RESENHA CRTICA: O Duelo

Muito desigual, o filme poderia ter melhor destino se fosse melhor lanado

02/04/2015 14:14 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Duelo

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O Duelo

Brasil, 15. Direção de Marcos Jorge. Com Joaquim de Almeida, José Wilker, Patrícia Pillar, Claudia Raia, Marcio Garcia, Tainá Müller, Jarbas Homem de Mello, Castrinho, Sandro Rocha, Munir Kanan.

Depois de anos aguardando os direitos da história de Jorge Amado, por que estragar tudo com um pôster horrível e mau feito, um titulo que além de não ter nada a ver com a historia é por demais banal? Duas razões já para tornar fracasso um filme cuja expectativa estava basicamente na direção de Marcos Jorge, que tinha feito o interessante Estômago (que até hoje os críticos cultuam). Mas alguma coisa desandou, talvez a falta de recursos ou dinheiro. Isso poderia explicar porque a péssima direção de arte que não nos deixa entender direito nem onde se passa a história, esse Peri Peri dos diabos, nem em que época (os figurinos, por exemplo, abraçam no mínimo meia década de incertezas). E porque escolheram o ator Joaquim de Almeida, que duvido que signifique alguma coisa no mercado internacional e que de vez em quando fala com sotaque português, de vez em quando tenta falar brasileiro, enquanto muita gente reclama de o não entender. Este não é o problema, ele simplesmente não tem fôlego para segurar um personagem desses, que desde o começo era propriedade do Anthony Quinn, que sonhou durante décadas em interpretá-lo.

Reza a lenda oficial do site que, em 1961, Jorge Amado lançou o livro Os Velhos Marinheiros ou O Capitão de Longo Curso. Que tinha duas histórias, que eram A Completa Verdade sobre as discutidas aventuras do comandante Vasco Moscoso de Aragão, Capitão de Longo-Curso e A Morte e a Morte de Quincas Berro D´Água (assim mesmo duplo!). Os direitos que foram vendidos a Warner estavam prestes a terminar agora quando resolveram fazer o filme meio às pressas (no que acabou sendo o ultimo papel grande do saudoso José Wilker, que esta competente num personagem que resulta ingrato, embora tenha razão no que afirma, parece impertinente e briguento).

Basicamente seria sobre um sujeito que se diz Capitão de Navio da Marinha Mercante e que vai parar numa cidadezinha do litoral, sempre contando lorotas e causos dos mais absurdos. As pessoas da cidade acreditam nele e nos casos românticos que ele descreve, apesar de Wilker fazer de tudo para voltar documentado e provar que ele mentia. Então o filme tem um primeiro ato, depois um outro, muito longo, que mostra toda a saga do Capitão tentando conseguir seu título, com ajuda de amigos e finalmente um desenlace que ao menos é divertido e inesperado.

Embora seja irregular em tudo, mesmo em efeitos especiais (o diretor tenta unir a fantasias das lorotas com as pessoas que a estão ouvindo na mesma cena), o filme para mim teve certos prazeres. Fiquei contente em rever Patricia Pillar como uma charmosa mulher madura, em descobrir Jarbas Homem de Mello como um dos amigos do capitão (é um ótimo ator que fez teatro comigo e certamente é o melhor em musicais no Brasil, mas que ainda não teve sua chance antes em cinema e mesmo na TV). Em rever a linda Tainá Muller. Mas não com Claudia Raia no que é apenas uma figuração de luxo.

Muito desigual, o filme poderia ter melhor destino se fosse melhor lançado e customizado.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho jornalista formado pela Universidade Catlica de Santos (UniSantos), alm de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados crticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veculos comunicao do pas, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de So Paulo, alm de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a dcada de 1980). Seus guias impressos anuais so tidos como a melhor referncia em lngua portuguesa sobre a stima arte. Rubens j assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e sempre requisitado para falar dos indicados na poca da premiao do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleo particular dos filmes em que ela participou. Fez participaes em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minissries, incluindo as duas adaptaes de “ramos Seis” de Maria Jos Dupr. Ainda criana, comeou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, alm do ttulo, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informaes. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionrio de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o nico de seu gnero no Brasil.

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