Crítica sobre o filme "Jogador Nº 1":

Rubens Ewald Filho
Por Rubens Ewald Filho
| Data: 28/03/2018

Spielberg tem tido uma sucessão de maus momentos, ou digamos equívocos. Que me parecia provocado pela insistência de utilizar sempre a participação de um ator inglês com quem ele cismou, Mark Rylance, desde quando o utilizou no medíocre Ponte dos Espiões (15), seguido pelo mais fraco ainda, O Bom Gigante Amigo (16). Ele não esteve no próximo filme que foi o claudicante The Post a Guerra Secreta (17), mas já retorna aqui no Jogador Numero Um num papel muito importante de Figura Mágica como sempre brilhando pela inexpressão. O que me assustou mesmo foi saber que ele já tem em andamento fazer uma refilmagem do musical clássico West Side Story. Será que não sabe que não se refaz filmes que deram certo, clássicos?

Enfim, antes de comentar esse seu novo e longo filme precisa confessar que não sou fã de videogames (Spielberg porém é louco por eles desde garoto) o que parecia atrapalhar minha compreensão e aprovação deste novo filme que é provavelmente o mais longo e mais delirante do gênero. Que o diretor insiste que deve ser visto em Imax, por sinal, sem dúvida porque é um dos filmes mais espetaculares que vi nos últimos anos. Claro desde que você goste do gênero! Ou seja, mesmo sem ser um expert mergulhei de cabeça no filme, principalmente da metade em diante quando já estava acostumado no numero grande de citações de personagens e situações. Mas cinéfilo que sou o que realmente me conquistou foi quando eles entram no filme livro de Stephen King / Kubrick, que vem a ser O Iluminado numa deliciosa versão estilizada com a animação. Achei brilhante!

Aliás, aos poucos quando fui “embraçado” pelo filme mais eu torci, vibrei e até me arrependi de não conhecer melhor as referências e referências (mas já tenho certo ver o filme de novo em Imax, como Spielberg pediu). Fica realmente evidente que ele adorou o livro original, mas procurou fazer também um filme também para os não jogadores de games. De qualquer forma, o tempo de projeção tinha me assustado, mas não chega a ser um problema.

Porque há muita ação, mas é preciso levar em conta que praticamente todo o filme é construído com personagens de animação, ainda mais do que o, um pouco semelhante que esta ainda em cartaz, Círculo de Fogo. Mas consegue ser ainda mais explosivo e variado.

Não gosto do jovem ator principal que é inexpressivo e apagado. Chama-se Tye Sheridan esteve em X Men Apocalypse, Amor Bandido e pouco mais fez de interessante. Ele se chama no filme Wade Watts e faz o garoto que num futuro distante vive muito mal com uma parente (os pais morreram) numa espécie de carro móvel no que seria uma favela do futuro. O rapaz claro que é esperto e como quase todo mundo, tem seu alter ego que é sua figura como animação - usando o nome Parzival - o que leva a tentar conseguir três chaves mágicas que mudaria a vida dele e de todo mundo. Encontra uma jovem interessante (primeiro como desenho, depois como “Art3mis”, se tornando seu interesse romântico). Em termos mais técnicos, quem esta por trás de tudo é um criador do mundo da realidade virtual James Halliday (papel do Rylance) no que se chama OASIS. Já morreu, mas seu espírito anda influenciando tudo. E desafiando os participantes do Oasis em procurar o chamado “Easter Egg” (literalmente Ovo de Páscoa) que dará uma enorme fortuna para o vencedor. A ação se passa em 2045. Um detalhe: Spielberg eliminou quase totalmente referências de seus filmes que estavam no livro original.

Confuso, eu também achei no começo. Mas é uma produção tão luxuosa, os efeitos visuais são tão incríveis (e bonitos, coisa que não é comum em todo o gênero). Que é melhor relaxar e deixar curtir o filme.