Crítica sobre o filme "A Epidemia":

Jorge Saldanha
A Epidemia Por Jorge Saldanha
| Data: 27/08/2011
A EPIDEMIA (THE CRAZIES, 2010) é a refilmagem do longa homônimo que o diretor George A. Romero lançou em 1973, conhecido aqui no Brasil como O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO e que é provavelmente o melhor filme “sem zumbis” do veterano mestre do horror. Esta nova versão, dirigida por Breck Eisner (SAHARA, 2005) e que tem Romero como um dos produtores executivos, é quase tão boa quanto MADRUGADA DOS MORTOS (DAWN OF THE DEAD), a refilmagem de O DESPERTAR DOS MORTOS dirigida em 2004 por Zack Snyder. O segredo de ambas as produções foi saber preservar os sustos e, principalmente, as ideias dos originais, empregando recursos de produção que o cineasta não possuía nos anos 1970. Para se ter ideia, em valores atualizados, o original de Romero custou 250 mil dólares, enquanto a refilmagem saiu por 20 milhões.

O roteiro de A EPIDEMIA foi escrito por Scott Kosar e Ray Wright, e se por um lado traz alterações em relação à trama original, por outro mantém sua linha mestra. A ação agora acompanha o Xerife David Dutton (Timothy Olyphant, atualmente em destaque na série de TV JUSTIFIED), sua esposa Judy (Radha Mitchel, de TERROR EM SILENT HILL) e seu auxiliar Russell Clank (Joe Anderson), que tentam fugir de uma cidadezinha de Iowa cujo suprimento de água foi contaminado por uma cepa do vírus da raiva que transforma as pessoas em homicidas enlouquecidos – os “Crazies” do título original. Ocorre que o tal vírus foi criado pelo governo para ser utilizado como arma biológica, e logo aparecem no local agentes e militares encarregados de conter a epidemia. Contudo, o trio não demora para descobrir que as forças governamentais são mais perigosas que os infectados, já que elas começam a dizimar indiscriminadamente os habitantes da cidade.

Apesar do filme não ter zumbis, na fase final do contágio os infectados se assemelham bastante aos mortos-vivos “turbinados” do remake MADRUGADA DOS MORTOS. A vantagem dos “loucos” sobre os zumbis é que eles não são meros comedores de carne e cérebros: eles mantêm lucidez e habilidades motoras suficientes para portar armas e, portanto, são muito mais perigosos e imprevisíveis. Mas a ideia central do longa é que essas criaturas não são meras vilãs, mas acima de tudo vítimas do governo e dos programas secretos bélicos que, vira e mexe, servem principalmente para dizimar populações civis.

Com um bom elenco, a direção competente de Breck Eisner e recursos de produção tímidos se comparados à média do que Hollywood produz hoje, mas ainda assim suficientes e eficazes para conduzir sua trama, A EPIDEMIA é um filme mais do que recomendado aos fãs da obra de George A. Romero ou para quem gosta de tramas paranoicas na linha de INVASORES DE CORPOS, onde seus vizinhos e amigos poderão a qualquer momento se tornar ameaças mortais.