RESENHA CRÍTICA: Chef
O filme não passa de um faz de conta onde tudo é bonitinho e a comida é obviamente sensacional
Chef
EUA,14. Direção de Jon Favreau. 114 min. Comédia. Com Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Jon Favreau, Dustin Hoffman, Sofia Vergara, John Leguizamo, Bobby Canavvale, Emjay Anthohy, Andy Sedaris, Oliver Platt, Gloria Sandoval
Tinha uma certa expectativa com este filme que poderia vir a ser uma história sincera de um diretor que se cansou de fazer blockbusters e ganhar milhões e resolver voltar as raízes do cinema independente, retomando também o trabalho de ator (nos últimos no máximo fez participações na série O Homem de Ferro, e para provar que não estava brigado com o astro Roberto Downey Jr o colocou nua pontinha amigável aqui).
Mas não precisa nenhum detetive graduado que o filme não passa de um faz de conta, pseudo verdade quando de fato esta tentando dar uma volta por cima em sua carreira, para não virar um realizador de blockbusters sem coração. Então inventou (junto com 23 produtores!) esta bobagem superficial, vaga e inconvincente que achei uma ofensa aos inúmeros chefs que realmente sofrem, padecem, inventam, criam em contextos muito mais difíceis do que mero ego ferido. Não tem um empregado que o ataca a faca, um outro que o roubou, uma receita que consegue acertar, um aluguel que subiu demais... Enfim, ele viver naquele mundo de Hollywood onde tudo é bonitinho e a comida é obviamente sensacional (locações em Venice, Austin Texas, Miami Florida,New Orleans,Los Angeles). Só os personagens e as pessoas é que são totalmente fake.
Favreau para quem não lembra começou em filmes independentes e teve êxito num chamado Swingers, Curtindo a Noite, 96, optando depois por filmes grandes como Zathura, Cowboys & Aliens, Um Duende em Nova York. Quando foi tirado do Homem de Ferro 3, substituído por Shane Black e The Avengers, por Joss Whedon. Deve ter ficado claro que era melhor não brigar e fingir estar recomeçando, ainda mais com um tema tão popular atualmente quanto a culinária. O filme era barato e conseguiu uma receita decente para seu custo de 28 milhões de dólares (imaginem quanto homem tem esse sonho de mudar de emprego, pegar uma caminhonete e sair vendo comida mexicana).
Os amigos não deixaram de prestigiar (Dustin Hoffman, Scarlett Johanson, Sofia Vergara, o vilão que seria o rival Oliver Platt). Todos sem personagem e dançando musica cubana. Uma bobagem e uma mentira.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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