Crítica sobre o filme "Nós":

Rubens Ewald Filho
Nós Por Rubens Ewald Filho
| Data: 20/03/2019

Tenho que confessar que fiquei muito impressionado e até assustado com o filme anterior deste mesmo Jordan Peele (1979, de mãe branca e pai negro, comediante em 54 programas de TV de comédia, mais 14 como roteirista e apenas 2 como diretor com os filmes Corra! /Get Out, 17, e agora Nós). O primeiro filme ganhou o Oscar de melhor roteiro, se tornando o primeiro negro, a ser premiado pela Academia (como roteiro original). Também foi indicado como melhor filme, ator Daniel Kaluuya e diretor. Também indicações duplas para o Bafta britânico e Globo de Ouro e ainda SAG.

Quem não assistiu Corra! É bom ficar sabendo que se trata de uma sátira surpreendente que começa como uma visita de família que vai se transformando em pesadelo e que na verdade consegue mesmo ser chocante, vai mais longe do que a média do gênero. Entre horror e comédia, na verdade esse gênero de misturar as coisas muita gente acha que veio antes de Kubrick com O Iluminado (que está cheio de citações e surpresas) e também de outros cineastas do gênero como Brian De Palma, o ator Jack Nicholson e Daren Aronofsky, mas o que importa é a coragem e atrevimento de Peele, no que transformou o filme anterior num nem tão modesto clássico! Acho mesmo um divisor de águas.

Este título muito interessante, que é o de Nós, começa em 1986, quando uma garota e seus pais passeiam a noite por um parque perto do mar, até quando uma assustadora surpresa se revela, que envolve também sala de espelhos, e duplos. O filme então pula alguns anos e chega-se ao tempo atual (a garotinha virou adulta) , Adelaide (a famosa premiada Lupita) tem medo de chegar ao mesmo pedaço na praia de Santa Cruz, mas as crianças estão juntas e eles irão se encontrar com os velhos amigos os Tylers (também no elenco a loira Elizabeth Moss, famosa pela serie de TV O Canto da Aia) e suas filhas inclusive se mostrar A Floresta Encantada de Merlin. Bom, acho melhor não ir muito mais adiante, o que posso adiantar é que o filme vai ficando cada vez mais assustador, com determinadas figuras difíceis de se ver e não sairmos assustados. Na verdade, a crítica americana louvou tudo (desde a fotografia até os figurinos muito especiais, a trilha musical, algumas ideias originais), mas acho que estaríamos falando demais. Tem gente que já até fala novamente em Oscar para Mr. Peele!