Crítica sobre o filme "Segredo em Paris, Um":

Rubens Ewald Filho
Segredo em Paris, Um Por Rubens Ewald Filho
| Data: 14/11/2018

Os mais veteranos tem uma atração muito especial por este modesto filme francês, além de curto, por causa da presença de um dos homens mais charmosos do auge do cinema francês, no caso Jean Sorel (casado com a atriz italiana Ana Maria Ferrero. Ela faleceu recentemente em maio de 2018), ele nasceu em 1934, fez Vagas Estrelas da Ursa, A Bela da Tarde, La Ronde, As Bonecas, As Rainhas e muitas series de TV. O elenco traz também uma curiosidade, já que Lolita é a filha artista de Isabelle Huppert. Segundo os europeus o filme é uma espécie de meditação sobre uma garota que vem do interior (Tours) e se muda para Paris, vai trabalhar numa livraria onde o dono é misterioso (Sorel) que nunca vende livros, mas parece ter dinheiro. Bem francês, o filme está cheio de protestos, referências literárias (Marguerite Duras, Virginia Wolf), filmes antigos de Howard Hawks, música (La Tosca de Puccini). O que torna um pouco interessante é que Sorel, ou seja, Georges, é irônico e sarcástico, justamente o oposto da moça. Nada mais francês do que a profusão de detalhes e conversas, nunca bem resolvido. Quem não guarda lembranças de Sorel (e ficou sabendo agora de sua viuvez!) terá dificuldade em aceitar esta semi comédia irônica e que fica muito a dever.