Apesar de ter sido um grande fracasso de bilheteria nos EUA (teve um orçamento caro de 55 milhões de dólares e não chegou nem aos 12 milhões de dólares de renda!), este policial violento e antiquado (parece ter sido feito em meados dos anos 80) não é melhor nem pior do que outros que Stallone estrelou nos seus bons tempos. Foi feito apenas numa época em que ele já beira os setenta anos e não se chama Clint Eastwood (a bem da verdade, está em melhor forma, todo bombado, com duas enormes tatuagens techinecoloridas nos ombros). O fracasso parece ter sido porque o público jovem não quer vê-lo e os antigos fãs podem esperar o filme em casa (e só acham que vale a pena quando ele está reunido com outros de sua geração!), mas também porque há uma reação forte contra o excesso de violência no cinema atual e suas possíveis e prováveis consequências na sociedade atual.
O competente Alessandro Canon (Psicopata Americano, Obrigado por Fumar) foi quem adaptou para o cinema uma “graphic novel” francesa, Du Plomb dans la Tetê (Chumbo na cabeça) de Alexis Nolent agora ambientada na sempre fotogênica New Orleans. Basicamente é aquilo que os americanos chamam de “bromance”, uma história de amor, masculina entre dois sujeitos de ambientes diferentes que passam a se respeitar e gostar, entre socos, pontapés, tiros e piadinhas. Embora o problema como bem salientou o crítico recém falecido em um de seus últimos trabalhos, Roger Ebert é que não há menor química entre os dois protagonistas, na verdade nenhuma.
O filme tem uma história mais complicada para acontecer. Começou a ser feita a pré produção pelo diretor sul africano Wayne Kramer (The Coooler, Território Restrito), que chamou para o papel do policial Thomas Jane, mas Kramer e Stallone discutiram a respeito do tom do filme e entrou o produtor Joel Silver (embora produção independente, saiu nos EUA pela Warner) que despediu Jane porque preferia um parceiro étnico (possivelmente para aumentar a bilheteria no Oriente) e chamaram o inexpressivo Sung Kang que em nada me marcou quando participou dos Velozes e Furiosos 3, 4 e 5 (agora também no 6), nem Ninja Assassino ou Duro de Matar 4. O charme do projeto é justamente em trazer de volta ao cinema depois de uma ausência de 10 anos, desde o esquecido O Imbatível, o veterano Walter Hill (que nos bons tempos fez os dois 48 horas, que tem certa semelhança com este e The Warriors).
Stallone com sua péssima dicção é quem narra a história. Quando um matador profissional perde seu parceiro (Jon Seda) morto por um outro bandidão, Stallone - que tem o nome ridículo de Jimmy Bobo - se aproxima de um policial oriental (que também sofreu injustiça) com quem forma uma relutante dupla (o filme começa com uma espécie de teaser apresentando cena que voltara depois que eles viraram “partners”). Em meio a lutas e explosões de praxe, eles descobrem um daqueles planos mirabolantes sobre especulação de terrenos tirando dos pobres para construir condomínios para os muito ricos. Se as cenas de ação são curtas e diretas, o filme ganha bastante com algumas opções de escalação de elenco. Primeiro o maior vilão é um negro, Robert Knomo, que anda com bengalas e interpretado com forte sotaque, pelo britânico descendente de nigerianos, o ótimo Adewale Akinnuye- Agbaje. Também o interesse romântico aqui é com uma tatuadora que é vivida pela interessante Sarah Shahi, que é neta de um Xá da Pérsia! Como o vilão maior eles resgatam a figura exótica de Jason Momoa, o novo Conan que tem a sorte de salvar sua carreira com uma participação forte e bem-humorada. E por fim, o retorno ao cinema depois de 8 anos (tem feito séries de teve e teatro) Christian Slater que te um quase monologo confessional bastante eficiente.
Com trilha de hard rock, alguns truques emprestados do diretor Tony Scott, menos de hora e meia de duração, Alvo Duplo (êta título infeliz! Outro que não quer dizer nada) não foi apresentado para a crítica nem aqui, nem nos EUA. Besteira porque ele é perfeitamente assistível, ao menos para todos aqueles que ainda tem afeição pelo Dinossauro Stallone.