FESTIVAL DE BERLIM CHEGA A 76a EDICAO E ANUNCIA FILMES DA PROGRAMACAO

Estaremos acompanhando este ano o festival com o nosso colaborador Felipe Brida!

02/02/2026 03:14 Por Felipe Brida
FESTIVAL DE BERLIM CHEGA A 76a EDICAO E ANUNCIA FILMES DA PROGRAMACAO

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O 76º Festival Internacional de Cinema de Berlim, o Berlinale, apresenta ao público, neste ano de 2026, uma programação repleta de filmes históricos e sociais. Os organizadores do festival anunciaram, na última quarta-feira, em coletiva de imprensa, os títulos que serão exibidos em todas as seções do evento. A Berlinale acontece na capital alemã, entre os dias 12 e 22 de fevereiro, tendo o cineasta alemão Wim Wenders como presidente do júri internacional. A atriz Michelle Yeoh será agraciada com o Urso de Ouro Honorário, enquanto o compositor Max Richter receberá das mãos da diretora Chloé Zhao o prêmio Berlinale Camera – os dois trabalharam juntos em ‘Hamnet – A vida antes de Hamlet’, filme pelo qual ele acaba de receber indicação ao Oscar de melhor trilha sonora. O cinema brasileiro marca presença com oito produções espalhadas em diferentes seções; são eles ‘Se eu fosse vivo... viva’, de André Novais Oliveira, que integra a seção Panorama; ‘A fabulosa máquina do tempo’, de Eliza Capai, ‘Papaya’, animação de Priscilla Kellen, e ‘Feito pipa’, de Alan Deberton, os três na seção Generation Kplus; ‘Quatro meninas’, de Karen Suzane, na programação da Generation 14plus, além de ‘Fiz um foguete imaginando que você vinha’, de Janaina Marques, na seção Forum, ‘Nosso segredo’, dirigido pela atriz Grace Passô, que integra a Perspectives, nova seção competitiva do festival, e o curta ‘Floresta do fim do mundo’, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa, que estará no Forum Expanded.

Um dos mais famosos festivais de cinema do mundo, a Berlinale terá como filme de abertura a produção afegã ‘No good men’, comédia dramática de cunho político da premiada diretora Shahrbanoo Sadat. Na competição principal, 22 filmes disputam o Urso de Ouro e o Urso de Prata. Entre os destaques estão longas que exploram temas contemporâneos como migração, identidade e transformações sociais. Alguns deles são o novo trabalho do cineasta brasileiro Karim Aïnouz, a coprodução Itália, Alemanha, Reino Unido e Espanha ‘Rosebush pruning’, que conta com um elenco estelar, como Callum Turner, Riley Keough, Jamie Bell, Elle Fanning e Pamela Anderson; o drama ‘At the sea’, do húngaro Kornél Mundruczó, com Amy Adams; a animação japonesa ‘A new dawn’, de Yoshitoshi Shinomiya; ‘Yellow letters’, do multipremiado diretor turco İlker Çatak; ‘Josephine’, da cineasta brasileira de ascendência chinesa e americana Beth de Araújo, com Channing Tatum; a produção mexicana ‘Moscas’, de Fernando Eimbcke; ‘Queen at sea’, produção britânica com Juliette Binoche e Tom Courtenay; o drama de época austríaco ‘Rose’, com Sandra Hüller; e o drama com terror ‘Nightborn’, com Rupert Grint.

