Crítica sobre o filme "Habana Blues":

Rubens Ewald Filho
Habana Blues Por Rubens Ewald Filho
| Data: 30/06/2006

Depois do sucesso inesperado de Buena Vista Social Club (1999) de Wim Wenders, houve outros documentários sobre música em Cuba mas este é o primeiro filme de ficção sobre o tema (ao menos que eu conheça). Na verdade, feito por um diretor espanhol que cursou a famosa escola de cinema de Cuba (onde viveu de 1992 a 2004). Obviamente ele gosta do lugar e mostra com simpatia o povo e os músicos, sem porém, fazer qualquer discurso político óbvio. Apenas mostra tudo e para bom observador é suficiente. Nunca fui grande admirador de Cuba (nunca visitei o lugar, a única vez que fui convidado a Globo não deixou eu ir. Depois, Fidel Castro se caracterizou como um ditador - até sanguinário - e preferi evitar o lugar). Mas todo mundo diz que eles se parecem muito com o brasileiro, tanto na comida, quanto na música e no modo de viver. Mas a ditadura decadente e patética está por trás de tudo ao contar a história de um grupo de músicos que tentam fazer sucesso, quando um grupo de produtores musicais europeus vem procurar novos talentos, certamente já por causa de “Buena Vistaâ€.

Os personagens centrais são dois amigos, Ruy e Tito, guitarrista e saxofonistas de uma banda levemente contestadora. O sonho deles, e parece que todo mundo, é sair do país no caso e ir para a Espanha fazer sucesso. O mais complicado é Ruy que é um mulatão bonito, que tem uma mulher (de quem está meio junto, meio separado) e com dois filhos pequenos (o mais curioso é que ela tem mãe em Miami, que lhe manda dinheiro e está produzindo uma fuga de barco com as crianças). Ruy por sua vez não tem problemas em ter um caso com a espanhola que produz o disco.

Basicamente é uma comédia de costumes, mostrando a vida (feliz apesar de tudo) dessas pessoas que moram em cortiços, ignoram a política e tentam fazer música. A conclusão é um pouco discutível, mas parece que o diretor quer dar uma mensagem de esperança para o país. Enfim, a música é agradável, se não especialmente memorável. O elenco é competente, a história contada normalmente.

Curioso mesmo é dar essa olhadela no viés de uma sociedade mitificada que ninguém ousa chamar pelo nome certo. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 20 de novembro de 2005)