RESENHA CRÍTICA: Border
É um filme original e esquisito, que não sei até que ponto irá estragar corações mais sensíveis. Ainda assim, é evidente que se difere de muitos outros
Border
Suécia, Dinamarca, 2018. 1h50 min. Direção de Ali Abbasi, também roteiro. Com Eva Melander, Eeero Milonoff, Jorgen Thorsson, Ann Petren, Sten Ljunggren.
O filme foi premiado no Un Certain Regard do Festival de Cannes, como diretor. Outros prêmios em Los Angeles, Munich, Palm Springs, Noruega.
Este filme foi indicado aos finalistas do Oscar de produção estrangeira (mas não classificado) sendo destacado como um dos poucos como melhor maquiagem! Um fato raro entre países menos famosos. Na verdade, o filme custou a ser distribuído no Brasil, é bizarro e curioso, com um elaborado trabalho de maquiagem, já que se trata basicamente de um casal deformado (principalmente no rosto). Sim, bastante assustador, se tiver paciência (se conseguir e ter tempo de uma olhada na biografia dos dois protagonistas, que com rosto lavados são até bonitos e bem tratados). Enfim, a proposta do filme é realmente ser diferente e bizarro, quase terror. A heroína chamada Tina é uma mulher de certa idade que tem todo seu rosto estragado, não se sabe bem porque, como se fosse mesmo um monstro. O interessante é que ela tem uma qualidade rara de ser capaz de perceber pelo nariz que os passageiros de avião têm defeitos ou vontade de cometer crimes. Tina se exerce no aeroporto na chegada de turistas e tem especial prazer em ficar em contato com animais selvagens como cervos e raposas. Ela tem ainda um velho pai e um irmão de mau caráter, quando miraculosamente fica conhecendo um sujeito que se parece muito com ela, Vore, e que são tão semelhantes que eventualmente se tornam amigos e depois namorados e assim por diante...
Enfim, é um filme original e esquisito, que não sei até que ponto irá estragar corações mais sensíveis. Ainda assim, é evidente que se difere de muitos outros.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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