Crítica sobre o filme "Homem de Aço, O":

Edinho Pasquale
Homem de Aço, O Por Edinho Pasquale
| Data: 12/07/2013

Atenção: detalhes da trama podem estar sendo revelados na crítica e podem estragar a surpresa. Sugiro que neste caso leiam a crítica posteriormente. 

Há muito tempo que isso não acontecia comigo. Dias depois de assistir este filme voltei para vê-lo na tela grande do Imax, na impressão de que eu tinha perdido alguma coisa. O filme não podia ser tão decepcionante quanto eu achei na primeira vez. Não ter que seguir a história ajuda, ou melhor até atrapalha, porque dá para prestar atenção em detalhes. E discutir as escolhas. Só aos poucos foi me caindo a ficha, de que não gostava do diretor Zack Snyder (de 300) que é fraco de concepção visual e que aqui faz todos os efeitos especiais com aquele tom marrom/ terra, levemente fora de foco como em Sucker Punch (começando com a primeira imagem, a dor do parto da mãe de Superman, uma infeliz atriz alemã, aliás, eles nascem em Krypton do mesmo jeito que os humanos? Que esquisito... E o que são aqueles “espelhos mágicos” que acompanham o nascimento que aliás, é feito pelo próprio pai, apesar dele ser super poderoso, o Jor El? Também não engoli aquelas chocadeiras meio Alien onde vai buscar o Cordex (faltou aí uma nota de rodapé, o leigo não tem ideia do que se trata!). É verdade que o melhor filme da série Superman, o Filme (78) de Richard Donner continua a ser até agora indiscutivelmente o melhor de todos. Também não tinha uma direção de arte brilhante e o planeta também era brega, mas Marlon Brando, mesmo com preguiça e descaso é infinitamente melhor do que Russell Crowe (que faz o pai, Jor El), certamente hoje em dia, o pior ator em ação no cinema. Devia ir direto para o elenco Os Mercenários 3!

Logicamente eu me refiro com nostalgia aquele filme clássico que acertou também na escolha do ator, Christopher Reeve, no uso da trilha musical de John Williams (a de Hans Zimmer é imemorável aqui) e pela primeira vez conseguiu fazer o homem voar de forma convincente e mesmo romântica (nesta versão, ele aumentou sua velocidade, mas até a cena em que experimenta aprender a voar é curta e menos engraçada do que devia. Ah, é isso, o filme não tem senso de humor, a não ser já no finalzinho, todo mundo se leva a sério demais. Tudo é sombrio simplesmente porque deu certo antes em Batman. E o romance é totalmente Blah! 

O novo Superman desta vez e ao contrário do anterior o coitado Brandon Routh que foi banido para fitas C, é um inglês que foi rejeitado para James Bond (e dizem que todos os outros heróis, mas o estão anunciando para o Agente da Uncle) e que foi o amante passivo do rei na série The Tudors, onde fazia Charles Brandon. Não há dúvida que é um monumento, um homem muito bonito que ficaria perfeito se transposto para uma estátua de aço no jardim. A única maneira que conseguem tirar alguma reação dele é em duas ou três ceninhas onde faz um sorriso safadinho (e a única forma de dar ênfase é mostrar isso em close!). O romance dele com a nova Lois Lane (Amy Adams) é mal desenvolvido. Ela aparece sem se darem ao trabalho de ter uma história pregressa, ou seja, como se fosse obrigação do espectador já saber quem é ela. Apesar do esforço do roteiro em colocá-la em cenas de perigo também não há a menor química entre o casal até porque Superman só vai se disfarçar de Clark Kent na cena final. E não dá para suportar o velho truque do cinema americano de colocar óculos em alguém que o torna completamente irreconhecível! Isso podia funcionar nos anos 40, mas hoje em dia é ridículo!

O truque maior do roteiro é pular depois de que Jor El é enviado para a Terra, diretamente para Clark adulto trabalhando no socorro de vítimas de uma plataforma de petróleo em chamas! A ideia é que há cada vinte minutos haja uma grande cena de explosão e efeitos especiais (sempre escurinhos). Ou seja, a infância de Clark será relembrada em flashbacks ocasionais mostrando ele garoto salvando os coleguinhas de um ônibus que cai num rio e ouvindo conselhos de seu pai humano – que aliás, tem uma sensatez e nível de informação raro de encontrar nas fazendas do Kansas! O papel é do Kevin Costner que faz igual a sempre, mas que ao menos tem uma cena absurda (impedindo o filho de salva-lo de um tornado, certamente ele arranjaria um meio de fazer isso sem ser reconhecido!). Diane Lane como a mãe está ainda mais apagada nos deixando saudades da movimentação jubilosa da série Smallville. até mesmo Michael Shannon, que parecia infalível faz aqui o super vilão General Zod caindo em excessos e caretas (alguém podia ter lhe mostrado a sutileza com que Terence Stamp criou o original). E será mesmo que era preciso destruir Metrópolis pela enésima vez? Quase bairro a bairro!

 Só depois que fui ver também que a maior parte da crítica americana não gostou e por razões muito claras. O que mais me irritou e olha que não sou especialmente religioso, é transformar Kar-El, o futuro Clark Kent, numa figura semelhante à de Cristo (a dica: ele está completando 33 anos! E sofre também nas mãos dos bullies e da incompreensão do ser humano incapaz de entender seus poderes de um Deus, já dizem isso no comecinho!). Acho essa comparação no mínimo de mau gosto e tem cara de ser coisa trazida pelo Christopher Nolan (que assina como co produtor). Má ideia.

Menos ruim é a resolução da luta final, em que Superman tem que enfrentar uma decisão: Ele rarissimamente mata um humano e quando o faz dá um grito de lamentação (até um momento forte, mas que também podia ser mais marcante). Como se tornou habito, o governo americano não é mostrado com especial simpatia ou competência, revelando sua m´s vontade com um Deus E.T. Enfim, rever o filme foi pior porque me deixou muito mais atento e me levou a conclusão de que nesta safra muito boa de blockbusters, o novo Superman é dos mais fracos.