RESENHA CRÍTICA: Deadpool 2 (Idem)

Acho que o primeiro filme surpreendia obviamente mais, mas este é irônico, sardônico e ligeiro, brincando com tudo até a origem canadense de Reynolds!

14/05/2018 23:34 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Deadpool 2 (Idem)

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Deadpool 2 (Idem)

EUA, 2018. 1h59min. Direção de David Leitch. Roteiro de Rhett Reese, Paul Wernick, Ryan Reynolds. Com Ryan Reynolds (Wade Wilson ou Deadpool ), Josh Brolin (Como Cable, Nathan), Morena Baccarin, Zazie Beets (como Domino), Bill Skarsgard (como Zeitgeist), Brianna Hildebrand (como Negasonic),T.J. Miller (Weasel), Terry Crews (Bedlam), Eddie Marsan, Lewis Tan, Julian Dennison (o garoto com poderes),Leslie Uggams (a cega), Stefan Kapici (voz de Colossus), Karan Soni (o motorista de táxi).

É curioso como a sorte e um obscuro talento podem se unir e dar certo. O diretor Leitch até agora era apenas um ator de terceira categoria, mais lembrado como seu trabalho como dublê de cenas de perigo (82 créditos), sendo o mais recente trabalho o pouco elogiado Atômica (17), com Charlize Theron. Mesmo assim conseguiu este projeto (o primeiro filme e anterior, de 2016, foi realizado por Tim Miller, animador e especialista em efeitos). Ele anunciou em outubro 2016, que não voltaria para a continuação. Decidiu fazer isso por causa de “diferenças mútuas e criativas com o ator Ryan Reynolds, que surgiram na pré-produção deste filme”. Miller mais tarde declarou que “não queria fazer um filme estilizado que custava três vezes mais do que o orçamento original” e que teria preferido fazer um filme semelhante ao primeiro!

Certamente estas foram palavras até gentis para o inevitável desencontro de astro e diretor, coisa mais do que comum. Certamente Ryan queria mesmo era ter o poder único de brilhar naquilo que achava que seria mais engraçado, ousado e atrevido. Por que na verdade é um exemplo de plena modéstia quando se estrela um filme onde o protagonista aparece em noventa por cento da projeção com o rosto coberto, não apenas por sua roupa estranha (que já não revela muito ou quase nada), mas principalmente porque logo do começo em diante todo seu rosto e mãos são marcados por uma maquiagem que o retrata como vítima de queimaduras ou coisa que o valha! Ou seja, de bonito não tem nada (mas mesmo assim continua apaixonado pela brasileira Morena Baccarin, que faz sua amada Vanessa, mas que por razões várias aparece pouca nesta continuação. Espera-se que continue nos próximos filmes porque ela tem uma imagem diferente e insinuante. Faria muita falta).

Mas numa primeira impressão e eu irei ver de novo porque tem muita ação rápida onde é fácil perder detalhes, por exemplo uma aparição rápida de Brad Pitt, mesmo quando não pode aceitar uma participação maior como Cable. Ou a curiosidade de ser novamente e tão perto a presença de Josh Brolin fazendo o papel importante justamente de Cable, tão perto de outro evento Marvel, que foi Thanos em Avengers. Não aprecio o ator, mas nos dois filmes achei-o em plena forma e com uma presença forte e adequada. Por outro lado, o filme não me parece adequado para crianças pequenas: tem grande quantidade de palavrões (que se lê nas legendas porque as cópias dubladas depois são exibidas na televisão onde não podem ter essas liberdades!) ou então referências sendo que algumas delas são mal traduzidas porque essa deve ser a desculpa ao falar de gente famosa na América, mas esquecida aqui (como Mario Lopez) ou então a utilização maciça de clássicos da musica pop ou da Broadway (como Annie, ou country com Dolly Parton, Flashdance, ou então rivais como o personagem Logan e assim por diante). Ou seja, quem não for letrado no universo pop de tempos atrás, pode perder muita coisa.