A nova seção do festival, Perspectives, apresentará 14 filmes autorais, sendo 11 deles première mundial e seis dirigidos por mulheres. Dentre os títulos estão a coprodução Noruega e Reino Unido ‘A prayer for the dying’, com Johnny Flynn e John C. Reilly, e o britânico ‘Animol’, com Stephen Graham. Já a seção Forum, que traz longas e curtas experimentais e independentes, com foco em discussão sobre política e diversidade cultural, apresenta este ano 32 filmes, como o documentário norte-americano ‘Barbara Forever’, o terror com comédia indonésio ‘Ghost in the cell’, o drama sul-coreano ‘My name’ e a cópia restaurada de ‘O casamento do meu irmão’, produção de 1983, de Charles Burnett. Haverá ainda a seção Forum Special, com diversos títulos, e o Forum Expanded, com 21 longas e curtas novos e restaurados, sendo eles filmes ficcionais e documentários de países como Singapura, Colômbia, Indonésia, Alemanha, República Democrática do Congo e Itália. A seção Panorama reúne 37 títulos de 36 países, mostra dedicada a filmes disruptivos na linguagem e de conteúdos inovadores. É uma das mais aguardadas do festival, e contará com títulos como ‘Only rebels win’ (filme libanês que será a abertura do Panorama, cujo elenco conta com Hiam Abbass); ‘The days she returns’, do sul-coreano Hong Sangsoo; a coprodução Brasil e França ‘Isabel’, com Marina Person; o norte-americano ‘Mouse’, com Sophie Okonedo; e a coprodução Estados Unidos e Reino Unido ‘The moment’, com Charli xcx, Alexander Skarsgård e Rosanna Arquette. Nas seções Generation 14plus e Generation Kplus, dedicadas a filmes com temáticas e protagonistas infantojuvenis, serão 18 longas e 23 curtas do mundo todo, dentre eles a coprodução Índia e Singapura ‘Not a hero’, de Rima Das, e o britânico ‘Sunny dancer’, com Bella Ramsey e Neil Patrick Harris. Outras seções são a Berlinale Special, com 19 obras, incluindo documentários e séries que exploram temas culturais e políticos, distribuídos em dois eventos, Gala e Midnight, dentre eles ‘Boa sorte, divirta-se, não morra’, de Gore Verbinski, com Sam Rockwell; ‘O testamento de Ann Lee’, com Amanda Seyfried; ‘The blood countess’, com Isabelle Huppert; o documentário americano ‘The ballad of Judas Priest’; ‘The only living pickpocket in New York’, com John Turturro; e novas séries como a chilena ‘A casa dos espíritos’ e as britânicas ‘O senhor das moscas’ e ‘The story of documentary film’, este dirigido pelo premiado cineasta Mark Cousins.

Na Berlinale Classics serão 10 filmes de nove países, todos em nova restauração 4K, como o japonês ‘Introdução à Antropologia’ (1966), de ShÅhei Imamura; o alemão ‘Segredos de uma alma’ (1926), de Georg Wilhelm Pabst; o suspense/terror soviético ‘O hotel do alpinista morto’ (1979), de Grigori Kromanov; o anime japonês ‘Ninja scroll’ (1993); e ‘Despedida em Las Vegas’ (1995), de Mike Figgis, drama que deu a Nicolas Cage o Oscar de melhor atopr. Para finalizar, na Berlinale Shorts serão 21 filmes, todos inéditos, de países como Senegal, Áustria, Alemanha, Espanha e Romênia.

Vitrine para os principais filmes da temporada de 2026, a Berlinale foi fundada em 1951. Ao lado de Cannes e Veneza, é um dos festivais mais importantes da Europa. Desde 2000 o palco central de exibições e recepção de convidados é o Theatre am Potsdamer Platz, conhecido como ‘Berlinale Palast’. A programação completa com os horários e salas de cada filme será divulgado em breve no site da Berlinale, em https://www.berlinale.de/en/home.html

 

Berlinale ao longo dos anos

 

Fundado em 1951 e por quase 30 anos realizado no mês de junho, o Festival de Berlim integra, junto aos de Cannes e Veneza, a lista dos mais reconhecidos festivais de cinema da Europa, atraindo milhares de visitantes e cinéfilos em suas edições. A média é de 400 títulos por ano, exibidos em diversos espaços culturais e salas de cinema de Berlim, a maior parte nos arredores de Potsdamer Platz, praça estratégica do centro comercial da capital, composta por shoppings, cinemas e lojas. As exibições estão distribuídas em seções especiais, como a Competição Principal (em que se disputa o principal prêmio do festival, o Urso de Ouro), o Panorama, o Forum, o Generation (para jovens), as Perspectives, o Berlinale Special, o Berlinale Shorts e o Berlinale Classics (com longas restaurados e tributos). Atividades e ações formativas integradas ao Berlinale serão promovidas como o Mercado Europeu de Cinema/EFM (de 12 a 18 de fevereiro de 2026, com início na tarde de 11 de fevereiro), o Mercado de Coprodução da Berlinale (14 a 17 de fevereiro de 2026), Berlinale Talents (13 a 18 de fevereiro de 2026) e o World Cinema Fund Day (17 de fevereiro de 2026).

Os principais troféus, o Urso de Ouro e os Ursos de Prata, são concedidos pelo júri internacional, costumeiramente presidido por nomes renomados do cinema. O Urso de Ouro é dado a um filme considerado o melhor daquele ano – tanto longa quanto curta-metragem, enquanto o Urso de Prata engloba diversas categoriais e subcategorias, como o ‘Prêmio Especial do Júri’ (‘Grand Prix’), apontado como o ‘segundo melhor filme do festival’, e ainda os de melhor diretor, melhor ator, melhor atriz, melhor roteiro, melhor curta-metragem e melhor contribuição artística. A estatueta em formato de urso foi concebida pela escultora alemã Renée Sintenis.

