RESENHA CRÍTICA: Paterson
Numa safra de excesso de filmes superestimados e medíocres, foi uma surpresa para mim este delicado e muito especial trabalho novo do diretor Jarmusch
Paterson
EUA, 16. 1h58. Direção e roteiro de Jim Jarmusch. Com Adam Driver, a iraniana Golshiften Farahani, Nellie, Rizwan Manji, Dominic Liriano. Montagem do brasileiro Affonso Gonçalves.
Numa safra de excesso de filmes superestimados e medíocres, foi uma surpresa para mim este delicado e muito especial trabalho novo do diretor Jarmusch (inédito nos cinemas por aqui), que já foi cultuado no Brasil. Este é francamente pessoal e subestimado (foi premiado em Cannes pelo melhor cachorro Nellie, indicado por alguns críticos como do Los Angeles, mas nada de significativo). Mas deveria ser o tipo de filme que critico devia admirar.
Um projeto antigo do diretor que levou cerca de 20 anos para realizá-lo, usando poemas quase sempre de seu poeta favorito Ron Padgett, alguns criados especialmente para o filme. Alguns deles do próprio diretor e o que aparece no final do filme, é, na verdade letra de famosa canção premiada com o Oscar de O Bom Pastor (sucesso no Brasil ). Mas a melhor escolha é do estranho Adam Driver, revelado na série Girl e que esta também no filme de Scorsese Silêncio. Ele é apenas um motorista de ônibus, que todos os dias faz a mesma coisa, sai de casa onde vive sua bela e discreta esposa e no caminho vai passando por paisagens algumas belas, outras banais, ouvindo conversas de velhos e crianças, ocasionalmente tendo pequenos acidentes. E só isso, uma viagem poética pelo tempo banal basicamente de New Jersey numa lição de como fazer um filme bonito e cheio de citações. Que nem todos vão admirar, mas que realmente merece ser checado.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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