Crítica sobre o filme "Hospedeira, A":

Rubens Ewald Filho
Hospedeira, A Por Rubens Ewald Filho
| Data: 29/03/2013

Antes de tudo é bom avisar: É bem melhor que qualquer um dos filmes da Saga Crepúsculo, o elenco inclusive é bem superior. Ainda assim não é nenhuma maravilha. Até porque tem o mesmo defeito: um orçamento limitado, reduzido que o obrigado a filmar em locações já existentes que passam por prédios e lugares do futuro a moda de Alphaville, de Godard. 

Será que não é superestimar a fidelidade dos fãs da série Crepúsculo, estreando simultaneamente com os Estados Unidos, este filme independente que traz uma adaptação de outro livro da mesma autora Stephenie Meyer? É o que vai se descobrir agora com um filme de ficção cientifica que não são vampiros nem tão românticos (favor não confundir com o filme coreano de 2006, que nada tem a ver embora seja bem divertido). Lançado nos EUA em 2008 e no Brasil no ano seguinte, pela editora Intrínseca, com 560 páginas, com bastante sucesso aqui e lá fora. Segundo confirma a Wikipedia, a ideia de A Hospedeira (A Nômade em Portugal) surgiu em uma viagem de Phoenix para Salt Lake City, quando a autora entediada “começou a inventar histórias para se distrair” e assim bolou metade da história antes de se dar conta. Originalmente planejado para ser apenas um projeto alternativo, eventualmente tornou-se uma prioridade. Ian O´Shea seria inicialmente um personagem pequeno. A autora afirmou que não tinha qualquer intenção de criar um romance entre ele e Peregrina, mas Ian "se recusou a ser ignorado". O título foi escolhido pelo ponto de vista da protagonista que passou por diversas mudanças na forma como via o universo por causa de sua “hospedeira” Melanie. Meyer declarou que a ideia de dois espíritos conviverem no mesmo corpo é um subtexto da história, já que ela é "muito crítica" com seu corpo, mas não com os outros. No livro, ela tentou mostrar "que presente é ter um corpo".

Talvez seja melhor explicar melhor a história porque ela é mais facilmente entendida na tela do que resumida aqui. Basicamente o filme se passa num futuro próximo quando (á moda de filmes com Vampiros de Almas ou Invasores de Corpos) uma raça alienígena tomou conta de quase todo planeta Terra. Eles se dizem pacíficos, bondosos e compreensivos, mas ainda assim mantém uma espécie de polícia para caçar e apaziguar os rebeldes humanos que fugiram e vivem em pequenas comunidades no deserto americano. Ou seja, os alienígenas ocupam os corpos dos humanos que passam a ser seus hospedeiros, como uma espécie de casca, enquanto seu interior, sentimentos e ações é totalmente alienígena. Só que no caso da heroína, chamada de Wanda, houve alguma coisa errada por que dentro continua a co-existir a antiga Melanie e as duas personalidades ficam brigando pelo domínio do corpo! Essa é a dífícil tarefa que cabe a atriz principal que é a inglesa Saiorse Ronan, que foi uma revelação em Desejo e Reparação e chegou a ter uma indicação ao Oscar de coadjuvante em 2008. Depois disso ela teve outras chances (ainda não fez 20 anos) em filmes como o desastroso Um Olhar do Paraiso de Peter Jackson (09), o interessante Hanna de Joe Wright (11). Demonstrando, porém, que é uma atriz fria, contida e portanto não exatamente adequada a um personagem tão complexo. 

Por outro lado, é uma boa ideia ter uma dupla personalidade (as duas discutem em off) como heroína, o que vem tornar mais interessante um filme que como ja disse padece de um orçamento pobre (eles falam em 44 milhões de dólares, mas parece menos!). Nem sempre os cenários são convincentes, nem os escritórios ou mesmo as personagens modestas (centradas em New Mexico, Louisina/New Orleans). Por isso mesmo que a prejudicada é a chefe dos caçadores de humanos, feita pela atriz europeia Diane Kruger (a Helena de “Troia”), que não consegue escapar do clichê. O escolhido como diretor é Andrew Niccol, que ficou famoso como o roteirista de O Show de Truman e depois se especializou no gênero com Gattaca, Simone, O Preço do Amanhã /In Time, e também a denúncia política O Senhor das Armas. Por alguma razão, ele não brilha especialmente neste projeto. 

Naturalmente a autora não conseguiu escapar de criar outro triangulo amoroso, no caso entre a heroína de dupla personalidade e dois humanos que vivem escondidos, o que é bem curioso, já que cada um deles se apaixona por uma das mulheres que compartilham o mesmo corpo. Os rapazes porém deixam a desejar, nem boas pintas são, no caso Max Irons (que é sim o filho de Jeremy Irons e Sinead Cusak, neto do Cyril Cusack)- o problema neste caso são os olhos pequenos e que parecem sempre sonolentos e um certo Jake Abel ainda menos memorável (apesar de já ter estado em Percy Jacson, Eu sou o Numero Quatro, e até um Olhar no Paraiso com Saiorse). William Hurt faz o chefe dos humanos e Frances Fisher (a mãe de Titanic, que quando criança viveu no Rio, muito maquiada para envelhecer) faz uma matriarca com pouca ação. Foi porém outro jovem ator Boyd Halbrook que faz Kyle quem foi votado como revelação no Festival dos The Hamptons. 

Não há ainda uma continuação prevista para A Peregrina, embora e 2009, Stephenie Meyer tenha afirmado que poderia escrever duas continuações, a primeira chamada The Soul e a segunda The Seeker. Porém, que poderia ser algo "completamente diferente". Revelou que escreveu um esboço para a primeira continuação, e que tinha seus dois primeiros capítulos prontos, mas que estava trabalhando em outro livro no momento, apesar de planejar retomar o projeto. Naturalmente o elenco já está contratado para esses possíveis novos capítulos que podem ou não acontecer. Tudo depende naturalmente do sucesso.