RESENHA CRÍTICA: Alien: Covenant (Idem)

O filme é intenso, prende a atenção e não dá sustos banais, conta sua história sempre com uma notável

10/05/2017 14:41 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Alien: Covenant (Idem)

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Alien: Covenant (Idem)

EUA, 17. 122 min. Direção de Ridley Scott. Roteiro de JohnLogan, Dante Harper. Com Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demian Bichier, Carmen Ejogo, Jussie Smolett, James Franco, Callie Hernandez, Amy Seimetz, Benjamin Ribgy, Guy Pearce( não creditado).

O titulo não é dos mais fáceis, fui procurar nos dicionários e Covenant tem uma série de traduções. Pode ser Pato, Aliança, Convênio, de ainda Acordo, Compromisso, Convenção. Escolha o que melhor lhe interessar. O importante é que o diretor britânico Ridley Scott (Blade Runner, que por sinal está sendo refeito, Thelma e Louise), e que está para completer 80 anos em breve, fazendo o melhor trabalho da série Alien (considerando que o anterior de 5 anos atrás era o mais fraco da franquia de seis filmes), a não ser obviamente pelo dois iniciais). Aliás, Ridley já anunciou que sua intenção e fazer mais dois filmes Aliens para assim fechar o ciclo voltando justamente ao primeiro.

E o mais legal é que esta caminhando certo. O novo filme é intenso, prende a atenção e não dá sustos banais, conta sua história sempre com uma notável qualidade técnica que remete sim ao original, mas de uma maneira moderna e brilhante, conseguindo também dar uma grande chance ao ator Fassbender que interpreta papel duplo, dois sintéticos robôs chamados Walter (primeiro surge num formato muito mais avançado, com seu criador, o não creditado Guy Pearce, num preâmbulo elegante e chique, quase não colorido. Mais tarde seu predecessor vai aparecer para criar um duelo de forças entre os dois).

Eu particularmente já gostei quando somem com o insuportável James Franco logo no começo do filme e achei também interessante a escolha do elenco que é composta quase toda por latinos, com a exceção de Katherine Waterston, de Steve Jobs, Animais Fantásticos, e que é filha do bom ator James Waterston. Meiga, frágil e lutadora, cabe a ela cuidar da tripulação de 2 mil passageiros espaciais e 1.140 embriões quando a nave é atingida por uma tempestade  espacial vários são afetados e destruídos e a tripulação luta para sobreviver, agora sob as ordens de um novo capitão Christopher (Billy Crudup). Eles estavam viajando para um planeta distante chamado Origae-6, que prometia melhor futuro para a humanidade, mas Christopher é inseguro, excessivamente religioso e incapaz de comandar o grupo. Ao descobrirem um planeta desconhecido resolvem explorá-lo o que vem a ser a pior escolha possível. Apesar das notáveis locações feitas na Nova Zelândia (a maior parte do filme foi rodada na Austrália). Acho que mais não preciso dizer ou revelar.

O filme já era tenso e prendia a atenção, mas foi ficando cada vez mais forte mesmo sem exagerar na violência. Este Covenant é muito bem vindo e dá esperança que a temporada de verão americano de blockbusters mantenha esse mesmo nível.

 

ALIEN – A QUADRILOGIA

POR ADILSON DE CARVALHO SANTOS

 

Há 38 anos, Ridley Scott mostrou que no espaço ninguém nos ouviria gritar uma vez que o som não se propaga no vácuo. Na sala de cinema foi o grito do público que popularizou a figura de uma criatura xenomorfa como um dos maiores monstros do cinema. A ideia de Dan O’Bannon, roteirizada pelo próprio em conjunto com Richard Shusett, veio a se tornar o primeiro “Alien”, o Oitavo passageiro  (1979) subentitulado no Brasil “o oitavo passageiro”. O’Bannon já havia ensaiado a historia de um organismo estranho à bordo de uma nave em “Dark Star” (1975) de John Carpenter, mas as raízes do filme que “Alien” se tornaria foram plantadas nos filme B dos anos 50 e 60 em títulos como “The Quartemass Experiment” /Terror que mata(1953) e “The Thing from Outer Space” /O Monstro do Ártico (1951).

O filme dirigido pelo britânico  Ridley Scott potencializou o tema bebendo da lição  de Spielberg de mostrar pouco e insinuar muito a medida que incitava o público a imaginar como seria sua criatura no final. Não à toa o renomado crítico Roger Ebbert comparou”Alien” a “Tubarão” (Jaws), lançado quatro anos antes. A narrativa de Scott  começa silenciosa, mas cresce a tensão gradativamente conforme a tripulação da Nostromo (nome que foi retirado de um poema do escritor Joseph Conrad) é eliminada tal qual os personagens de “O Vingador Invisivel /Ten Little Indians. 45 ) clássico livro de Agatha Christie. Curiosamente, o personagem de Ripley (Sigourney Weaver) assume o “protagonismo” de forma despretensiosa, lançando a carreira da atriz então já aos 30 anos.

