RESENHA CRÍTICA: Astrágalo (L´Astragale)

Mas a diretora não tem fôlego para sustentar o que poderia ser um retrato de época

30/03/2016 13:54 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Astrágalo (L´Astragale)

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Astrágalo (L´Astragale)

França,15. 96 min. Direção de Brigitte Sky. Preto e Branco. Roteiro de Serge LePeron baseado em livro de Albertine Sarrazin. Com Leila Bekhti, Reda Kateb, Esther Garrel, India Hair, Jocelyne Desverchére, Jean-Charles Dumay. Brigitte Sy faz também o papel de Rita, o filho Louis Garrell é um fotografo e a filha dela Esther Garrel faz o papel de Marie.

Ainda me lembro bem da primeira versão chamado O Astrágalo versão de 1968, dirigida por Guy Casaril, e que foi um grande sucesso na França servindo para lançar como estrela a ruiva e sardenta argelina Marlène Jobert que durante alguns anos foi estrela (por exemplo em O Passageiro da Chuva com Charles Bronson) e hoje é mais lembrada como a mãe da interessante Eva Green. No filme estava junto do astro alemão Horst Buccholz e a felliniana Magali Noel. Marlène se aposentou no fim dos anos 80, trabalhando apenas com áudio books e livros para crianças sobre música clássica. Este Astrágalo foi um enorme sucesso como livro em 1965 da jovem argelina Albertine (que morreria com apenas 29 anos) e por extensão para Marlène). O diretor Casaril porém só fez filmes ruins dali em diante, inclusive uma pavorosa biografia de Piaf. O título estranho se refere a um osso do pé que a heroína quebra quando foge da prisão.

Mas era preciso refazê-lo agora que foi completamente esquecido? Ainda mais pela mulher do diretor Philippe Garrel, famoso por sua incompetência assustadora (alias é um mal de família, o pai é péssimo diretor, o filho ator Louis vai no mesmo caminho, curiosamente ele se revelou no filme Os Sonhadores justamente com a filha de Marlène, ou seja Eva ) e agora a mãe - que fez curtas e um outro longa - é igualmente sem talento). A história envelheceu mal e o elenco é extremamente fraco. O tempo a deixou ser uma história a la Bonnie e Clyde, em que Bonnie é mais importante como disseram os americanos como ladra, que passa a ser prostituta, bissexual, quase uma Jean Genet feminina. Curiosamente aqui também os dois atores centrais Leila e Reda também são argelinos e vieram do filme O Profeta. Fugindo do que poderia ser um drama romântico, tem um tom mais trágico e noir, por vezes antiquado (como o uso de back projection). Mas a diretora não tem fôlego para sustentar o que poderia ser um retrato de época, poderoso drama policial e trágica história de amor.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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