Filme “estrangeiro” (lembrando que o termo é aplicado para as películas que não são norte-americanas), “não-comercial”, evidenciando nome de teórico marxista e rodando nas salas de cinema alternativo... Em um primeiro momento, “Adeus Lenin!” não parece ser o filme que chamaria a atenção da grande massa de espectadores. Engana-se, entretanto, quem pensa que o filme é daqueles que não tem começo e que o fim fica na interpretação livre de cada um.
A comédia inicia com notas de drama. A mãe de Alex é abandonada pelo marido e passa a dedicar sua vida à Alemanha Oriental, que, na época, pertencia ao bloco comunista. Em seguida, ao ver seu filho sendo preso em uma manifestação, tem um infarto e passa meses em coma no hospital.
Nesse ínterim, em fins de 1989, a Alemanha é unificada e cede aos apelos consumistas. A mãe acorda do sono profundo e, impedida de ter fortes emoções, acaba sendo iludida de que tudo continuava como antes. Os filhos, os velhos amigos e a paisagem, visivelmente transportados para a nova realidade, têm de se esforçar a retomar o passado, na esperança de trazer tranqüilidade à enferma.
As cenas mais engraçadas ficam por conta dos noticiários criados por Alex para justificar a invasão ocidental. Quando um imenso banner da Coca-Cola desponta do prédio ao lado, a desculpa é de que a fórmula do famoso refrigerante foi criada pelos alemães orientais. É um pequeno exemplo de tantos outros pontos altos do filme. O fator surpresa é, mais uma vez, coadjuvante.
Esta produção vem unir-se à Corra Lola Corra e Que Fazer em Caso de Incêndio, que também representam a boa qualidade do novo cinema alemão e merecem todo o respeito de quem os assiste. Por fim, recomendo aos professores de História que incluam, ao invés de “Tróia” (ironicamente, dirigido por um alemão), “Adeus Lênin!” no dever de casa de seus alunos.