RESENHA CRÍTICA: Em Pedaços (Aus dem Nichts)

Por mais trágico que seja, não deixa de ser humano e tocante. Recomendo com entusiasmo

13/04/2018 11:04 Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CRÍTICA: Em Pedaços (Aus dem Nichts)

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Em Pedaços (Aus dem Nichts

Alemanha, 17. 1h45. Direção de Fatih Akim. Com Diane Kruger, Denis Moschitto, Numan Acar, Samia Muriel Chancrin, Johannes Krisch (o advogado de defesa), Ulrich Tukur, Ulrich Brandhoff.

Só agora com certo atraso consegui assistir este filme que deu a atriz alemã Diane Kruger (1976- ) o prêmio de melhor atriz no ultimo Festival de Cannes. Ela já tem uma carreira longa internacional ao menos desde que foi Helena de Tróia e que é nesse momento, sem dúvida, uma das mulheres mais belas do mundo. E dá um show de interpretação, dramática e trágica e, no entanto contida. Esse mesmo filme levou o Globo de Ouro de filme estrangeiro, mas a Academia como de costume errou quando não o incluiu na lista dos cinco finalistas. Para mim trata-se de um thriller político excepcional que confirma o talento do diretor alemão de origem turca Fatih Akim (1973- ), que conhecemos aqui de poucos trabalhos (lembro-me de Contra a Parede, 04, Do Outro Lado, 07, Soul Kitchen, 09 e o documentário Atravessando A Ponte O Som de Istambul,05). Mas ele merece uma retrospectiva. Fica claro que está no total domínio de seu métier. Tudo muito bem narrado, sabendo utilizar movimentos de câmera e também os atores coadjuvantes (um deles que faz o terrível advogado de defesa dos terroristas que estão sendo julgados é dono de uma figura incrível que o deve levar em breve a produções internacionais, Johannes Krisch).

Sem romancear nada ou facilitar as coisas, Fatih (o roteiro é dele junto com o ator e diretor Hank Bohm) faz a denúncia de um abominável acontecimento que vem se sucedendo na Alemanha, ataques de admiradores de Hitler, neo-nazistas que atacam estrangeiros a esmo. A história começa quando Katia Sekerci (Diane) impetuosamente se casa na cadeia com um turco traficante de drogas. Pouco tempo depois eles têm uma vida mais tranquila, com um menino como filho e um trabalho que parece honesto, quando explodem uma bomba no escritório matando pai e filho (ela viu a moça que deixou uma bicicleta com a bomba!). Naturalmente mergulha numa depressão, quando a família se reúne em torno dela com as habituais exigências (me pareceu um ponto fraco ela morar numa casa moderna e até luxuosa, o que o filme tenta explicar num diálogo não de todo convincente). De qualquer forma, o caso vai ao tribunal e se torna o ponto mais alto do filme, tudo porque o diretor realmente tem a mão para colocar a câmera no lugar certo, na hora exata. E valoriza o show da atriz. Dali em diante, na paisagem grega (o filme é dividido em três partes sendo a ultima O Mar) teremos o desenlace.

Mas não é um filmezinho americano de rotina, muito pelo contrário. A denúncia é forte e necessária, mas flui na hora certa. Por mais trágico que seja, não deixa de ser humano e tocante. Recomendo com entusiasmo.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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