RESENHA CRÍTICA: Bohemian Rahpsody (idem)

Quando se canta We Will Rock You/Galileo com a ajuda da plateia, todo mundo terá a tendência de perdoar as possíveis falhas. E até se emocionarem...

31/10/2018 00:01 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Bohemian Rahpsody (idem)

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Bohemian Rahpsody (idem)

EUA, 2018. 134 minutos. Direção: Bryan Singer. Com Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilyn Lee, Bem Hardy, Joseph Masello, Aidan Gillen, Alen Leech, Tom Hollander, Mike Myers.

Não considere este artigo como uma crtica definitiva, é mais uma primeira impressão (e outra virá em breve) apresentando certos aspectos do cinema em Hollywood atualmente. O mais curioso: como vocês podem ver no artigo ábaixo, este seria o tipo do filme, musical além de tudo, que está acima da crítica ou dos elogios. Ainda mais porque o ator que interpreta o líder do grupo Queen, Freddie Mercury (que tem mais de 420 créditos musicais no IMDB, nascido em 1946 e falecido vitima da Aids, em 1991, natural de Tanzania, ilha de Zanzibar!) é o americano Rami Malek (1981-), premiado com o Emmy pela série de TV Mr Robot (além de duas indicações ao Globo de Ouro). Tem um tipo muito especial e foi visto há pouco no Brasil como um dos astros de Papillon. Curiosamente o filme que tinha tudo para ser celebrado pelo grande número de fãs que durante anos vem celebrando a música da banda e de seu líder, dividiu a imprensa norte-americana (o que é mais curioso ainda é que os críticos de lá tem sido irregulares e quase sempre injustos, o que deve provocar mais confusão com o futuro Oscar). Uma das situações mais curiosas é o fato de que o diretor que assina o filme é Bryan Singer, que foi daqueles afastados da indústria de cinema por seduzir jovens rapazes! O resultado disso é que o filme acabou sendo feito por ele apenas parcialmente, e quem assumiu a direção final foi o ator veterano Dexter Fletcher. Que dizem portanto ser o responsável pela cópia final.

O fato é que grande parte da crítica foi discreta, evitando momentos mais ousados ou atrevidos, isto é não aprofunda os fatos mais polêmicos e ousados da vida do cantor e seu grupo. É um biopic como chama o gênero centrando no grupo de rock em seus últimos 15 anos. Por isso foi acusado de convencional (com censura baixa) escondendo seu lado mais triste e mesmo dramático ou seu lado mais pesado. Mas pintando seu lado mais doce e aceitável. Liberado para menores… O que é estranho porque o lado polêmico de Freddie praticamente todo mundo conhece e justamente acha isso justamente mais interessante! (sem esquecer que normalmente fazem muitos documentários para a TV sobre excessos de roqueiros. Aqui os membros da banda Brian May e Roger Taylor assinam como consultores e executivos musicais. O que poderia vir a ser mais puro rock n´roll).

O ponto mais comentado é a sequência final (que curiosamente foi a primeira a ser filmada) e o novo diretor Fletcher tem sido creditado por trazer mais energia e impacto. Também é respeitável o trabalho dos roteiristas, no caso Anthony McCarten e principalmente Peter Morgan (que é super famoso como escritor de trabalhos como Frost Nixon, O Último Rei da Escócia, A Rainha e até 360, que foi filmado pelo nosso Fernando Meirelles. Alguns críticos acham que os atores ajudaram muito acentuando o humor, até improvisado, assim como os atores se dão bem interpretando os números musicais (alguns se queixam que os parceiros aparecem menos do que deviam). Malek não é propriamente muito parecido com o ídolo o que pode ser um problema, mas convence quando se veste com as roupas clássicas. Muitos acham porém que seu lado sensual não é devidamente explorado. Elogios foram para a maquiagem e cabelo, assim como figurino e desenho de produção. É discutível ter o comediante Mike Myers como um executivo da EMI mas mesmo os que não gostarem admitem que quando se canta We Will Rock You/Galileo com a ajuda da plateia, todo mundo terá a tendência de perdoar as possíveis falhas. E até se emocionarem...

 

 

Além De Bohemian Rhapsody
Por Adilson De Carvalho Santos

Na música, uma rapsódia é uma composição híbrida de diversas unidades rítmicas e temáticas. O cantor Freddie Mercury incorporava esse espírito mesclando notas operísticas com o balanço do rock n’ roll, e uma voz que alcançava vibração impressionante e incomum, de acordo com estudos de pesquisadores e especialistas, publicados no site americano “consequence of sound” em 2016. Sua carreira como astro vai ainda além, pois Farrokh Bulsara, seu nome real, flertou com a sétima arte em diversos momentos de sua trajetória compondo trilhas para filmes ou desenvolvendo concepções visuais para os clips de sua banda.

