RESENHA CRÍTICA: Dunkirk (Idem)

Não faça download deste filme, é preciso ver na tela espetacular do Imax porque o resultado é antes de tudo comovente

26/07/2017 15:38 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Dunkirk (Idem)

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Dunkirk (Idem)

EUA, 2017. 116 min. Direção e roteiro de Christopher Nolan. Com Fion Whitehead, Damien Bonnard, Aneurin Barnard, Mark Rylance, Tom Hardy, Jack Lowden, Kenneth Branagh, James D´Arcy, Harry Styles, Cillian Murphy. Música de Hans Zimmer.

Sem nenhuma dúvida o trágico e lendário episódio de Dunkirk (ou Dunquerque) sempre foi para mim o mais fascinante, notório e menos explicado incidente da primeira fase da Segunda Guerra Mundial. Um fato real que reuniu soldados da Bélgica, do Império Britânico e da França, todos cercados pelo Exército nazista alemão que haviam acabado de tomar o território da França, aliás em tempo inesperado, e conseguiram deixar os sobreviventes aprisionados numa região pequena, todos eles numa praia sem poderem escapar para a Inglaterra. Embora pudessem ver o país na praia de Dunquerque não havia como sair dali, porque tinham ali um mínimo de aviões e navios (porque os que sobravam eles queriam ainda guardar para se defenderem os nazistas!). Importante: estavam ali no Canal da Mancha, que era muito raso e ficava submetido as marés! Ou seja, tão perto e no entanto tão longe. Sempre achei a história incrível mesmo tendo sido algumas vezes adaptada para o cinema (aqui foram rodadas em locações autênticas, mas também em Dorset, Holanda, a Duna Dewolf que fica na França, explosões em Palo Verde California, e nos estúdios Warner Burbank). Mas não se sabe bem ainda seu orçamento - supõe-se 150 milhões de dólares - porque foi rodado em IMAX e restaurado o antigo sistema de 65-70 milímetros! Mas não serão exibidos em Terceira Dimensão, que certamente não faz a menor diferença.

No mundo do cinema a história de Dunkirk ficou mais famosa justamente com o clássico A Rosa da Esperança (Mrs Miniver, 42, de William Wyler), que deu o Oscar de atriz para a inglesa Greer Garson desde então superestrela (foram 6 Oscars inclusive para diretor Wyler na época já lutando na Guerra e ainda 7 indicações). Ela fazia uma das donas de casa que fizeram tudo para salvar os soldados que estavam sendo dizimados em céu aberto pelos nazistas. Em 1950, o filme ainda gozando o clima de patriotismo teve uma continuação mais fraca, Romance de uma Esposa (The Miniver Story) sempre com Walter Pidgeon fazendo o marido de Greer. Curiosamente não houve muitas versões para o cinema. Era bom O Drama de Dunquerque (58, com John Mills, Richard Attenborough) ainda em preto e branco, depois os franceses contaram seu lado da história estrelada por Jean Paul Belmondo e dirigido pelo franco-árabe Henri Verneuill como Gloriosa Retirada (Weekend a Suydcoote, 64, ainda com Catherine Spaak). A mais bela de todas foi apenas uma longa sequência apresentada em Desejo e Reparação (Atonement, 2007, de Joe Wright), um dos meus filmes favoritos do século, com Vanessa Redgrave, Keira Knightley e James McAvoy (teve cenas curtas mas incríveis rodadas sem cortes). Só por referência há ainda dois filmes ingleses menores sobre os fatos, Dunkirk (04, com Timothy Dalton ex-Bond, semi documentário também com Benedict Cumberbatch) e Operation Dunkirk (17 com Ifan Meredith e Kimberley Hews).

