RESENHA CRÍTICA: De Encontro com a Vida (Mein Blind Date mit dem Leben)

Um filme diferente, interessante que também tem uma história positiva

19/04/2018 10:53 • Por Rubens Ewald Filho
RESENHA CR�TICA: De Encontro com a Vida (Mein Blind Date mit dem Leben)

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De Encontro com a Vida (Mein Blind Date mit dem Leben)

Alemanha, 2017. 111 minutos. Direção de Marc Rothemund. Elenco: Kostja Ullmann, Jacob Matschenz, Anna Maria Mühe, Nilam Farooq, Ludger Pistor, Rouven Blessing, Johann von Bülow. Roteiro de Oliver Ziegenbalg, Ruth Toma.

Já houve tempos em que o cinema alemão teve lugar especial nas salas brasileiras (melhor esquecer os filmes do período nazista!) porque em meados dos anos cinquenta, houve a exportação dos filmes musicais e românticos, coloridos, que passaram a exportar jovens e bonitas estrelas em geral em comédias ou mesmo musicais. Só para se divertirem os mais velhos, foram filmes com gente como Sabine Sinjen (inclusive um feito por aqui chamado Stephanie no Rio!), Ruth Leuwerick (que estrelou os dois filmes da Família Trapp, 56, e Família Trapp na America, 58), Caterina Valente, naturalmente Romy Schneider e várias outras. Mais tarde vieram também comédias modernas e ate atrevidas mas fazia tempo que não eram importadas para o Brasil.

Alemão também tem senso de humor, é bom deixar claro vendo esta raridade. Embora eu não conheça o elenco temos pelo menos um diretor conhecido (ele fez Uma Mulher contra Hitler, sobre a resistência contra Hitler chamada de Rosa Branca em 2005 que ficou entre os cinco finalistas do Oscar) e Groupies Não Ficam para o Café da Manhã (2010). Segundo o IMDB haveriam ainda outras que teriam passado aqui (Formiga nas Calças, 2000) e A Garota das Nove Perucas (13). Este aqui teve ao menos duas indicações ao prêmio alemão famoso que se chama Bambi (Kostja e filme). O rapaz Kostja é conhecido no Brasil porque quando ainda bem jovem fez uma histéria gay Cult por aqui, chamada Tempestade de Verão (04) e tem mais de 66 créditos!

Kostja é quem faz Saliya um estudante promissor que perde noventa e cinco por cento da visão. Apesar dos conselhos alheios insiste em persistir no seu sonho de trabalhar em um grande hotel de luxo de Munique. E consegue realizar seu plano com a ajuda do melhor amigo Max (Jacob Matschenz, que fica com as cenas mais engraçadas), da mãe e da irmã, mas a situação é complica quando se apaixona por Laura (Anna Maria Mühe). Importante: a história é baseada em fato real de Saliya Kathawatte. E fez sucesso na Alemanha onde teve mais de 500 mil espectadores sendo muito elogiada pela fotografia, trilha musical e o esforço dos atores numa situação tão diferente. Só este resumo já da uma idéia que é um filme diferente, interessante que também tem uma história positiva. Quantos nos fazem rir e torcer por um herói como este? Experimente.

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Sobre o Colunista:

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho

Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de “Éramos Seis” de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o “Dicionário de Cineastas”, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.

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