O visual assustador da criatura foi idealizado pelo artista gráfico H.R. Giger (1940 – 2014) que deu ao “xenomorfo” a cabeça alongada e a forma “humanóide”, cujo traje coube ao renomado técnico Carlo Rambaldi (1925-2012), o mesmo responsável por “King Kong” (1976) e “E.T” (1982), que ficou com a tarefa de fazer o movimento da criatura e a projeção da mandíbula interna algo aterrador, o que conseguiu fazendo por merecer o Oscar de melhor efeitos visuais. Na era pré-digital coube ao nigeriano Bolaji Bandejo (1953/1992) vestir o traje que lhe deu seu único crédito como ator. A bilheteria de $78.900.000, cerca de seis vezes mais do que seu orçamento original, convenceu a Twentieth Century Fox a continuar a história, mas problemas internos no estúdio atrasaram os planos. Foi um então quase desconhecido James Cameron quem apresentou à Fox um roteiro propondo contar o que teria acontecido com a Tenente Ripley depois de seu traumático encontro com a criatura. Quando Cameron atraiu a atenção da mídia com “O Exterminador do Futuro” (Terminator) em 1984, a Fox se convenceu entregando-lhe também a direção de “Aliens – o Resgate” (Aliens) de 1986. A narrativa, contudo, segue caminho inverso: Em vez do suspense claustrofóbico de Ridley Scott, Cameron opta pela ação desenfreada e pelo ritmo vertiginoso, mas souber dar consistência à sua história fazendo da luta de Ripley não apenas uma questão de sobrevivência, mas uma busca por seu instinto materno canalizado através da menina Newt (Carrie Henn). Assim, o diretor fez de Ripley a primeira heroína dos filmes de ação dos anos 80, versão feminina de Rambo, em um conflito que guarda curioso paralelo: Os xenomorfos exterminam os humanos não importando as sofisticadas armas dos soldados, tal qual os vietcongues com os norte-americanos.

Lamentavelmente, o terceiro filme não sustentou a mesma qualidade e apuro. “Alien 3” (1992) de David Fincher foi um equívoco, apesar da inventividade da câmera do talentoso diretor, que teve problemas com constante interferência dos executivos do estúdio. Aos fãs desagradou bastante a decisão do roteiro de David Giler, Walter Hill e Larry Ferguson que matou o Cabo Hicks (Michael Biehn) e a menina Newt, também sobreviventes do segundo filme. Quatro anos antes, a editora Dark Horse Comics publicou uma mini série entitulada também “Aliens”, dando sequência aos eventos do filme de Cameron com o Cabo Hicks e Newt viajando ao planeta natal dos xenomorfos. Muitos fãs declararam preferir a história da HQ, que foi republicada tempos depois mudando os nomes dos personagens para não contradizer o filme de Fincher. Este se retirou do filme na fase de montagem, que durou um ano para ser concluída. Com a morte de Ripley, Joss Whdeon (diretor de “Os Vingadores”) que na época estava popular entre os jovens com a série da Fox “Buffy – a Caça Vampiros”, foi chamado pelo estúdio para um quarto filme, mas sabia-se que sem Sigourney Weaver dificilmente daria certo. Assim, Whedon elaborou uma história que se passa 200 anos depois da morte de Ripley, trazida de volta através da clonagem em “Alien A Ressurreição” (Alien Ressurrection), dirigido pelo Francês  Jean Pierre Jeunet, em 1997. O resultado foi ainda pior e parou a franquia por um longo tempo (apesar de dois confrontos “Alien vs Predador” em 2004 e 2007) até que Ridley Scott conseguisse convencer os executivos da Fox a realizar “Prometheus”  (2012), ambiciosa “prequel” voltada para os eventos que conduziriam para o primeiro filme, deixando mais pontas soltas em uma história mergulhada na premissa de que a vida na terra começou como experiências feitas por alienígenas, tal qual postulado pelo escritor Erik Von Daniken em “Eram os Deuses Astronautas?”.

Com a aparente impossibilidade de um quinto filme que continuasse a história de Ripley, como proposto por Neil Blomkamp, Ridley Scott começa a costurar os eventos do passado com a chegada de “Alien Covenant”, que certamente não será um ponto final já que Hollywood insiste em nos fazer gritar, pois o cinema é diferente do espaço e o som não apenas ecoa, mas se multiplica.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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