A Questao Homerica: Uma Odisseia
Nascida da oralidade, a literatura sofistica-se em imagens grandiloquentes
Para os contemporâneos gregos, Homero teve existência, foi o fundador da literatura helênica. Para os críticos de nossa época (séculos XX e XXI), Homero, como um indivíduo, não existiu: um simulacro à Jean Baudrillard? Mas as obras que os gregos lhe atribuíram existiram. Odisseia (século VIII A.C., provavelmente) é um pilar de todo o imaginário original da literatura ocidental. Tem os aspectos iniciáticos das primeiras narrativas literárias: como uma história contada à porta duma cabana, num lugar isolado, para ouvintes embasbacados. Nascida da oralidade, a literatura sofistica-se em imagens grandiloquentes e navegantes em seus inícios: por mares nunca dantes navegados. Pela tradução de Manoel Odorico Mendes, em sintaxe, jeito da frase e algum vocabulário, nota-se que se busca uma aproximação ao português antigo, a Odisseia em português parece-se um pouco com a escrita dos poemas de Luis de Camões, como se os gregos fossem os Lusíadas do renascimento. “Repetir o narrado é fastidioso”. Por isso o Homero com o qual deparamos no português de Odorico Mendes se concentra na reinvenção pela linguagem, quando os fatos já se incorporaram ao domínio público em todos os seus lances.
(Eron Duarte Fagundes – eron@dvdmagazine.com.br)
Sobre o Colunista:
Eron Duarte Fagundes
Eron Duarte Fagundes é natural de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, onde nasceu em 1955; mora em Porto Alegre; curte muito cinema e literatura, entre outras artes; escreveu o livro ?Uma vida nos cinemas?, publicado pela editora Movimento em 1999, e desde a década de 80 tem seus textos publicados em diversos jornais e outras publicações de cinema em Porto Alegre. E-mail: eron@dvdmagazine.com.br
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