Um filme que acaba agradando. Isto já seria um ponto positivo, principalmente para os que torcem o nariz para produções nacionais. O filme é bem simpático, em que pese o fato da estória já ter sido bem explorada no cinema, a de troca de corpos. Especialmente parecido com “Um Espírito Baixou em Mim”, dos anos 80 (algumas piadas parecem ter sido até extraídas da idéia deste filme, como a cena do banheiro de Tony Ramos), acaba sendo uma grata surpresa.
O relativo sucesso nos cinemas se deva mais ao fato da dupla principal estar realizando na mesma época uma novela na TV, “Belíssima”, o que favoreceu a sua divulgação. Mas repito que o filme surpreende, prende a atenção, até por que Tony Ramos, mais solto, revela seu lado de comediante que, normalmente é tolhido nas telinhas de TV. Ele rouba todas as cenas, principalmente as da fraca Glória Pires, um produto televisivo claramente limitado na telona. A trilha sonora é bem legal, principalmente por ser até um elemento surpresa e de comédia, como numa cena com Patrícia Pillar e um dos grandes sucessos de “As Frenéticas”, até a cena final do coral.
O Diretor Daniel Filho acabou escolhendo um lado mais fácil para fazer sucesso nos cinemas, se aproveitando da sua experiência em TV. Este aqui é bem superior aos fracos “A Partilha” e “A Dona da História”. Talvez por ser até ser mais popularesco, o que não chega a ser um defeito. Dá para assistir sem traumas, e, principalmente, sem preconceitos.