RESENHA CRÍTICA: Truman (idem)
O filme tem qualidades raras que me fizeram correr atrás dos filmes anteriores do mesmo diretor
Truman (idem)
Espanha,15. Direção de Sesc Gay. Com Ricardo Darin, Javier Camara, Dolores Fonzi, Eduard Fernandez, Troilo, Alex Brendehmul, Pedro Casablanc, Elvira Minguez, Agata Roca, Silvia Abascal, Kika Miró, Pablo Schaupp.
Esqueça o nome estranho do diretor Gay e admire este drama emocional com que ele reencontra dois dos atores com que fez o filme anterior, o interessante O Que os Homens Falam (12), o argentino Ricardo Darin (outro argentino Daniel Burman é co produtor), e o espanhol Javier Camara (famoso por Fale com Eela de Almodovar). A história não é propriamente nova e ate Jack Nicholson fez uma trama semelhante (Antes de Partir, 07). Só que é mais humana, discreta, europeia (passa-se na Catalunha e Amsterdam). O filme teve um enorme sucesso de critica, ganhando melhores atores e filme no Festival de San Sebastian, 5 prêmios do Sindicato dos Escritores da Espanha, Fotogramas de Prata de melhor filme falado em espanhol, Premio Gaudi de melhor filme não em língua catalã, coadjuvantes (Javier e Dolores), diretor, roteiro e ator (Darin), Goyas de ator (Darin), coajuvante (Javier), roteiro, diretor e filme.
Desnecessário dizer que a dupla central está ótima, cada um a sua maneira. Mas é bom explicar que Truman não é um escritor ou político, mas o nome de um cachorro já com certa idade (tanto que o que fez o papel chamado Troilo morreu logo depois da filmagem) que vive com seu dono o ator Julian (Darin). Seu velho amigo Tomás que mora na Espanha (Javier) vem visitá-lo por apenas 4 dias e assim se intera da situação. Depois de tentar curar durante muito tempo o câncer no pulmão, ele tem a noticia do médico que não há mais nada a fazer, a não ser a quimioterapia. Decide então não se cuidar mais (embora ainda esteja em cartaz no teatro numa montagem de Ligações Perigosas) e procurar um lar para Truman. Aos poucos, os amigos se reaproximam enquanto Julian tenta fazer as pazes com os que ofendeu e rever o filho que estuda em Amsterdam. Tudo sem surpresas e sem excesso de lágrimas, mas narrado com delicadeza e estilo. Qualidades raras que me fizeram correr atrás dos filmes anteriores do mesmo diretor.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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