RESENHA CRÍTICA: Thor: Ragnarok (Idem)

A aventura padrão desta vez é movimentada, bastante divertida até pelo esforço do elenco em que fazer tudo com um discreto humor

26/10/2017 16:17 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Thor: Ragnarok (Idem)

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Thor: Ragnarok (Idem)

EUA, 17. 2h10min. Direção de Taika Waititi. Roteiro de Eric Pearson, Craig Kyle, Christopher Yost. Com Cate Blanchett, Chris Hemsworth, como Thor, Chris Hiddleston (como Loki), Cate Blanchett (Hela), Idris Elba( Heimdall), Jeff Goldblum, Tessa Thompson (Walkyne), Karl Urban, Mark Ruffalo, Anhony Hopkins (Odin), Benedict Cumberbatch (Doctor Strange), Taika Waititi (como Korg), Sam Neill.

Será apenas impressão minha ou esta vez neste novo filme da Marvel começa a dar sinais de cansaço e repetição? Pois se não é já, muito em breve. Parece que caiu numa rotina e para sair dela optaram por continuar a política de um novo diretor a cada novo filme, todos eles praticamente desconhecidos e sem dar muitos sinais de talento. Este aqui é um certo Taika Waititi (ou Taika Cohen, Neo Zelandês/Judeu, 1975), que também faz pequena aparição na história como Korg, e que tem como crédito mais famoso a direção e performance numa série meia cult que passava na HBO chamada Flight of the Concords que eu achava horrível. Tem mais de vinte créditos como diretor (mas os nomes que aparecem no IMDB não me lembram nada, nem que tenham passado por aqui).

Ou seja, a aventura padrão desta vez é movimentada, bastante divertida até pelo esforço do elenco em que fazer tudo com um discreto humor (nunca chega a ser chanchada). Começando pelo próprio protagonista Chris que começa com um super solo, sem ter medo de ser meio clown, enquanto lhe sucedem vários problemas e disputas, na qual se inclui o reencontro do pai Odin (Hopkins, brincando com uma montagem teatral), o retorno do irmão Loki (depois de já ter uma carreira variada desta vez também vira parceiro de humor) e uma muito fotogênica aparição da incansável Cate Blanchett que se transfigura na mais bem vestidas das bruxas (reza a divulgação que foi o filho dela que insistiu que aceitasse o personagem que é relativamente curto, mas segundo o garoto iria ter repercussão!). Não sei se mais uma bruxa é exatamente uma boa pedida, ou repetir as brincadeiras finais nos letreiros, hoje em dia uma praxe (duas desta vez, segundo que o número de sketch cômico de Jeff Goldblum, é medíocre apesar de seu esforço). Ou seja, em breve é bom renovar!

Ou seja, o que o filme novo aparenta é justamente não ser não tão novo, é curta demais a aparição da interessante Walkyrie, Tessa Thompson que supostamente seria masculinizada (o que não achei), mas fez é me lembrar da sua presença marcante na série como Charlotte em Westerworld. Já deu para entender o que é o filme uma sucessão de gags e episódios, desta vez menos marcantes (Mark Ruffalo fica sumido e o Hulk de animação parece ainda mais contraído do que anteriormente). Assim como os descartáveis Doctor Strange, Karl Urban (como Skurge que poderia ser um super papel mas não imprime). Enquanto apesar dos fãs de Idris Elba este não vai muito longe. O problema não é dele, mas do filme em geral. Que é juvenil, descartável, mas não desagradável.

 

Thor Ragnarok

Por Adilson de Carvalho Santos

O mais recente capítulo no universo compartilhado Marvel usa de humor e ação unindo dois heróis de peso, mas mistura duas narrativas diferentes das HQs.

Ragnarok é o apocalipse da mitologia nórdica no qual os deuses (Thor, Loki, Odin etc...) perecem, o mundo é mergulhado em cataclismas encerrando um ciclo para depois renascerem e repovoarem o mundo. Já tendo sido objeto de estudos acadêmicos, o Ragnarok pode ser lido em poemas como o “Edda”, compilação datada do século XIII. Nos quadrinhos da Marvel, o apocalipse nórdico foi primeiro explorado por Stan Lee & Jack Kirby em “Thor” #157 (outubro 1968). A chegada do demônio Mangog, quatro meses antes, colocou o filho de Odin diante da eminente destruição de Asgard, almejada por Hela, a deusa da morte, surgida em 1964. Nas histórias de Lee & Kirby, Hela nunca foi a filha de Odin, mas segundo a tradição nórdica contada no “Edda” e outros textos históricos, ela é a filha de Loki. Em 1978, Roy Thomas e John Buscema voltaram a tratar do assunto (publicado no Brasil em “Herois da TV” #99). Um dos melhores arcos a traçar o destino final dos deuses se deu, no entanto, na primorosa “Saga de Surtur”, escrita e desenhada por Walt Simonson em 1984, a primorosa narrativa explorar todos os elementos mergulhados na tradição das lendas nórdicas. Sendo um evento cíclico, embora adiado ao final de fase Simonson, o Ragnarok finalmente caiu sobre os deuses de Asgard no período em que os Vingadores foram reformulados por Brian Michael Bendis no arco “A Queda” (2004 3 2005). Lógico que pouco tempo depois os deuses renascem e um novo título do deus do trovão é iniciado por J.M.Strancswiski (criador da série de TV “Babylon 5”) e Oliver Coipiel.

