Crítica sobre o filme "Sombra do Inimigo, A":

Rubens Ewald Filho
Sombra do Inimigo, A Por Rubens Ewald Filho
| Data: 07/12/2012

Uma vez aqui mesmo em São Paulo, onde ele tinha vindo rodar um comercial, tive uma longa entrevista com o diretor Rob Cohen, que foi formidável e concluiu com ele chorando ao recordar os erros e acertos. Mas custo a crer que depois de ter criado a série Velozes e Furiosos (foi o primeiro a usar efeitos digitais para filmes de perseguição de carros) ele tenha cometido esta bobagem, que não é muito melhor do que episódio de série de TV.

Na verdade, a maior parte deles já era melhor do que esta história banal, mal escrita, ainda que com uma produção cara (rodada em Detroit, tem seu final num grande confronto que sucede num antigo cinema que foi convertido em estacionamento, mas ainda guarda os restos de seu luxo). O fracasso era inevitável (teria custado US$ 35 milhões e até agora não rendeu mais de 25, foi produzido pela Summit Lion´s Gate, a mesma da série Crepúsculo).

Claro que eu não guardei o nome Alex Cross , foi preciso pesquisar para ver que é o mesmo personagem feito por Morgan Freeman, em dois filmes de sucesso: Beijos que Matam/Kiss the Girls (97) e Na Teia de Aranha/Along came a Spider (01), ambos baseados em romances do mesmo James Patterson (o atual se chamava Cross e antes do fracasso planejavam uma continuação que iria se chamar Double Cross). Mas é um absurdo trocar o carismático e também mais velho Morgan por este Tyler Perry, que brasileiro desconhece inteiramente. Sinto me na obrigação de explicar um pouco de quem se trata:

Perry, Tyler (1969): Diretor, roteirista e ator americano, nascido em 14 de setembro, em New Orleans, Louisiana, famoso por seu personagem recorrente Madea, uma mulher negra de voz imponente e alívio cômico em muitos de seus filmes. Muito alto (1.97), começou escrevendo peças de teatro que lançava também em vídeo, baseado em Atlanta, Geórgia, conseguindo conquistar um sólido público negro de classe média. Em 2002, bateu recordes de bilheteria com seu primeiro grande sucesso em cinema, Diário de uma Louca. Desde então virou sucesso nacional, atraindo elencos mais importantes e público fiel. Também é responsável pelas séries de TV Tyler Perry´s House of Payne (2007-09) e Meet the Browns (09). Produz totalmente seus próprios filmes, contando apenas com o apoio de distribuidores. Esteve no elenco do novo Star Trek (2009). Extremamente prolífico, porém, já está em decadência.

O problema é simples: Perry não é bom ator, pode até funcionar em fazer tipos caricatos, principalmente quando travesti como é o caso da Madea (fica engraçado, até porque é muito alto e grandão para fazer mulher). Mas não tem o peso para fazer romance ou segurar um filme destes que pretende ser um thriller sob psicopata louco que ataca, primeiro fazendo vítimas com requintes de crueldade, depois vindo atrás dos policiais que o perseguem. Perry seria o chefe deles, o único que tem autoridade e que perde a mulher num atentado do maluco.

Outra atração relativa seria a presença do galã de teve Matthew Fox (figura central de Lost e com pinta de bonitão que aqui se submeteu a uma ideia de emagrecer que o deixou osso e músculos, num tipo muito estranho, cheio de rugas, ou seja, o tipo de coisa que ator adora fazer, criar um tipo diferente, fugir do trivial romântico.

Mas meu amigo Cohen não soube segurá-lo. Fox está descontrolado e nem sempre convence, num personagem muito forte de bandido (fiquei, a princípio, com medo do filme ter um lado sádico de mostrar mortes com certo prazer, mas foi falso alarme. Logo ele vira uma perseguição banal pela cidade, com conflitos caseiros, as mulheres sendo mortas (feministas poderiam mesmo tirar conclusões), conflito num metrô ao ar livre...

Enfim, a velha receita que só é um pouco modificada pela presença muito mal aproveitada do divertido francês Jean Reno.

Filminho, nada mais que isso.