RESENHA CRÍTICA: O Lamento (The Wailing ou Goksung)
O resultado é bastante original e envolvente, desde que não fiquem esperando uma imitação dos terrorzinhos norte-americanos. Fãs do gênero devem experimentar
O Lamento (The Wailing ou Goksung)
Coréia do Sul, 16. 2h36 minutos. Direção de Na Hong-jin. Com Kwak Do-won, Jun Kunimura, Hwang Jung-min, Chun Woo-hee, Kim Hwan-hee, Jang So-yeon, Heo Jin.
Embora tenha sido exibido fora de concurso no Festival de Cannes, certamente por ser um filme de horror não perde o impacto mesmo com sua longa metragem (duas horas e 36 minutos). Afinal acabou sendo o filme de maior público na Coréia nesse ano e ajudou a consagrar o diretor Na Hong-jin (ele estreou como diretor e roteirista com O Caçador/ Chugyeogja, 08 e fez o inédito de 2010, Hwanghae . Ambos estiveram no Un Certain regard de Cannes e este aqui também foi premiado em Sitges). Um detalhe importante o ator central é japonês e esteve em Kill Bill.
Talvez possamos reclamar de não explicar muita coisa, nem resolver tudo. Mas é um estilo oriental que se preocupa mais com o medo e a sensação de provocar terror do que o susto propriamente dito. Mas o diretor muda de rumo, em vez de fazer outro serial killer, prefere em mostrar em paisagens externas de florestas e montanhas, ou casebres assustadores, mostrando uma série de mortes misteriosas e sangrentas. Chegando mesmo perto do vodu ou macumba, mas fixado em figuras normais que viram às vezes sem explicação assassinos violentos e sanguinários, que adoram morder e liquidar com violenta força as vítimas. Onde os policiais são os primeiros a se assustarem e entrarem em paranoia. Muitos críticos o compararam com os filmes do gênero de Roman Polanski.
Fotografado com luz natural, esteticamente violento, que muitos acham que é uma herança da tradição de guerra e colonialismo que o país sempre foi vitima. O titulo original Goksung se refere a uma região rural onde se passa a história (mas em chinês é chamado de Kanja/O som do Choro). Realmente há muita gritaria enquanto se sucedem os ataques misteriosos de demônios que contaminam até crianças sem maior explicação (a filha de Jeon passa a ter convulsões e corre perigo). Na verdade, há até influencia de Hitchcock e O Exorcista. Mas o resultado é bastante original e envolvente, desde que não fiquem esperando uma imitação dos terrorzinhos norte-americanos. Fãs do gênero devem experimentar.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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