RESENHA CRÍTICA: Os Iniciados (The Wound/Inxidoa)
Foi para mim um filme surpreendente que eu também recomendo pela garra e originalidade
Os Iniciados (The Wound/Inxidoa)
França, Alemanha, África do Sul, Holanda, 2017. 1h28min. Direção de John Trengove. Com Nakhane Touré, Bongile Mantsai, Niza Jay.
Este é um dos melhores filmes de temática homossexual que assisti nos últimos anos. Um drama diferente que nos revela toda uma cultura para nós desconhecida, feito com muita delicadeza e franqueza, humano, sério, trágico e tocante.
Foi exibido em Sundance e Berlim, mas premiado em vários Festivais. African American Film Critics Association, Valencia (filme e ator), Cartago, Durban (ator e filme), Frameline San Francisco, LA Outfest, LsGaiCineMad Madrid (roteiro), London (filme), Mumbi (grande prêmio do júri), Queer Lisboa Ifilme), Sarasota (filme), Taipei (diretor), Torino (diretor), World Cinema Amsterdam (filme).
Não conhecia o diretor John Trengove que fez antes muitas series de teve e curtas, e surpreendentemente este é seu longa de estreia. Levou também o prêmio de melhor filme de estreante do importante BFI London Film Festival. Dá para entender o porquê. E chegou a ser indicado para representar a África do Sul neste atual Oscar. Segundo o IMDB, e reproduzo o que está no site, ele vive entre Johannesburg e São Paulo, onde mora com seu companheiro brasileiro o conhecido e respeitado diretor Marco Dutra (Trabalhar Cansa, Quando eu Era Vivo, O Silencio do Céu, As Boas Maneiras).
A julgar por este trabalho e por eu também ser amigo de Dutra, embora não conheça este diretor, respeitei muito esse seu trabalho original, mexendo com tabus africanos, mas particularmente a tradição do Xhosa ou Ukwaluka de realizar operações com os jovens para cortar parte de seu pênis para que ele possa emergir para adulto. Uma forma mais antiga do que a circuncisão que ocorre numa região de montanha, por jovens que ainda acreditam nesse rito, mas nada é explicitado (parece que é o caso de todos os envolvidos, mas o protagonista é cantor e ator profissional no país). O problema é que o herói é homossexual e há muito tempo que mantém uma ligação com um colega mais velho, casado e com filhos e que agora deseja se livrar dele. Outros desconfiam da história deles.
Foi para mim um filme surpreendente que eu também recomendo pela garra e originalidade.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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