen (como Ava), David Dastmalchian, Laurence Fishburne, Randall Park, Stan Lee.

O anterior e primeiro Homem-Formiga me causou algumas impressões discutíveis e nem sabia na época que o filme viria a ser a penúltima bilheteria da Marvel (não passando dos 180 milhões de bilheteria nos EUA). Comentava eu : “Este é sem dúvida o mais modesto filme da Marvel, que leva uma hora apresentando personagens, não tem ao contrário dos outros um ator de muita personalidade que domine os eventos e na primeira parte faz lembrar vários seriados de TV que usam formulas semelhantes. Talvez pela ausência de uma figura estelar (Paul Rudd é razoavelmente simpático mas passivo, baixinho, na vida real gordinho - no segundo filme deve ter refeito a terrível dieta que o deixou mesmo enfraquecido e abatido), não tem nada de atlético e nenhuma semelhança ou identidade com as formigas que aparecem como as suas companheiras sempre sem grandes lances. Parte do problema do primeiro filme certamente deveu-se ao fato de que o diretor britânico Edgar Wright (Scott Pilgrim, as comédias Chumbo Grosso, Heróis de Ressaca, Todo Mundo Quase Morto) foi despedido e substituído pelo mais suave e gentil Peyton Reed”. Como é basicamente uma comédia /aventura fizeram bem em chamar de novo o Reed, que já tinha feito Sim Senhor com Jim Carrey (2008), Separados pelo Casamento (2006), muitos telefilmes e um outro filme, meu favorito, a sátira às comedias românticas chamada Abaixo o Amor (Down with Love, 2003), com Ewan McGregor e Renee Zellwegger. Ainda assim este segundo filme resulta excessivamente longo e pouco mais do que divertidinho... Mas não chega a fazer mal a ninguém..

Grande parte do elenco anterior está presente, agora como estrela temos a muito charmosa e um pouco difícil de reconhecer Evangeline Lily (de The Hobbit, mas também Lost), Judy Greer (coadjuvante por excelência) um dos meus favoritos, Bobby Cannavale e confirma as chances para um já veterano ator mexicano Michael Peña que finalmente confirmou seu inesperado talento para comédia e quase rouba o filme. Felizmente além de muita ação pelas ruas de San Francisco e mais outros lugares temos mais gente boa ainda. Desde a aparição tradicional de Stan Lee (que desta vez até fala!) enquanto as duas ceninhas finais não são especialmente felizes. Mas o sempre competente Lawrence Fishburne volta a ser um cientista duvidoso e junto dele uma nova atriz de olhos marcantes e nome estranho (Hannah John Kanen, como Ava), meio vilã, uma inglesa que como tantos esteve em Game of Thrones, também em Jogador Número Um. Foi Sophie no último Tomb Raider (argh). Esteve em dois episódios de Black Mirror e até ponta em Star Wars O Despertar da Força. E mais uma grande escolha: quem foi finalmente descoberta pela Marvel é a adorável ainda que madura Michelle Pfeiffer de eterna beleza e elegância (está como a Rainha Ingrith em Malévola 2) e que volta como Janet Van Dyne, o mesmo personagem daqui no próximo Avenger Movie sem título). Seu papel começa inesperado, mas passar a ser fundamental na parte final, ao lado de Michael Douglas (reparem como ele toma um banho de efeitos especiais que o fazem retornar na juventude no começo do filme!).

Não tenho mais vontade de ficar louvando as possíveis qualidades de Paul Rudd como o herói (um momento de nostalgia, eu o vi na off-Broadway há algum tempo e fiquei chocado como constatei como ele era baixinho e gordinho! Nada carismático). Agora que virou também co-roteirista do filme me parece difícil que algo mude. Afinal é bem ingrato para qualquer protagonista ficar um filme inteiro preso dentro de uma casa porque está sendo castigado pela polícia. Opa, na verdade, confesso que estava me esquecendo da presença dele noutro filme da Marvel, que foi o Capitão America Guerra Civil. E agora faço enorme esforço para restaurá-lo na minha lembrança. Enfim, devo estar com antipatia pelo ator (nascido em 1969!), que é realmente esforçadinho e sem grandes pretensões. Nesta aventura, Scott Lang esta fechado em casa, com a ocasional presença da filha pequena quando Hope van Dyne e o Dr. Hank Pym pedem sua ajuda numa missão urgente que o faz reunir justamente com a Vespa procurando desvendar segredos do passado. Enfim, está evidente que não é para levar a sério. É aventura, comédia, diversão. E pronto!

 

 

Homem Formiga & Vespa
Por Adilson de Carvalho Santos

O projeto de um filme do “Homem Formiga” já existia desde 2003, bem antes da formação do assim chamado Universo Cinemático Marvel, quando o diretor e roteirista Edgar Wright desenvolveu a história como um filme de aventura com tons de comédia. Foram necessários mais de dez anos para uma das criações menos badaladas da Marvel se tornasse um triunfo do seu gênero.

