Crítica sobre o filme "Wes Craven: Aniversário Macabro, Benção Mortal, Quadrilha de Sádicos, Quadrilha de Sádicos2":

Rubens Ewald Filho
Por Rubens Ewald Filho
| Data: 23/09/2018

Wes Craven (1939-2015)

Diretor americano que se tornou o maior nome do terror com os sucessos das séries A Hora do Pesadelo e Pânico. Seu prestígio é tão grande que seus filmes mais recentes têm trazido seu próprio nome no título e ele mesmo apareceu como ator no último filme da série Pesadelo, inventando uma maneira original de ressuscitar o personagem de Freddy Krueger. Nascido em 2 de agosto, em Cleveland, Ohio, foi professor de Letras e Dramaturgia, passando para o cinema em 1973 com um filme softpornô, Together. O sucesso de Aniversário Macabro (lançado sem cortes somente dez anos depois, por causa da violência) alcançou uma reputação underground. A excessiva violência dos primeiros filmes foi evoluindo para um estilo mais sutil, de tal maneira que conseguiu acertar ao fazer um filme unicamente dramático, Música do Coração que deu indicação ao Oscar para Meryl Streep. Também escreveu o roteiro de O Jardim dos Esquecidos (Flower in the Attic, 1987, de Jeffrey Blum), O Medo (The Fear, 1994, de Vincent Robert). Fez episódios para séries de TV (Twilight Zone, 1985; Shatterday); Chameleon; Dealer’s Choice; The Road less Traveled; Her Pilgrim’s Soul); Disney Sunday Movie (Netos de Peixe /Casebusters, 1988, com Pat Hingle); John Carpenter presents Body Bags (The Gas Station, 1993). Também apresenta certos filmes com seu nome no título: Wes Craven Presents Mind Ripper: Live in Horror, Die in Fear (1995). Faleceu em 30 de agosto de 2015 de tumor cerebral, em Los Angeles, aos 76 anos.

Filmografia

Dir.: 1973 – Together. 1972 – Aniversário Macabro (Last House on the Left . David Hess, Sandra Cassel). 1975- The Fireworks Woman (assinado como Abe Snake. Jennifer Jordan, Helen Madigan). 1977 – Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes. Susan Lanier, Russ Grieve). 1978 – Verão do Medo (Stranger in Our House ou Summer of Fear. Linda Blair, Lee Purcell. TV). 1980 – Marimba. 1981 – Benção Mortal (Deadly Blessings. Maren Jansen, Sharon Stone). 1982 – O monstro do Pântano (Swamp Thing. Louis Jordan, Adrienne Barbeau). 1984 – Quadrilha de Sádicos II (The Hills Have Eyes Part II. Michael Berryman, Kevin Blain). Convite para o Inferno (Invitation to Hell. Robert Urich, Joanna Cassidy. TV). A Hora do Pesadelo (Nightmare on Elm Street. Heather Langekamp, Robert Englund). 1985 – Um Frio Corpo sem Alma ou Descongelado (Chiller. Michael Beck, Beatrice Straight. TV). 1986 – A Maldição de Samantha (Deadly Friend. Mathew Laborteaux, Kristy Swansom). 1988 – A Maldição dos Mortos Vivos (The Serpent and the Rainbow. Bill Pullman, Cathy Tyson). 1989 – Shocker – 10.000 Volts de Terror (Shocker. Michael Murphy, Peter Berg). 1990 – Visões Noturnas (Night Visions. James Remar, Loryn Locklin). 1991 – As Criaturas atrás das Paredes (The People Under the Stairs. Brandon Adams, Ving Rhames). 1994 – O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger (Wes Craven’s New Nightmare. Robert Englund, Heather Langekamp). 1995 – Um Vampiro no Brooklyn (Vampire in Brooklyn. Eddie Murphy, Angela Bassett). 1996 – Pânico (Scream. Drew Barrymore, Neve Campbell). 1998 – Pânico 2 (Scream 2. Neve Campbell, Courtney Cox). 1999 – Música do Coração (Music of the Heart. Meryl Streep, Aidan Quinn). 2000 – Pânico 3 (Scream 3. Neve Campbell, Courtney Cox). 2005 – Amaldiçoados (Cursed. Christina Ricci, Joshua Jackson). Vôo Noturno (Red Eye. Cillian Murphy, Rachel McAdams). 2006 – Paris, Eu te Amo (Paris, je t’aime. Epis. Père-Lachaise. Emily Mortimer, Alexander Payne). 2010- A Sétima Alma (My Soul to Take . Jessica Hecht, Raul Esparza): 2011- Pânico 4 (Scream 4. Courteney Cox, David Arquette).

 

Aniversário Macabro

O diretor do filme faleceu em 30 de agosto de 2015, quando este filme seu primeiro longa completou 43 anos.  
Reza a lenda que foi inspirado num drama de Ingmar Bergman de 1960, o clássico A Fonte da Donzela. Craven assumiu a direção dessa história sobre uma gangue de bandidos que após matar duas adolescentes decide se esconder na casa dos pais de uma delas. O que eles não sabem é que irão encontrar a vingança sob uma forma assustadora. No IMDB há outra versão mais clara: “Na véspera de seus 17 anos, Mari Colingwood conta aos pais que vai a um concerto da banda de underground Bloodlust em Nova York com sua amiga Phyllis. Pega emprestado o carro da família mas vai para um bairro perigoso da cidade. Estão soltos dois sádicos, Kurgo Stillo e Fred Weasel Podowski com a parceira Sadie e o viciado Junior Stillo. Depois de matarem dois 2 guardas e um pastor na fuga. Enquanto isso as garotas procuram marijuana, e encontram Junior que lhes oferece uma colombiana, vão para um apartamento, onde Phyllis é estuprada. No dia seguinte, esconde as garotas num conversível e vão para o Canadá. Mas o carro tem problemas e a moça tenta escapar mas acaba sendo morta...”.

Extremamente violento até hoje, imaginem ele então no princípio da carreira. Craven tentou passar pela censura, mas lhe deram a cotação pior, o X, e ele teve que remover dez minutos de filme, mas não foi o suficiente e chegaram a 20 minutos. Craven usou então um truque conseguiu emprestada uma cotação de censura R de um amigo, e assim que o filme foi lançado! O nome Kruge depois seria usado para Freddy Krueger de A Hora do Pesadelo. Segundo a equipe a atriz Sandra Peabody ficou com tanto medo do filme que fugiu do set. Quando estreou em 1972, quase todos os críticos o acharam perturbador, menos Roger Ebert que o deu três estrelas e meia! Foi proibido várias vezes na Inglaterra. E só foi liberada em cortes em 2008. Dois diretores trabalharam no filme, Steve Miner e Sean S. Cunnngham (que emprestou a casa da família em Colingwoods). Rodado em 21 dias e grande parte do diálogo foi improvisado. Um detalhe: no script original havia vários momentos pornográficos, mas os atores recusaram a segui-lo.

 

Quadrilha de Sádicos

Primeiro sucesso do diretor de A Hora do Pesadelo. Fez até uma continuação em 84, como Quadrilha de Sádicos II (só na TV, bem inferior). Embora pobre, o filme tem sequências extremamente violentas ("goer", ou seja, de violência explícita), o que lhe provocou um "cult". Mas não espere demais desta história sobre uma típica família americana que saiu para acampar no deserto, sendo atacada por mutantes assassinos e canibais. Não falta senso de humor, algumas reviravoltas e cenas depois copiadas por outros.