 Se o filme fosse adaptar com seriedade o Ragnarok, deveria de aparecer o Lobo Fenris, o nobre Balder, a Serpente de Midgard e outros elementos ligados ao profético fim dos asgardianos. Além disso o evento é de uma dimensão que não caberia em um filme preocupado em se conectar com o anunciado “Vingadores: Guerra Infinita”. Não há humor nas histórias mencionados, uma vez que o personagem sempre foi mais sisudo que sua representação por Chris Hemsworth iniciada em um pálido filme inicial em 2011, continuado com uma sensível melhora em 2013 e, depois da participação em dois filmes dos Vingadores, chegamos ao terceiro filme solo do personagem.

 Diluindo ainda mais o impacto do que seria de fato o Ragnarok, Thor divide a cena com o “Hulk”, um riquíssimo personagem relegado ao status de coadjuvante nos filmes do Marvel Studios já que a Universal, detentora dos direitos do personagem, não autoriza a realização de um filme solo do herói verde. Nos quadrinhos, Thor e Hulk se enfrentaram em diversas ocasiões começando com a clássica edição “Thor” #112 (janeiro de 1965) anunciada como a batalha épica do ano com a arte maestra de Jack Kirby, este sendo co-criador do universo Marvel (Sim, Stan Lee NÂO É o único pai dos heróis da editora), Pouco divulgado é o fato de que nos anos 50, Kirby havia criado uma versão de Thor para a concorrente DC Comics. O herói que conhecemos hoje e popularizado pelos filmes do universo cinemático Marvel/Disney estreou em agosto de 1962 na 83ª edição da revista "Journey Into Mystery". A partir da edição #97, Lee & KIrby exploram toda a riqueza da cultura nórdica em histórias curtas batizadas ‘”Contos de Asgard”. Nesse período Thor era um entre outros personagens publicados em “Journey into Mystery”, um título de antologias. A partir do número #104 o herói passa a ostentar seu nome abaixo do nome da revista, ganhando destaque cada vez maior até que na edição #126 passa a se chamar apenas “The Mighty Thor”. No Brasil o personagem chegou em 1967 pela editora Ebal que o publicou nas páginas de “Album Gigante”, enquanto na TV, o personagem teve seu próprio desenho animado produzido pelo estúdio canadense Grantray-Lawrence Animation, e popularizado pelo programa do saudoso Capitão Aza na antiga Tv Tupi.

 O filme atual também não é a primeira vez que os heróis se enfrentam em um filme compartilhado. Em 1988, o telefilme da NBC “A Volta do Incrível Hulk” trazia Bill Bixby & Lou Ferrigno interpretando a popular versão de carne e osso do dicotômico herói verde da Marvel. Nele, o Dr. Banner luta ao lado de Thor, invocado pelo Dr.Donald Blake (sua identidade secreta criada por Lee & Kirby) a cada vez que este grita “Odin” e ergue o martelo do herói. Levado ao em Maio de 1988, e pouco depois exibido pelo SBT no Brasil, a intenção inicial era fazer deste o piloto de uma série do Thor, nos mesmos moldes da estrelada por Bixby/Ferrigno, o que acabou não acontecendo.

 O Hulk aliás aparece no filme “Thor Ragnarok” como um coadjuvante de luxo com elementos enxertados no filme extraído do popular arco “Planeta Hulk”, escrito por Greg Pak (2006) onde o herói foi exilado em um outro planeta, tornou-se gladiador e depois grande líder daquele povo. Misturar elementos de “Planeta Hulk” e “Ragnarok” foi uma jogada da Marvel para satisfazer os fãs do Hulk, interligando-o aos eventos de sua atual fase anunciada para terminar no mais distante “Vingadores 4” e, assim como o Ragnarok nórdico traçar um fim para um ciclo para começar um outro com renovação de personagens e elenco. Afinal, o fim apontará um novo começo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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