RESENHA CRÍTICA: Benzinho (Loveling)
Não posso esconder que tenho especial simpatia por este filme humano, simpático, muito brasileiro
Benzinho (Loveling)
Brasil, 2018. 95min. Direção de Gustavo Pizzi. Com Karine Teles, Otavio Muller, Adriana Esteves, Cesar Troncoso, Mateus Solano, Camillo Pelegrino e Constantino Salles (e dois filhos do casal Pizzi, apesar dele já estarem separados continuam a trabalhar juntos).
Não posso esconder que tenho especial simpatia por este filme humano, simpático, muito brasileiro e que já esta em cartaz nos cinemas logo depois de ter feito sucesso merecido no Festival de Gramado, onde ganhou os prêmios do público, da crítica, do júri para atriz (a carismática Karine Teles que já está na Globo), e a brilhante e grande atriz Adriana Esteves, que aceitou um papel menor que lhe valeu o prêmio de atriz coadjuvante. Também levou dois prêmios em Málaga.
Conheci o diretor num Festival de cinema brasileiro em Los Angeles e depois uma vez anterior em Gramado onde ganhou prêmio pelo primeiro longa de ficção, aliás, com Karine que foi Riscado (2010). Fez também um documentário chamado Pretérito Perfeito (06). Tudo vem confirmar a impressão que tive que este seria o possível sucesso de surpresa do cinema brasileiro neste ano. Se bem que nunca chegue a exageros ou chanchadas. Oportuno e divertido, é o tipo do filme muito difícil de se encontrar hoje em dia.
Já acho o título do filme muito bem sacado: é sobre o primogênito de uma família de classe média com 4 filhos que é convidado para jogar handebol na Alemanha o que provoca em sua mãe (Karine) sentimentos contraditórios, ela ainda tem problemas para conseguir um diploma de secundário, e, além disso, tem que ajudar a irmã problemática que saiu de sua casa com um filho (Adriana Esteves), lidar com a instabilidade do marido com problemas em sua loja (o ator subestimado Otávio Müller) e ainda se desdobrar para dar atenção ao seus outros filhos. O lado bom é que o filme passou em Sundance e conquistou admiradores (foi inscrito para o Oscar e por enquanto eu voltaria nele!). Vi também elogios da crítica estrangeira sobre o que chamaram de Flashes impressionistas!
Mas a uma coisa tenho a certeza: as mães e mulheres irão adorar e se divertir e se identificar com este notável filme.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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