RESENHA CRÍTICA: O Predador (The Predator)

Francamente não consegui salvar em praticamente nada nesta continuação grosseira e violenta demais, isso sem maior necessidade

13/09/2018 17:03 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: O Predador (The Predator)

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O Predador (The Predator)

EUA, 18. 1h47min. Direção de Shane Black. Roteiro de Shane, Fred Dekker, personagens criados por Jim e John Thomas. Com Boyd Holdbrook, Jacob Tremblay (nascido em 2006, canadense de O Quarto de Jacob, 2015), Thomas Jane, Trevante Rhodes, Keegan Michael Key, Olivia Munn, Sterling K. Brown,Alfie Allen, Augusto Aguilera, Jake Busey e Yvonne Trahosky.

Logo depois de terminado o filme soube-se agora do anúncio de que este filme poderá ser visto no Brasil pelos menores 16 anos (e não apenas 18! – NE: a classificação foi alterada para 18 anos). Coitados dos pais que tiverem essa infelicidade, ainda mais se, como eu, eles viveram o Predadores anteriores, respectivamente o original de 1985, seguido por outro menor mas ainda interessante Predador 2, a Caçada Continua, de Stephen Hopkins, 2010 e até um bem mais modesto mas tolerável e ate divertido chamado Predadores que teve a nossa Alice Braga! O fato é que o Predador original de 1987 era muito legal, além de trazer o boato que Jean Claude Van Damme havia sido um dublê do filme (mas que brigou com a equipe, na época, ele era um astro super famoso por aqui!

Francamente não consegui salvar em praticamente nada nesta continuação grosseira e violenta demais, isso sem maior necessidade. Alias a figura do próprio atual Predator (são mais do que um, incluindo alguns animais esquisitos) é das presenças mais feias e menos claras. Impliquei em primeiro lugar com a escolha para o galã central desse tal de modelinho Boyd Holdbrook, que é das coisas menos expressivas e neutras que o cinema já teve (ele esteve em Logan, mas foi como um dos agentes da série Narcos que deixou menos lembranças. Esteve ainda em Garota Exemplar, Noite sem Fim etc. Mas é absolutamente incompetente como carisma ou presença. Aliás, a mocinha da história, a cientista feita por Olivia Munn, é igualmente descartável, mas nada tão triste do que ver um irreconhecível Thomas Jane. Minto, é pior ainda ver o menino Jacob magrinho e sem luz. Aliás todo o elenco de apoio é absolutamente desperdiçado na sucessão de corridas, perseguições, palavrões (mais no texto original, as legendas foram mais discretas) e no cansativo vai e vem do vai e vem, com os colegas cientistas e o obscurecido Predador e Família que nem sequer impressiona ou deixa sua marca. Não vi muita graça nem nos diálogos, nem com o trocadilho com Whoopi Goldberg, muito fora de hora.

É interessante saber que este filme nasceu por causa de Shane Black (conhecido como o escritor do filme de 87 e que também havia feito um personagem Hawkins, no filme original). Ele é famoso por ser roteirista de ação (desde quando criou o primeiro e segundo Maquina Mortifera, Despertar de um Pesadelo, Beijos e Tiros, o Último Boy Scout, O Homem de Ferro 3! Seu prestígio era tão grande que foi ele quem insistiu em usar tantos palavrões e tanta violência e explosões (porque ele curte!) e mudou todo o projeto, que era para ser um reboot (remake), mas Shane insistiu que fosse uma continuação que iria explorar a mitologia do Predador. Dito e feito. Ele desta vez virou diretor (ele antes dirigiu poucos filmes e duvidosos como o telefilme Edge de 2015, Dois Caras Legais e agora uma planejada nova versão de Doc Savage, com Dwayne Johnson). Espera-se só que ele não venha estragar este outro mito do cinema só para impor sua vontade e duvidoso gosto.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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