RESENHA CRÍTICA: O Protetor 2 (The Equalizer 2)
Podemos dizer que o filme é muito bem feito, mas podemos também reclamar que por vezes excede um pouco o gosto da gente
O Protetor 2 (The Equalizer 2)
EUA, 18. 121min. Direção de Antonie Fuqua. Elenco:Denzel Washington, Orson Bean, Bill Pullman, Melissa Leo, Johnathan Scarfe,Sakina Jaffrey, Ashton Sanders, Pedro Pascal, Tamara Hickey, Garret Golden, Kazy Tauginas.
Cada vez mais sou admirador de Denzel Washington, um ator discreto, sóbrio, mas que nem por isso deixa de passar no rosto todas as emoções de seu personagem justiceiro e até violento. Na verdade, achei o filme anterior da mesma equipe um pouco forte demais na pegada de violência e uma jovem prostituta. Acho também que o diretor amigo de Denzel, o Fuqua, nunca foi premiado para nada e, portanto, não foi reconhecido com o diretor competente que foi crescendo cada vez mais. Sem exagerar demasiado, o filme optou por outra saída, conta a história sem pressa, apresentando os personagens, sendo que de repente há uma explosão de violência e momentos muito fortes de ação. Muito bem feitos, mas estranhamente eles são interrompidos, como se fosse planejado especialmente. E o espectador percebe isso! Ou seja, um tempo de conversa, a suspeita aumentando e de repente a luta da pesada, de socos ou armas.
Podemos dizer que o filme é muito bem feito, mas podemos também reclamar que por vezes excede um pouco o gosto da gente. Mas embarquei muito forte no filme, suportando mesmo uma sequência discutível (digo até bem longa, que é o vizinho do herói, Denzel, que tenta dar lição de vida para um rapaz negro que está enveredando pela bandidagem, mas que está sendo seduzido para pintar um retrato no exterior do prédio. Ou seja, no caminho certo). Estou fugindo do ponto mais fraco do filme, que não é a participação talvez pequena demais da premiada com o Oscar, Melissa Leo, de uma forma que muda os rumos da trama, mas o descuido maior do roteiro é, uma sequência longa feita num lugar à beira mar, com casario de férias onde esta acontecendo uma violento furacão (alguns detalhes são exagerados e infelizmente naquela altura qualquer um já teria percebido quem é o maior bandido de todos). Uma falha grave que prejudica o filme, qualquer bobinho mata a charada.
Sobre o Colunista:
Rubens Ewald Filho
Rubens Ewald Filho é jornalista formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), além de ser o mais conhecido e um dos mais respeitados críticos de cinema brasileiro. Trabalhou nos maiores veículos comunicação do país, entre eles Rede Globo, SBT, Rede Record, TV Cultura, revista Veja e Folha de São Paulo, além de HBO, Telecine e TNT, onde comenta as entregas do Oscar (que comenta desde a década de 1980). Seus guias impressos anuais são tidos como a melhor referência em língua portuguesa sobre a sétima arte. Rubens já assistiu a mais de 30 mil filmes entre longas e curta-metragens e é sempre requisitado para falar dos indicados na época da premiação do Oscar. Ele conta ser um dos maiores fãs da atriz Debbie Reynolds, tendo uma coleção particular dos filmes em que ela participou. Fez participações em filmes brasileiros como ator e escreveu diversos roteiros para minisséries, incluindo as duas adaptações de Éramos Seis de Maria José Dupré. Ainda criança, começou a escrever em um caderno os filmes que via. Ali, colocava, além do título, nomes dos atores, diretor, diretor de fotografia, roteirista e outras informações. Rubens considera seu trabalho mais importante o Dicionário de Cineastas, editado pela primeira vez em 1977 e agora revisado e atualizado, continuando a ser o único de seu gênero no Brasil.
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