RESENHA CRÍTICA: A Livraria (The Bookshop)
O filme sofre de um ritmo lento demais, tudo muito previsível e as ações e conflitos não tem maior impacto ou merecem maior emoção
A Livraria (The Bookshop)
Espanha, Inglaterra, 17. 1h53min. Direção e roteiro de Isabel Coixet baseada em livro de Penelope Fitzgerald. Com Emily Mortimer,Patricia Clarkson, Bill Nighy, James Lance, Hunter Tremayne, Honor Kneafsey, Frances Barber, Reg Wilson.
Este é um caso muito curioso que também refletiu por aqui. A diretora e roteirista de Barcelona, Isabel (que eu conheci alguns anos atrás quando começava carreira internacional e me pareceu talentosa e bem humorada), que tem tido uma carreira interessante (entre eles, os mais interessantes passaram que aqui : Confissões de um Apaixonado, 96, Minha Vida sem Mim, 03, A Vida Secreta das Palavras, 05), mas aqui acabou premiada pelos críticos da Espanha como melhor filme e diretor, mais roteiro, fotografia e ator Nighy, o prêmio Gaudi foi mais discreto, valendo só os de trilha musical e direção. Falta ainda o Goya, que lhe deu melhor filme, direção e roteiro. Não deixa de ser estranho porque este é um trabalho que nada tem de espanhol, é profundamente britânico, tanto nos atores, como na paisagem e situações. O único que teria de internacional é porque já atualmente há uma crise com as livrarias (nos EUA há pouco tem se fechado grande parte das editoras e lojas, sendo que o hábito de ler está em franca decadência. O que eu pessoalmente acho um triste sinal de tempos em que vivemos e da atual geração!). Também da situação do cinema na Espanha, que tinha ouvido falar que estaria em crise, mas nem tanto...
Enfim, é um mercado comum e supomos que esse preconceito seja tolo. Alás, o que fica discreto no filme, onde pessoas supostamente ricas e inteligentes, ficam contra a existência de uma livraria numa pequena cidade litorânea. A história se passa em 1959, e fala de Florence Green (a inglesa Emily Mortimer, discreta e que fez muitos papeis em comédias americanas), que é uma viúva que para se sentir melhor, sonha em abrir uma livraria numa cidadezinha chamada Hardborough. Um lugar de tempo instável, frio, com uma população pequena e apática, obviamente parece que é um sonho que está fadado a não acontecer. Ela faz o possível chegando a trazer livros polêmicos como Lolita, do Nabokov e Fahrenheit 451 (que teve agora nova versão para a HBO) e provoca uma ligeira mudança nos costumes. Na verdade o filme sofre de um ritmo lento demais, tudo muito previsível e as ações e conflitos não tem maior impacto ou merecem maior emoção. Nem mesmo quando os inimigos se refletem e partem para destruir o projeto. Da garra que os espanhóis geralmente têm, não restou traço algum. Sobrou este filme plácido e até delicado, não merecia tanta atenção internacional.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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