Cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez gostam de lembrar em entrevistas e nas referências em seus filmes de produções ditas ‘spaguetti westerns’. Django é uma das principais citações deste subgênero cinematográfico que tomou conta da programação na segunda parte da década de 60. Entre 1960 a 1975 foram produzidos mais de 600 filmes na Europa sob esta encunha, na sua grande maioria, produções rápidas e rasteiras no seu sentido ‘tosco’. Este termo é muito apropriado, visto que legítimos ‘bang-bang’ com ianques e mexicanos eram filmados em plena Itália e Espanha. O italiano Sergio Leone foi um dos principais diretores desta leva, responsável por algumas obras cujo personagem principal foi Clint Eastwood.
Em Django temos como ‘mocinho’ o ator italiano Franco Nero, muito parecido fisicamente com Eastwood, e que se eternizou neste caracter, apesar do sucesso de outros westerns (Os Violentos vão para o Inferno, de 1968 e Companheiros, de 1970). Retornou, mais de 20 anos depois, na pele de Django na única continuação oficial em Django – A Volta do Vingador, 1987, uma vez que ele foi repetido em mais de 30 filmes. Durante a fase áurea dos ‘spaguettis’, muitos outras lendas surgiram seguindo a mesma fórmula, nomes como Sartana, Sabata, Ringo, Tex, Trinity, entre outros, que não se perderam na estória pelas referências ao cinema de ação atual, vide além daqueles que citei, John Woo (seguidor de Sam Peckinpah, que ‘imortalizou’ a câmera lenta nas cenas violentas).
A cena de abertura de Django, tocando ao fundo a canção tema, e o detalhe do ‘caixão’ (quem não viu repetido em El Mariachi e Balada do Pistoleiro - ambos de Robert Rodriguez - sob a forma de uma ‘case’ de guitarra?) foram devidamente imortalizados na memória dos cinéfilos. Deve ser visto pela nova geração e relembrado pela antiga, modesto mas legítimo; violento mas quem ainda se deixa chocar à deriva de balas perdidas?