Cinco anos depois de Richard Matheson publicar seu romance “The Shrinking Man” (adaptado para o cinema no ano seguinte) sobre um homem que involuntariamente encolhe até dimensões subatômicas, a editora Dc Comics publicou o herói “The Atom” que usa tais habilidades para combater o crime. No inicio da assim batizada “Era de Prata dos quadrinhos” (1956-1970), Stan Lee juntamente com seu irmão Larry Lieber e seu parceiro, o desenhista Jack Kirby publicaram na revista de antologias “Tales to Astonish” #27 a história do cientista Henry Pym que cria um soro capaz de reduzir seu tamanho. Eram apenas sete páginas da história intitulada “The Man in the Ant Hill”, mas esta flertava com a ficção científica e não com uma típica história de super herói. O sucesso inesperado fez Lee retomar o personagem oito meses depois (Tales to Astonish #35) transformando-o em improvável campeão da justiça. Sem que houvesse detalhamento científico em como as chamadas Partículas Pym conseguiam comprimir tanto o espaço atômico ao ponto de permitir o deslocamento de sua massa e ainda manter sua força física, o personagem se juntou à galeria de maravilhas que capturou a imaginação das crianças e jovens sessentistas. Capaz ainda de se comunicar e controlar as formigas com seu capacete cibernético, o Dr.Pym se juntou a Thor, Hulk, Homem de Ferro e, juntos fundaram a equipe dos Vingadores em 1963 (The Avengers #1), assim batizados pela Vespa, a única heroína do grupo e namorada do Dr.Pym. A Vespa fez sua primeira aparição em “Tales to Astonish” #44 a princípio a socialite Janet Van Dyne, que compartilha os poderes das partículas Pym, mas que evolui com o passar do tempo vindo a se tornar uma das mais queridas heroínas da Marvel, até mesmo liderando os Vingadores por um período. No novo filme a heroína vem a ser interpretada por Michelle Pfeiffer.

Os anos de história que se seguiram, no entanto, judiaram bastante do personagem que sentindo-se inferiorizado perante o poder dos outros membros da equipe, ganha estatura descomunal como o “Gigante” (Tales to Astonish #49 / Novembro 1963), e “Golias” (Avengers #28 / Maio 1966), mudanças de identidade que seriam explicadas mais tarde como uma esquizofrenia gerada como efeito colateral da absorção da mesma formula que lhe concedia os poderes, ora de encolhimento ora de aumento de tamanho. O personagem ainda mudaria para Jaqueta Amarela (The Avengers #59 / Dezembro 1968) anos mais tarde, e seria o responsável pela criação do vilão Ultron (nos filmes atribuída a Tony Stark) personificando o clichê do cientista genial ora do bem ora do mal.

Recuperado de seus atos, o Dr.Pym deu sua benção para que o ladrão Scott Lang o substituísse como Homem Formiga a partir de Março e Abril de 1979 quando David Micheline e John Byrne criaram o personagem que cairia no gosto popular. Outro personagem que compartilharia o poder da formula Pym foi o Dr. Bill Foster criado por Stan Lee e Don Heck (The Avengers #32 / Setembro 1966) que, depois de ajudar Pym, vem a se tornar o segundo Gigante, e mais tarde o “Golias Negro”. Foster chega às telas no novo filme vivido por Lawrence Fishburne.

Todos esses personagens surgem nas telas desde o lançamento de “Homem Formiga” (2015), que acabou dirigido por Peyton Reed (Sim Senhor), depois que diferenças criativas afastaram Edgar Wright. O filme teve mudanças no tom pretendido inicialmente por Wright, que manteve crédito como co-autor do roteiro, que ainda teve contribuições de Joe Cornish, Adam McKay e do próprio Paul Rudd, intérprete do herói. Uma das discordâncias que levaram a saída de Edgar Wright era que este pretendia fazer um filme isolado, sem conexão com os demais do Estúdio Marvel. Além disso, a participação da Vespa seria praticamente nenhuma, e a jovem Hope (Evangeline Lily), filha do Dr.Pym (Michael Douglas) tinha passagem menor na trama. Um dos grandes feitos da mudança para a direção de Peyton Reed foi fazer do filme uma eficiente trama de assalto, valorizando a jornada de Lang como bandido regenerado que também luta para ser um pai melhor. Nos quadrinhos, Hank Pym descobriu depois de muito tempo que tinha uma filha chamada Nadia Van Dyne, de seu primeiro casamento, antes de conhecer a Janet. Curiosamente tanto Nadia quanto Hope significam “Esperança”, respectivamente em inglês e russo !!

O orçamento estimado em US$130 milhões tornou-se uma bilheteria mundial de mais de US$500 milhões coroando o fim da Fase Dois da Marvel. Peyton Reed assegurou assim seu retorno na sequência “Homem Formiga & Vespa”, mas ficou desapontado quando Scott vira o Gigante em sua segunda aparição nas telas em “Capitão América: Guerra Civil” (2016) já que o diretor queria que a estreia desse poder ficasse para o segundo filme solo do herói. O curioso é que o vilão escolhido para o novo filme, a “Fantasma” (Hannah John-Kamen), nos quadrinhos era inimigo do Homem de Ferro (Iron Man #219 / Junho 1987). Já o Agente secreto Jimmy Woo (Randall Park) apareceu pela primeira vez nos quadrinhos em “Yellow Claw” #1 (1956) pela Editora Atlas, antecessora da Marvel.

Com altos e baixos em sua vida, o herói Hank Pym, vivido por Michael Douglas, é um dos primeiros criados pela clássica colaboração Stan Lee-Jack Kirby, tendo este último celebrado ano passado seu centenário, um gênio não tão badalado quanto Stan Lee. Provando que a soma das partes é maior que seus componentes, suas criações continuam a encantar gerações e parece longe de parar pois seja o incrível homem ou a mulher, eles encolheram mas a diversão é gigante!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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