Os mais velhos e mais informados terão porém uma grande salada Pop de quase tudo que se poderia imaginar, até alguns detalhes de traseiros e criança desnuda. Não é escandaloso, talvez seja insolente, mas esta é a natureza do projeto e do que eles consideram humor. Ou seja, a plateia bem informada da pré estreia delirou com o filme talvez haja uma falha mais ou menos na metade, quase se arrasta um pouco. Mas pode ser também que o ritmo e ação -trombadas e explosões - sejam tão frenéticos que, como já disse, exige uma segunda sessão. Acho que o primeiro filme surpreendia obviamente mais, mas este é irônico, sardônico e ligeiro, brincando com tudo até a origem canadense de Reynolds! Há também muitas referências a mutantes e as figuras das próximas aventuras deles pela Fox, os novos Mutantes e Fênix Negra, ambos previstos para o ano que vem! E tem uma conclusão logo após os letreiros que me pareceu inteligente (outra vez serão os fãs que a entenderão melhor).

Enfim, estamos bem servidos como diversão de alto custo!

 

Deadpool 2

Por Adilson de Carvalho Santos

Desde sua primeira aparição em 1991 (The New Mutants #98), o mercenário tagarela Deadpool tem crescido sua popularidade, ganhando espaço muito além do papel de mero coadjuvante dos heróis mutantes da Marvel. Seu estilo debochado, não convencional, dialoga com o leitor quebrando a quarta parede, a barreira imaginária que separa o público da ficção. Nas hqs, e depois no cinema, o público parece ter se identificado com seu tom caótico e demolidor que não se preocupa tanto em salvar o mundo quanto em tirar um sarro de tudo e de todos, até de si mesmo.

Quando Fabian Nicieza e Rob Liefield criaram o personagem plagiaram descaradamente o vilão Exterminador da rival DC Comics, seja no visual ou em seu nome Wade Wilson (corruptela de Slade Wilson da outra editora). Desde sua primeira aparição nas hqs, que no Brasil se deu em “X Men” #72 (1994) pela Editora Abril, o personagem se destacou deixando claro que ele pode ser super, mas está longe de ser um herói, conforme afirma no início do primeiro filme de 2016. Deadpool foi o último improvável sobrevivente de um experimento que tenta recriar o fator cura de Wolverine, do qual aceitou participar por conta de um câncer terminal que o deixa com nada a perder. Sua agilidade e força não o torna um digno defensor da lei, mas faz dele um mascarado aventureiro desprovido do altruísmo típico do gênero, e cujo sucesso se deve justamente por seus deméritos morais e língua assumidamente chula.

Tais características estavam completamente ausentes quando Ryan Reynolds apareceu em “XMen Origens: Wolverine” (2009), fosse no visual ou na insanidade desenvolvida depois que seu rosto foi desfigurado no processo que lhe deu poderes. O ator canadense estava, no entanto, planejando um filme do personagem desde 2004, mas a Twentieth Century Fox acabou engavetando o projeto, temerosa pelo conteúdo adulto pretendido. Um filme nesses moldes seria um risco pois reduz o alcance das bilheterias; e assim, Reynolds acabou assinando com a Warner para o papel central de “Lanterna Verde” (Green Lantern) em 2011. Se o filme do herói verde da DC Comics tivesse dado certo, o contrato de Reynolds teria emendado sequências, o que teria atrapalhado bastante um filme do mercenário tagarela da Marvel. Na época, Reynolds declarou que tudo era possível e que assim como Harrisson Ford fazia Han Solo e Indiana Jones, ele poderia também viver dois heróis de estúdios concorrentes. O fato é que o fracasso de “Lanterna Verde” foi bom para que Reynolds retomasse o projeto de fazer Deadpool, e como teria nas mãos um orçamento modesto, estimado em torno de US$58 milhões, as pressões do estúdio seriam menores e dariam a Reynolds controle maior sobre o projeto. O diretor Tim Miller, egresso dos efeitos visuais, faria sua estreia na cadeira, que chegou a ter o nome de Robert Rodriguez atrelado ao projeto.