Reza a lenda, no entanto, que o produtor italiano Dino De Laurentis não conhecia a banda quando a contratou para a trilha sonora de “Flash Gordon”, adaptação das hqs de Alex Raymond. Embora o filme tenha envelhecido mal, tornou-se um cult trash, ainda ecoando em nossos ouvidos a voz de Freddie bradando “FLASH...AHAHAH ! KING OF THE UNIVERSE”. O baterista Roger Taylor, em entrevista cedida em Outubro de 2008, declarou que esta foi a primeira vez que uma trilha de Rock n’Roll era composta para um filme não musical. Também foi a primeira vez em que trechos das falas do filme foram inseridas na trilha do álbum, algo comum a partir de então como ouvido, por exemplo, em “Pulp Fiction” (1994) e “Reservoir Dogs” (1992) de Tarantino. O uso de baixo e sintetizadores foi criativo atingindo nossos tímpanos com um efeito onomatopéico que deveria realçar as origens dos quadrinhos de Alex Raymond. Ainda assim o filme, que se tornou o 9° álbum da banda, não conseguiu ser o sucesso de bilheteria pretendido, lembrando que falamos de uma época em que adaptações de quadrinhos não tinham o mesmo prestígio que hoje. Mesmo assim o single com a canção tema chegou a alcançar o 42º lugar pela “Billboard Hot 100”.

Melhor resultado foi obtido pela banda quando o diretor australiano Russell Mulcahy, que era fã da banda, contratou o quarteto para assistir as filmagens de “Highlander – O Guerreiro Imortal” (1985) vindo assim o convite para gravar a trilha sonora do filme, 12º álbum da banda. Cada membro do Queen colaborou com uma canção: Roger Taylor compôs a canção tema “A Kind of Magic”, Brian May ficou com a balada épica “Who Wants to Live Forever”, o baixista John Deacon fez “One Year to Love” e Freddie Mercury ficou com o hard-rock de “Princes of the Universe.”. O sucesso foi estrondoso, sendo que a versão de “A Kind of Magic” originalmente composta por Taylor, musicalmente mais pesada, é ouvida nos créditos finais do filme enquanto que o arranjo mais dançante da canção foi gravado por Freddie Mercury para o álbum da banda. Este ainda rendeu a agitada “One Vision” que entrou para a trilha do filme “Águia de Aço” (Iron Eagle) produzido na mesma época.

Foi ideia do próprio Mr. Fahrenheit, como o cantor se chamou na letra da canção “Don’t Stop me Now”, usar cenas do clássico “Metropolis” (1926) no clip de “Radio Ga Ga” lançado em 1984. O diretor David Mallet colocou o quarteto em um carro voador planando sobre o cenário expressionista do filme de Fritz Lang. A canção, carro chefe do álbum “The Works” alcançou sucesso mundial, escrita por Roger Taylor como uma crítica aos meios de comunicação em um momento em que a MTV estava atraindo mais atenção que a rádio. O título da canção foi a fonte de inspiração para que Stefani Germanotta se reinventasse como a estrela Lady Gaga. Do mesmo álbum temos “I Want To Break Free”, composta pelo baixista John Deacon, que teve um clip cômico também dirigido por David Mallet, com os músicos transvestidos tal qual Tony Curtis e Jack Lemmon do clássico “Quanto Mais Quente Melhor”, um dos filmes favoritos da Carmen Miranda do Rock n’ roll, como o próprio Freddie Mercury se definiu em uma das raras ocasiões em que cedia entrevista. A canção foi associada ao universo gay, mas foi o próprio Mercury quem explicou que na verdade era uma canção sobre libertação, chegando a ser usada como um hino anti-apartheid na África do Sul, em uma época em que o líder Nelson Mandela ainda era mantido prisioneiro do regime.

O legado artístico de Freddie é perpetuado até hoje em várias mídias. A icônica “We are the Champions” de 1977 é tocada em “Coração de Cavaleiro” (2001) além do episódio “The Bat Jar Conjecture” de “The Big Bang Theory”, uma das séries de Tv mais populares na TV. “Radio Ga Ga” está no vídeo game “Grand Theft Auto V”, “Under Pressure” , gravado junto com David Bowie, está em “Doze é Demais 2” (2005) e na animação “Happy Feet 2” (2001), “The Show Must Go On” em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho” (2001), além de outras, é claro, o embalo marcante da icônica “Bohemian Rhapsody” , gravada em agosto de 1975, marcou um grupo de nerds balançando a cabeça dentro de um carro em “Quanto Mais Idiota Melhor” com Mike Myers e Dana Carvey.

Games, series, filmes, clips, sua voz está presente em várias áreas e a chegada do filme estrelado por Rami Malek certifica que novas gerações venham a sentir a vibração desse artista, mesmo passados mais de 20 anos de sua passagem. Quem quer viver para sempre é a pergunta de um dos sucessos da banda, mas poderia muito bem servir de irônico epitáfio pois é inegável que tanto talento não poderia ser outro coisa além de um tipo de mágica revivida nos espaços midiáticos de ontem e hoje.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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