Schock em DVD
Viúva casa-se novamente e vai morar na antiga casa da família, junto com seu filho pequeno. Tudo parece tranquilo, até que ela é assombrada pelo fantasma do ex-marido
Schock (Idem). Itália, 1977, 94 min. Terror. Dirigido por Mario Bava. Distribuição: Versátil Home Video
Sinopse: Viúva, Dora (Daria Nicolodi) casa-se novamente e vai morar na antiga casa da família, junto com seu filho pequeno. Tudo parece tranquilo, até que ela é assombrada pelo fantasma do ex-marido, cujas aparições e a mudança de comportamento do filho a levarão à loucura.
Último terror italiano do “mestre do macabro”, Mario Bava (1914-1980), que faleceu três anos depois de terminar a fita, escrita pelo filho, Lamberto Bava, com auxílio de outros três roteiristas. De clima tenso, com aspecto contundente de suspense psicológico, o trabalho de Bava flerta com o gore (sangrento) e estende-se a elementos visuais impressionantes em cenas memoráveis, como a escultura da mão que se mexe, a lâmina de barbear entre as teclas do piano, a criança em estado de transe com os olhos virados e as breves manifestações do fantasma em forma de corpo putrefato. Filmado em Roma e em São Francisco em pouquíssimos dias, com orçamento reduzido, esse filme-despedida de Bava realça a marca autoral plural e a estética do maior cineasta de horror italiano de todos os tempos (quem não conhece dele “A maldição do demônio”, “As três máscaras do terror”, “O ciclo do pavor” ou “Lisa e o diabo”, todos lançados pela Versátil, esta obra pode ser uma boa iniciação à extensa filmografia do diretor).
Na matriz do elenco vemos Daria Nicolodi, companheira de vida de Dario Argento (e atriz recorrente dos filmes dele), mãe de Asia Argento, cujo papel de protagonista cresce da sanidade à loucura, sempre com medo latente no olhar diante dos sinistros acontecimentos que presencia. Um de seus melhores desempenhos no cinema (Daria teve carreira curta, com 20 filmes, vários como ponta e sem crédito, e está afastada das telas desde 2007).
“Schock” sai no Brasil em versão restaurada pela Versátil, na caixa “Obras-primas do terror – Volume 4”, acompanhado de cinco outros títulos altamente recomendados aos fãs do gênero: “A filha de Satã” (1962), “Sob o poder da maldade” (1967), “Nasce um monstro” (1974), “A casa do cemitério” (1981) e “A espinha do diabo” (2001).
PS: No Brasil chegou a ser exibido na TV com o título “Os demônios da noite”, enquanto nos Estados Unidos chamou-se “Beyond the door II” (não existe a parte um, e sim uma fita de fantasma italiana “Espírito maligno”, de 1974, que lá recebeu o nome de “Beyond the door”).
Sobre o Colunista:
Felipe Brida
Jornalista, cr?tico de cinema e professor de cinema, ? mestre em Linguagens, M?dia e Arte pela PUC-Campinas. Especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp e em Gest?o Cultural pelo Centro Universit?rio Senac SP, ? pesquisador de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades, e ? professor titular de Comunica??o e Artes no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva), no Senac Catanduva e na Fatec Catanduva. Foi redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL) e do boletim informativo "Colunas e Notas". Desde 2008 mant?m o blog "Cinema na Web". Apresenta quadros semanais de cinema em r?dio e TV do interior de S?o e tem colunas de cinema em jornais e revistas de Catanduva. Foi j?ri em mostras e festivais de cinema, como Bag?, An?polis, Bras?lia e Goi?nia, e consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canada). Ex-comentarista de cinema nas r?dios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003). Escreve resenhas especiais para livretos de distribuidoras de cinema como Vers?til Home V?deo e Obras-primas do Cinema. Contato: felipebb85@hotmail.com
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