RESENHA CRÍTICA: Nós (Us)

O que posso adiantar é que o filme vai ficando cada vez mais assustador, com determinadas figuras difíceis de se ver e não sairmos assustados

20/03/2019 15:13 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: Nós (Us)

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Nós (Us)

EUA, 2019. 120 min. Roteiro e direção de Jordan Peele. Com Lupita Yongo, Elizabeth Moss, Winston Duke, Evan Alex, Shabadi Wright Joseph, Tim Heidecker, Karfa Hayward. Música de Michael Abels.

Tenho que confessar que fiquei muito impressionado e até assustado com o filme anterior deste mesmo Jordan Peele (1979, de mãe branca e pai negro, comediante em 54 programas de TV de comédia, mais 14 como roteirista e apenas 2 como diretor com os filmes Corra! /Get Out, 17, e agora Nós). O primeiro filme ganhou o Oscar de melhor roteiro, se tornando o primeiro negro, a ser premiado pela Academia (como roteiro original). Também foi indicado como melhor filme, ator Daniel Kaluuya e diretor. Também indicações duplas para o Bafta britânico e Globo de Ouro e ainda SAG.

Quem não assistiu Corra! É bom ficar sabendo que se trata de uma sátira surpreendente que começa como uma visita de família que vai se transformando em pesadelo e que na verdade consegue mesmo ser chocante, vai mais longe do que a média do gênero. Entre horror e comédia, na verdade esse gênero de misturar as coisas muita gente acha que veio antes de Kubrick com O Iluminado (que está cheio de citações e surpresas) e também de outros cineastas do gênero como Brian De Palma, o ator Jack Nicholson e Daren Aronofsky, mas o que importa é a coragem e atrevimento de Peele, no que transformou o filme anterior num nem tão modesto clássico! Acho mesmo um divisor de águas.

Este título muito interessante, que é o de Nós, começa em 1986, quando uma garota e seus pais passeiam a noite por um parque perto do mar, até quando uma assustadora surpresa se revela, que envolve também sala de espelhos, e duplos. O filme então pula alguns anos e chega-se ao tempo atual (a garotinha virou adulta) , Adelaide (a famosa premiada Lupita) tem medo de chegar ao mesmo pedaço na praia de Santa Cruz, mas as crianças estão juntas e eles irão se encontrar com os velhos amigos os Tylers (também no elenco a loira Elizabeth Moss, famosa pela serie de TV O Canto da Aia) e suas filhas inclusive se mostrar A Floresta Encantada de Merlin. Bom, acho melhor não ir muito mais adiante, o que posso adiantar é que o filme vai ficando cada vez mais assustador, com determinadas figuras difíceis de se ver e não sairmos assustados. Na verdade, a crítica americana louvou tudo (desde a fotografia até os figurinos muito especiais, a trilha musical, algumas ideias originais), mas acho que estaríamos falando demais. Tem gente que já até fala novamente em Oscar para Mr. Peele!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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