Crítica sobre o filme "Tropicália":

Eron Duarte Fagundes
Tropicália Por Eron Duarte Fagundes
| Data: 17/09/2012

Tropicália (2012) é um documentário que começa pelo fim. Num programa da televisão portuguesa, Caetano Veloso e Gilberto Gil estão sendo entrevistados: eles estão a caminho de Londres, pois, jovens e provocativos, foram expulsos do país pela ditadura militar. Mais verborrágico até hoje, Caetano deita o verbo para os lusitanos: diz que o movimento do Tropicalismo, a que ambos os músicos pertenceram, já terminou e o que eles cantam então é totalmente irresponsável para com o Tropicalismo. A partir desse fim do tropicalismo, o realizador Marcelo Machado passa a radiografar o que foi este impulso cultural, determinado pela música, que transformou a face do país nos anos 60.

O melhor de tudo, para o espectador que possa estar um pouco cansado das tagarelices cinematográficas em torno de nossa música popular, é ouvir as canções, de Caetano e Gil, é claro, mas também de Nara Leão, de Gal Costa, de Maria Bethânia. Quem viveu aqueles doces tempos bárbaros não esquece os tempos vividos e também as canções que neles se entranharam. Generosamente, Machado liga a música com o cinema da época, o discurso enfadado de Glauber Rocha e sua maravilhosa realização cinematigráfica Terra em transe (1967) que afetou a cabeça de Caetano, os filmes de Rogério Sganzerla e de Ivan Cardoso. A textura estético-social está bem montada em Tropicália.