Simultaneamente com a Europa, está sendo apresentado este impressionante novo trabalho da diretora de origem árabe mais importante da década, Nadine Labaik (que já veio ao Brasil, aliás, uma bela mulher, boa atriz e que cada vez mais vem se dedicando a filmes mais dramáticos e sérios). Ao lado de Zaina Arra, Fela Green, Yordenos Smifera.
Indicado ao Oscar de filme estrangeiro, me deixou extremamente abalado e sensibilizado. Não há dúvida de principalmente no final há uma certa delicadeza, concessão a atos de juízes e governos e principalmente vida familiar. Fica evidente que tudo é muito mais grave, pior, mais triste na vida cotidiana do povo, mas foi o máximo que a diretora conseguiu denunciar com a ajuda de um grupo de atores que parecem amadores (ela presente) e com a presença de um garoto que é um notável e inesperado ator amador, muito bonito, com olhos claros, não faz trejeitos ou truques. Começa tudo num tribunal onde o menino tenta negociar toda sua absurda e irresponsável família (não sei se tal fato seria viável no mundo árabe!). Basicamente ele não sabe quantos anos sequer tem porque a família nunca registrou nada, e sua querida irmã um pouco mais velha é vendida para desconhecidos no que eventualmente será sua morte! Revoltado ele faz tudo para fugir, para denunciar os abusos (e os parentes são cada vez mais abusados) e quando consegue fugir passa a proteger uma criança pequena negra, cuja mãe também está no país sem licença (a criança novinha é igualmente encantadora!). A viagem pela pobreza, pelos vagamente conhecidos, pela prisão onde irá prosseguir sua luta, tudo isso torna o filme extremamente tocante e digno de choro (a diretora para deixar tudo menos pesado ou mais ainda triste obriga o garoto a evitar o choro e ser forçado num amplo sorriso... acha coração para segurar tal instante!!!).
Nem é preciso dizer que o filme é muito humano e sensível e que naturalmente preferia dar um Oscar para ele do que do mexicano Roma, que tem sido exageradamente consagrado.