Crítica sobre o filme "Hacker":

Rubens Ewald Filho
Hacker Por Rubens Ewald Filho
| Data: 10/03/2015

Há certos diretores que foram muito promissores mas por alguma razão nunca confirmaram inteiramente seu talento. Conheço vários críticos que apostavam em Michael Mann, achando que ele deveria fazer parte do primeiro time de Hollywood, mesmo sem nunca ter ganhado um Oscar®, apesar de ter sido indicado como produtor de O Aviador, diretor, coroteirista e produtor de O Informante (The Insider, 99), que ele fez com Russell Crowe.

Agora com 73 anos, Mann seria mais famoso como o criador da série de TV Miami Vice (fez também o longa para cinema), tendo ganhado Emmys pelo tele filme Maratona Final (The Jericho Mile, 79) e Drug Wars: The Camarena Story, 90. Também fez outros filmes respeitáveis como Profissão Ladrão ou Ruas de Violência (Thief, 1981 com James Caan, Tuesday Weld), Caçador de Assassinos ou Dragão Vermelho (Manhunter ou Red Dragon: The Pursuit of Hannibal Lecter, 1986 com William Petersen, Joan Allen), O Último dos Moicanos (The Last of the Mohicans, 1992 com Daniel Day Lewis, Madeleine Stowe), Fogo Contra Fogo (Heat, 1995 com Al Pacino, Robert De Niro), Ali (Idem, 2001 com Will Smith, Jon Voight) e o meu favorito Colateral (Collateral, 2004 com Tom Cruise, Jamie Foxx). O filme anterior a este foi o decepcionante Inimigos Públicos (Public Enemies, 2009 com Johnny Depp, Christian Bale) e a decepcionante série de TV Luck (2009, com Dustin Hoffman).

A má noticia é que este vem a ser o pior trabalho de toda sua carreira e fica difícil entender mesmo porque ele foi se meter num projeto tão discutível quanto esta aventura de ação rodada em Djarkata. Longo, sem personalidade (lembra qualquer outro filme oriental apátrida), não sabe aproveitar o eficiente galã Thor (Hemsworth) nem a excelente Viola Davis. Só ao final tem uma cena de perseguição numa praça onde acontece uma feira musical que tem certo charme.

Até o titulo original é confuso, Blackhat é mesmo chapéu preto que descreve um vilão que nos velhos faroestes usavam chapéu preto. Assim um hacker também comete crimes cibernéticos por lucro e daí o horrível título original. A trama foi inspirada no caso Stuxnet, quando um vírus de computador foi criado para atacar os controles de um complexo industrial. Descoberto em 2010, Stuxnet arruinou quase um quinto dos lugares nucleares do Irã e nunca se descobriu sua origem. Foi totalmente rodado em sistema digital em Los Angeles, Indonésia (Jakarta), Kuala Lumpur (Malásia), Hong Kong (túnel) e China. Custou 70 milhões de dólares e foi um fracasso tremendo (não rendeu mais de 7 Milhões e 889 mil e outros 9 milhões no exterior!).

O filme abre com uma explosão numa usina atômica em Hong Kong e oficiais chineses chamam Chen Dawai (Leehom) que também chama a irmã Lien (Tang) e depois um velho amigo de escola, Nick (Chris). Reparem nos livros que irão aparecer durante o filme e entenderão porque alguns críticos adoram Mann (são livros pretensiosos como O Sistema dos Objetos, crítica neo-marxista, Disciplina e Punição de Michel Foucault, A Condição Pós Moderna de Jean-François Lyotard). Tudo isso fazendo nos supor que o nosso mundo hoje é uma prisão de alta segurança.

Viola faz um agente do FBI que entra na história e certamente eleva um pouco o resultado, mas o consumidor normal não vai perceber as citações filosóficas e vai reclamar de cenas de ação mais interessantes e um filme mais consistente. Não que eu quisesse falar mal do filme, mas sua carreira já fala por si mesma.