O Gênio Nolan

Se já havia um Cult muito grande ao diretor britânico Christopher Nolan, porque causa de sua brilhante carreira revelada depois do original e espantoso Amnésia (Memento, 2000), um thriller contado às avessas que já lhe deu o sucesso, prêmios e a originalidade (usando uma história de seu irmão Jonathan, que continua a ser o habitual parceiro de projetos!), o mais incrível foi a Warner acreditar nele tão rapidamente que a seguir realizou a trilogia de Batman Begins, não apenas acertando na figura de Christian Bale como Batman, mas dando uma credibilidade aos personagens e situações que permanece até hoje em especial desde a inesquecível interpretação de Heath Ledger, premiada com o Oscar, como o Joker/Coringa em O Cavaleiro das Trevas, 08. Finalmente novo Batman, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, 12. Pensando bem depois da trilogia Nolan bem que poderia se aposentar para o resto da vida. Sua reputação está feita só que não para de crescer.

Fez também o delirante A Origem (10) e depois o ainda mais ousado Interstelar,14. Não conheço do curta Quay, um documentário de 8 minutos sobre os Irmãos Quay na Warner! O fato é que com este Dunkirk e a reação espetacular da crítica americana (e boa bilheteria de 50 milhões de dólares no primeiro fim de semana) já se pode arriscar e apostar que ele finalmente será premiado com os Oscar de melhor filme e direção. Não seria mais que justiça. Ao menos há muito tempo eu não vi um filme tão brilhantemente realizado, com um domínio técnico espetacular, inclusive nas interpretações. A fotografia de Hoyte Von Hoytema, um suíço pouco conhecido até hoje que fez com ele Interstelar, outro ignorado pelo Oscar foi lembrado por poucos entre as parcerias deles, o Bafta por Interstelar e o thriller britânico O Espião Que Sabia Demais. Também fez iluminação e foto de Ela e 007 contra Spectre.

Não faça download deste filme, é preciso ver na tela espetacular do Imax porque o resultado é antes de tudo comovente, acho que faz muito tempo que eu não reajo tão fortemente a um filme, não enfrento cenas tão emocionais, que as vezes até me levaram ao choro. E que não via cenas encenadas com tanta destreza e eficiência. E olha que há um mínimo de diálogos, numa metragem também pequena. Mas será um absurdo se não ganhar também um novo Oscar de trilha musical para o alemão Hans Zimmer, que com Nolan concorreu por Interstelar, A Origem e hoje já tem 110 créditos. É um escore retumbante e sofrido, quase um vagido de dor, que nunca cai em patriotismos (o filme ao contrario deixa soltas ironias e críticas da época aos fatos para quebrar o excesso de sentimentalismo).

Não sei se não seria interessante antes de ver o filme folhear um livro da História da Segunda Guerra ou mesmo no último caso uma Wikipedia, porque nem todos os fatos são destrinchados (por exemplo, a razão porque Hitler e seus asseclas não enviaram mais forças armadas e aéreas para acabar logo com o poder britânico. Foi um erro estratégico incrível e a benção para os ingleses que nos próximos anos lutariam corajosamente com todos os recursos que conseguirão enquanto Hitler iria fazer outras invasões, como a da Rússia).

Enfim, conhecendo mais detalhes só irá aumentar a emoção de irmos conhecendo aos poucos os atores poucos deles conhecidos (como Kenneth Branagh e o recém premiado com o Oscar, Mark Rylance, Cillian Murphy que foi O Corvo e esteve em A Origem). Enquanto isso, outro famoso Tom Hardy fazendo Farrier está irreconhecível e encoberto! O protagonista é um jovem desconhecido e descoberto para isso, um tal de Fioon Whitehead, mas todos os outros jovens estão igualmente eficientes. Embora o gesto mais bem-sucedido comercialmente tenha vindo a ser a interpretação pouco falada mas muito eficiente de um astro da música pop, Harry Styles, ex do One Direction. Que deve ajudar ainda mais o resultado do filme.

Enfim, um cineasta favorito da crítica e de muitos espectadores parece ter chegado a seu apogeu e merece todos elogios e justas premiações. Salve Mr. Nolan!

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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