Há ainda no evento o Berlinale Talents, uma programação com palestras e workshops realizada ao longo de uma semana, voltado a jovens cineastas.

O Festival de Berlim surgiu durante a Guerra Fria, pensado por Oscar Martay, um diretor de cinema russo, que atuava na Divisão de Serviço de Informação do Alto Comissariado Americano para a Alemanha, que utilizou sua influência para financiar o evento cinematográfico. Em 1950 ele angariou fundos americanos para o festival, que teve sua primeira edição entre os dias 06 e 17 de junho de 1951 – nessa edição ele recebeu o Urso de Ouro pela contribuição e planejamento do evento. O filme de abertura da primeira edição foi ‘Rebecca – A mulher inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock, com sessão no Titania-Palast em Steglitz, em 6 de junho de 1951, e o filme que ganhou o Urso de Ouro naquele ano foi ‘Cinderela’ (1950), da Disney. Enquanto o festival existiu durante a Guerra Fria, uma seleção de longas e curtas eram também exibidos, mas de forma exclusiva, na Berlim Oriental. O festival ganhou o mundo e se tornou um dos eventos mais potentes da área.

Desde 2000 o palco central de exibições e recepção de convidados é o Theatre am Potsdamer Platz, conhecido como ‘Berlinale Palast’. A produtora de cinema Mariette Rissenbeek ocupa o cargo de diretora executiva do festival desde 2019, ao lado do diretor artístico Carlo Chatrian – ela é a primeira mulher a liderar a Berlinale.

Durante a pandemia da Covid-19, houve duas edições encurtadas do festival, nos anos de 2021 e 2022, só se restabelecendo a partir de 2023 – fato que ocorreu na maioria dos festivais de cinema ao redor do mundo. As edições de 2023, 2024 e 2025 reuniram o maior número de filmes inscritos, o maior de exibições públicas e o maior público, demonstrando a força dos festivais de cinema.

 

O Brasil na Berlinale

 

O Brasil já ganhou prêmios em Berlim, além de inúmeras obras indicadas e outras tantas exibidas nas seções especiais do festival. O primeiro Urso de Ouro veio em 1998, com ‘Central do Brasil’, de Walter Salles, que levou ainda os prêmios de melhor atriz (Urso de Prata para Fernanda Montenegro, que naquele ano seria indicada ao Oscar) e o prêmio do júri ecumênico. Dez anos depois, em 2008, ‘Tropa de Elite’ (2007), de José Padilha, envolvido em uma série de polêmicas e dividindo a opinião do júri, recebeu o Urso de Ouro, sendo assim o segundo Urso do Brasil.

Já o Urso de Prata foi entregue em três momentos – em 1986, quando a atriz Marcélia Cartaxo o ganhou por ‘A hora da estrela’, de Suzana Amaral; em 1987 quando Ana Beatriz Nogueira levou pelo filme ‘Vera’, de Sergio Toledo; e em 1998 com Fernanda Montenegro por ‘Central do Brasil’.

Brasil também recebeu quatro estatuetas na categoria ‘Grand Prix’: em 1964 por ‘Os fuzis’, de Ruy Guerra; em 1969 por ‘Brasil Ano 2000’, de Walter Lima Jr; em 1978 por ‘A queda’, de Ruy Guerra e Nelson Xavier; e em 2025 por ‘O último azul’, de Gabriel Mascaro.

Da primeira edição até a de 2025 o país concorreu 31 vezes ao Urso de Ouro, com filmes de repercussão lá fora, como ‘Sinhá Moça’, ‘O padre e a moça’, ‘Toda nudez será castigada’, ‘Pra frente Brasil’, ‘O que é isso, companheiro?’ e ‘O ano em que meus pais saíram de férias’.

