RESENHA CRÍTICA: Han Solo: Uma história de Star Wars

Está longe de ser ruim, apesar dos pesares só ficou devendo. Afinal, desde 1977 que a gente conspira e vibra pela série. Aceitar um escorregão é o de menos

15/02/2018 10:15 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Han Solo: Uma história de Star Wars

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Han Solo: Uma História de Star Wars

Fui assistir de novo Deadpool 2 na certeza que o filme é tão rápido e esperto que iria perder alguma coisa o vendo uma única vez. Dito e feito, deu para aproveitar melhor personagens que me impressionaram como Domino (a divertida e charmosa Zazie Beets, que já se tornou minha favorita e a surpreendente e rápida aparição de Brad Pitt na figura do lendário e ainda mais divertido pela ausência, do Vanisher). Estas são algumas das razões porque prefiro este capitulo 2 de Deadpool, dada a variedade e dificuldade de novos tipos e situações (e a ousadia do uso de palavrões e violência, ambas situações que o cinema norte-americano foi perdendo já que vivemos num mundo atual excessivamente moralista).

Por outro lado, este Deadpool tem duas citações que me surpreenderam porque sempre pensei que os fatos mencionados eram verdadeiros, mas nunca comentados em parte alguma. Mas nem por isso menos discutíveis. Um deles é quando comentam que a música interpretada ou rezada por Barbra Streisand em Yentl foi depois copiada descaradamente noutro filme. (vejam no Deadpool 2 que irão confirmar). A outra é ainda mais polêmica. Desde que vi faz anos e décadas atrás o segundo filme de Star Wars, achei totalmente estranho que a princesa Leia depois de se enroscar com Luke Skywalker, virou-se inteiramente para Han Solo, vivido por Harrison Ford. Talvez porque Luke, melhor dizendo o ator que o interpretou Mark Hammill tenha sofrido grave acidente – que até modificou seu rosto! E o que antes parecia romântico de repente ficou meio incestuoso e ninguém ate agora havia tocado abertamente no assunto! Nem eu.

Tudo isso tem a ver com maiores detalhes desta Saga tão badalada (oh gíria mais antiga). Mas que tem manias esquisitas, por exemplo, eu continuo a achar que as duas mocinhas, a Daisy Ridley (Ray em O Último Jedi) e Felicity Jones (de Rogue, o meu favorito) excessivamente parecidas. Acredito que todos até já se esqueceram delas! Como eu sempre gostei da série confesso que fico meio constrangido em assumir impressões minhas com este filme atual: 1) por que ele eliminou praticamente toda e qualquer momento de humor e assim deixou o resultado banal e menos interessante do que os outros? Até porque ficar judiando do Chewbacca faz tempo que não é divertido; 2) por que escolheram como protagonista ou seja, como o sucessor de Harrison Ford, o baixinho, irônico e antipático Alden, que vive fazendo caretas e sorrisos e por sinal tem nome impronunciável! 3) quem rouba o filme é mesmo a inglesa Emilia Clarke, que toda a gente apreciou na serie Game of Thrones (como Daenerys) com sua frequente nudez, mas que também se deu bem no romântico Como eu Era Antes de Você! Ainda assim mesmo sendo ela a heroína, na história aqui ela tem que se prostituir para sobreviver, o que não deixa de ser discutível para uma protagonista romântica! 4) como nem tudo deu errado, o filme acertou na escolha de Donald Glover, que faz Lando Calrissian, que logo junto com a estréia estourou num polemico e talentoso vídeo musical. Além de anunciarem também que seu personagem seria bi sexual, o que também só aumentou o seu charme e a certeza de que vai longe!

Será que reclamo do filme porque sinto falto do mal humor e virilidade de Mr. Ford? Porque ele nunca foi muito versátil, mas sustentou o gênero das mais diversas formas e sempre com a mesma cara. E como esquecer seu sorriso cínico no lábio torto!? Se Mark Hammil virou uma figura messiânica, acho que o verdadeiro Han continua a fazer falta. Não o deviam ter matado no filme anterior. Nada contra terem encontrado respostas para questões como disseram os críticos americanos que ninguém se deu ao trabalho de perguntar, tais como Han ficou com o nome Solo, quando ele encontrou Chewbacca, como ele jogou o Sabacc e tomou posse do Millennium Falcon e como lidou com o Kessel? Ainda assim é exagerada a comparação que fizeram de Han com o American Graffitti, o primeiro grande êxito de George Lucas e Ford, em 73, que era todo em cima de carros e corridas! Faço restrições também ao uso do elenco, em excesso, Woody Harrelson como Beckett, de repente virou ator da moda embora faça tudo igual! É uma pena se livrarem tão rápida da charmosa Thandie Newton (Val). E fiquei com a impressão que posso estar errado de que as perseguições de naves especiais e os momentos de ação ficaram cada vez mais banais e repetitivos. E mesmo o vilão central da aventura deixa a desejar (o Dryden Vos, um medíocre Paul Bettany).

Isso tudo quer dizer que este filme novo é ruim? Para quem como nós que sobrevivemos à segunda trilogia (ou primeira como nos fizeram engolir!), estas aventuras esparsas e anuais tem sido divertidas e complementares. Esta, mais recente, está longe de ser ruim, apesar dos pesares só ficou devendo. Afinal, desde 1977 que a gente conspira e vibra pela série. Aceitar um escorregão é o de menos.

 

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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