A trama do filme, lançado em 2016, é narrada em flashback respeitando os elementos que conferiram ao personagem a popularidade nas HQs: violência, mordacidade nos diálogos, metalinguagem, nenhuma pretensão de ser sério e uniforme idêntico aos quadrinhos originais. Em sua história de vingança contra o mutante Ajax (Ed Skrein), responsável pela transformação de Wade, ainda desfilam pela tela a bela Vanessa, garota de programa e amada de Deadpool, papel desempenhado pela brasileira Morena Baccarin. O filme mantém ainda relação com o universo dos heróis mutantes com a presença do herói russo Colossus, através da captura de movimentos do ator Stefan Kapicic, e a cômica e infame tirada de Deadpool sobre o Professor Xavier ser Patrick Stewart e James McAvoy. O roteiro não faz concessões, sobrando até farpas para o filme do Lanterna Verde, e dessa forma se mostra fiel ao material impresso da Marvel com direito à costumeira presença de Stan Lee em uma de suas aparições cameo, desta vez como um MC no clube de strip. Lee virou símbolo da cultura pop, e “Deadpool” atinge em cheio ao público jovem que compareceu em peso às salas de exibição com um lucro acima de US$300 milhões na bilheteria.

A sequência veio a ser anunciada antes mesmo da estreia do filme de 2016, que ainda teve o feito de ganhar prêmios como o “Saturn Awards” (2016), prêmio dado aos filmes do gênero fantasia e ficção científica, o “Critics Choice Award” (2016), o “MTV Movie Award” (2016), o “People’s Choice Award” (2016) e outros. A direção do segundo filme ficou com David Leitch (Atômica), ex-coordenador de dublês, depois que Tim Miller saiu do cargo devido a desentendimentos com Ryan Reynolds. O papel do mutante Cable (nas hqs este é filho de Ciclope e Jean Grey) quase ficou com Brad Pitt, mas foi para as mãos de Josh Brolin, o intérprete de Thanos no recente sucesso “Vingadores: Guerra Infinita”. A presença de Brolin, ator que foi parte do clássico “Goonies” (1985) rende uma piada inevitável do mercenário tagarela que o chama de “Willy Caolho”, referência ao pirata do filme dos heróis mirins do filme de Spielberg. A presença do personagem Cable reforça rumores de que a Fox planeja um filme da “X Force”, equipe mutante liderada por Cable nas hqs. Dos quadrinhos originais o filme ainda traz a mutante Dominó (Zazie Beetz), o vilão mutante Black Tom Cassidy (Jack Kesy) e os retornos de Morena Baccarin e Brianna Hilderbrand como a adolescente Missil. Outro atrativo é a presença do popular ator Terry Crews, sempre reconhecido como o Latrell de “As Branquelas” (2004). Os bastidores do filme, no entanto, tiveram uma tragédia: a morte da dublê Joi Harris em Agosto de 2017 em acidente de moto durante as filmagens.

O personagem de Reynolds não se permite abater, e o filme retoma o tom jocoso do anterior como no cartaz promocional parodiando o clássico “Flashdance” (1983), e ainda trouxe para a trilha sonora Air Supply, A-Ha, Cher, e a icônica Celine Dion que gravou um divertido videoclipe com a presença do mascarado desbocado. Com orçamento estimado em torno de US$100 milhões para essa segunda aventura, já está previsto um terceiro filme para 2020, o que a julgar pela expectativa do público não será nenhuma surpresa reencontrar esse anti-herói, que como o próprio se auto-define no primeiro filme, é apenas um cara mau que luta contra caras piores ainda. A diversão está garantida, com luzes, câmera, ação e risos.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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