 

A edição de 2025

 

Realizado entre os dias 13 e 23 de fevereiro de 2025, a 75ª edição do festival teve como presidente do júri o cineasta Todd Haynes. Nessa edição comemorativa, a atriz Tilda Swinton recebeu o Urso de Ouro honorário. Estiveram na competição os filmes "Ari", de Léonor Serraille; "Blue Moon", de Richard Linklater; "La Cache", de Lionel Baier; "Sonhos", de Michel Franco; "Dreams (Sex, Love)", de Dag Johan Haugerud; "O que a Natureza te Conta", de Hong Sang-soo; "Hot Milk", de Rebecca Lenkiewicz; "Se eu Tivesse Pernas Eu te Chutaria", de Mary Bronstein; "Kontinental ’25", de Radu Jude; "El mensaje", de Iván Fund; "Mother’s Baby", de Johanna Moder; "O Último Azul", de Gabriel Mascaro; "O Brilho do Diamante Secreto", de Hélène Cattet e Bruno Forzani; "Living the Land", de Huo Meng; "Timestamp", de Kateryna Gornostai; "The Ice Tower", de Lucile Hadžihalilović; "What Marielle Knows", de Frédéric Hambalek; "Girls on Wire", de Vivian Qu; e "Yunan", de Ameer Fakher Eldin.

Na seção ‘Panorama’ compuseram a programação filmes como "Ato Noturno" (brasileiro, dirigido por Marcio Reolon e Filipe Matzembacher), "A Meia-irmã Feia" (de Emilie Blichfeldt), "O Dia de Peter Hujar’ (de Ira Sachs), "A Sapatona Galáctica" (de Emma Hough Hobbs e Leela Varghese) e "Paul" (de Denis Côté), e na Mostra Generation alguns títulos foram o brasileiro "A Natureza das Coisas Invisíveis" (de Rafaela Camelo) e o francês "Maya, me dê um Título" (de Michel Gondry).

O filme "Dreams (Sex Love)" foi premiado com o Urso de Ouro, enquanto o Urso de Prata foi para "O Último Azul" (Grande Prêmio do Júri), "El mensaje" (Prêmio do Júri), Huo Meng, de "Living the Land" (Melhor Diretor), Rose Byrne, por "Se eu Tivesse Pernas Eu te Chutaria" (Melhor Atriz), Andrew Scott, por "Blue Moon" (Melhor Ator Coadjuvante), "Kontinental ’25" (Melhor Roteiro) e "The Ice Tower" (Melhor Contribuição Artística). No Berlinale Documentary, o prêmio de melhor documentário foi para "The Devil Smokes (and Saves the Burnt Matches in the Same Box)", de Ernesto Martínez Bucio. No Berlinale Shorts, o Urso de Ouro e o Urso de Prata foram respectivamente para "Lloyd Wong, Unfinished", de Lesley Loksi Chan, e "Ordinary Life", de Yoriko Mizushiri. No Panorama, o prêmio principal de filme de ficção foi para "Surda", de Eva Libertad, e o de documentário foi entregue a "Die Möllner Briefe", de Martina Priessner. No Generation 14plus o grande Prêmio de Melhor Filme foi para "Christy", de Brendan Canty, e o Generation kplus foi para "The Botanist", de Jing Yi. Os prêmios do Júri Ecumênico foram assim distribuídos: "O Último Azul", de Gabriel Mascaro (Seção Competition); "The Heart is a Muscle", de Imran Hamdulay (Seção Panorama); e "Holding Liat", de Brandon Kramer (Seção Forum). Os da Mostra Teddy, premiação voltada a filmes de temática LGBTQIAPN+, foram para "A Sapatona Galáctica" (Melhor Filme) e "Satanic Sow", de Rosa von Praunheim (Melhor Documentário/Ensaio).

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Sobre o Colunista:

Felipe Brida

Felipe Brida

Jornalista e especialista em Artes Visuais e Intermeios pela Unicamp. Pesquisador na área de cinema desde 1997. Ministra palestras e minicursos de cinema em faculdades e universidades. Professor de Semiótica e História da Arte no Imes Catanduva (Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva) e coordenador do curso técnico de Arte Dramática no Senac Catanduva. Redator especial dos sites de cinema E-pipoca e Cineminha (UOL). Apresenta o programa semanal Mais Cinema, na Nova TV Catanduva, e mantém as colunas Filme & Arte, na rede "Diário da Região", e Middia Cinema, na Middia Magazine. Escreve para o site Observatório da Imprensa e para o informativo eletrônico Colunas & Notas. Consultor do Brafft - Brazilian Film Festival of Toronto 2009 e do Expressions of Brazil (Canadá). Criador e mantenedor do blog Setor Cinema desde 2003. Como jornalista atuou na rádio Jovem Pan FM Catanduva e no jornal Notícia da Manhã. Ex-comentarista de cinema nas rádios Bandeirantes e Globo AM, foi um dos criadores dos sites Go!Cinema (1998-2000), CINEinCAT (2001-2002) e Webcena (2001-2003), e participa como júri em festivais de cinema de todo o país. Contato: felipebb85@hotmail.com

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